quarta-feira, 15 de maio de 2019

Papa Francisco nomeia novo bispo para a Diocese de Ipameri

DO SECRETARIADO DA CNBB/ DA REDAÇÃO - O Papa Francisco, nesta quarta-feira (15), nomeou o Pe. José Francisco Rodrigues do Rêgo como novo bispo da diocese vacante de Ipameri (GO). Atualmente, ele era pároco da Catedral de Uruaçu (GO). Padre José Francisco Rodrigues do Rêgo, nasceu dia 24 de Dezembro de 1966, em Barras (PI). É filho do senhor Agostinho Rodrigues do Rêgo e da senhora Maria Creuza do Rêgo. Cursou da 1ª até a 5ª Série do ensino fundamental em Barras e, continuou os estudos até a 8ª Série do ensino fundamental em Brasília (DF), em escolas públicas.Ingressou no Seminário Menor São José da Diocese de Uruaçu, em 20 de Janeiro de 1984, onde cursou todo o ensino médio no Colégio Nossa Senhora Aparecida em Uruaçu (GO). Em Janeiro de 1987, continuou seus estudos no Seminário São José da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), cursou a Filosofia e tornou-se Bacharel em Filosofia pela Faculdade de Filosofia João Paulo II. Em Fevereiro de 1989, iniciou o curso de Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima da Arquidiocese de Brasília e concluiu em Dezembro de 1992.

Secretarias de Saúde e de Obras iniciam ações de combate ao mosquita da Dengue

DA REDAÇÃO - As secretarias municipais de Saúde e de Obras iniciaram nesta quarta-feira (15) uma mobilização contra o mosquito Aedes Aegypti nos bairros da cidade de Orizona. Neste primeiro dia, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias visitaram as residências dos bairros Cinelândia e Nossa Senhora de Fátima, distribuindo material orientativo de como combater o mosquito e prevenir contra a dengue, zika e chikungunya. 
Além disso, a partir da próxima segunda-feira (20) a prefeitura, através da secretaria de Obras, estará recolhendo lixo de maior porte nos bairros Cinelândia e Nossa Senhora de Fátima. Por isso, a administração municipal está orientando para que os moradores que desejarem descartar materiais que estejam no interior dos lotes, que o façam colocando-os para fora, pois na ocasião os mesmos serão recolhidos.
Ainda segundo a prefeitura, esta ação conjunta irá ser realizada em todos os bairros da cidade, por etapas.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Prefeito de Orizona vai ao FNDE em busca de benefícios para a Educação

ASCOM/ PREFEITURA MUNICIPAL - O prefeito municipal de Orizona, Joaquim Marçal, acompanhado da secretária de Educação Adriany dos Santos e dos servidores públicos Wender Caixeta e Daniel Hipólito, cumpriu nesta terça-feira (14) agenda no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), buscando benefícios para a educação de nosso município. 
Na ocasião o Prefeito, protocolou um documento solicitando o desbloqueio da verba da merenda escolar. Foi a segunda vez neste ano que o prefeito e a secretária estiveram em Brasília para tratar dos recursos da merenda escolar. O Ministério da Educação havia bloqueado os repasses para Orizona por conta de irregularidades em prestações de contas de anos anteriores.
Ao final do dia, a assessoria da Prefeitura comunicou pelas redes sociais que o grupo voltava de Brasília com novidades referentes a essa pauta.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Divino de Carvalho, um Militante na Defesa do Meio Ambiente

Nesta segunda-feira, 06 de maio, se estivesse entre nós, Divino de Carvalho completaria 63 anos de idade. Nascido no ano de 1956 morreu precocemente em 20 de agosto de 2014. Apesar de seu comportamento discreto e vida modesta, deu grande contribuição ao município de Orizona. O seu legado precisa ficar para sempre em nossa memória.
Militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) teceu lutas que foram bem além da militância partidária. A sua causa maior foi o Meio Ambiente. Em concordância com a professora Neusa Canêdo, digo que este foi o mais importante ambientalista que atuou no município.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

A Contribuição dada pelo Padre Gomes Pereira da Silva a Campo Formoso

Não sou muito adepto da prática de dar nomes de agentes públicos e personalidades a locais e prédios públicos. Contudo, acredito que é preciso fazer justiça e memória à contribuição de determinadas pessoas ao desenvolvimento local.
Em Orizona, vemos ao longo dos anos aparecerem em placas de inaugurações, nomes de pessoas que não tem propriamente o perfil de ter dado grande contribuição à coletividade municipal. Boa parte das vezes, os nomes que aparecem são de correligionários ou familiares dos administradores ou legisladores municipais, praticamente com o propósito de deixar evidente o nome da família ou a presença deste ou daquele partido político.
Digo isso para dar visibilidade a um quase injustiçado em nosso meio e que os atos e intervenções contribuíram muito para a emancipação local no final do século XIX e início do século XX: o padre Gomes Pereira da Silva.
Padre Gomes, que foi vigário em Santa Cruz e Bomfim (Silvânia), interviu sobremaneira no processo de emancipação política de Campo Formoso (Orizona) e contribuiu para a criação da freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso.
Padre Gomes substituiu em 1890 a figura extremamente relevante de Antonio Luiz Braz Prego no governo espiritual da paróquia de Santa Cruz, sendo mais tarde transferido para Bomfim, ainda assistindo a Santa Cruz, antes que viesse a falecer em abril de 1914.
Era natural de Santana de Campos Ricos (Anápolis) e a sua inteligência e caráter eram destaques, conforme se vê neste fragmento de texto publicado em O Publicador Goyano em setembro de 1885 [1]:
“Esteve entre nós durante o mês de agosto p. p. o Reverendo Padre Gomes Pereira da Silva, lente do Seminário Episcopal desta Província, que veio aproveitar as férias no meio de seus parentes e amigos. Os poucos dias que aqui esteve foram suficientes para nos dar a conhecer nele o protótipo de verdadeiro sacerdote, cheio de virtudes e inteligência cultivada; não podia deixar de captar as simpatias de todos que tiveram a virtude de o tratar; retirando-se nos deixou a todos saudosos.
Campos Ricos, 02 de setembro de 1885”.
Gomes fez seus estudos iniciais no Liceu de Goiás, conforme consta em frequência de 1867[2]. No ano de 1873, o jovem realizou exames do Seminário Episcopal Santa Cruz, sendo aprovado plenamente em Francês. Também consta que fez exames de suficiência em Latim[3].
A sua fluência era tão significativa em Francês, que se tornou, mesmo sendo seminarista, professor da disciplina. Um relatório de 1875, consta que ministrava aulas para 47 alunos[4]. É bom destacar que não apenas os jovens com vocação religiosa se matriculavam no Seminário, mas os jovens de famílias abastadas também tinham a possibilidade de fazê-lo, uma fez que se tornou uma instituição muito conceituada em Goiás.
No final do ano letivo de 1875, temos um relatório em que apresenta o desempenho de Gomes no Seminário Santa Cruz. Consta que foi aprovado plenamente em Filosofia, Retórica, História Universal, Física e Latim. Também foi aprovado em Geografia Física e Política, Astronomia, Aritmética, Gramática, Francês e Catecismo[5]. No início de janeiro de 1876, o jovem seminarista participou de solenidade de aniversário do Seminário Episcopal.
Na ocasião foram premiados os estudantes com melhor desempenho. Gomes era brilhante, só não conseguiria superar seu colega João Teixeira Alvarez (pai do interventor Pedro Ludovico Teixeira), um dos homens mais impressionantes a pisar em solo goiano. Gomes foi naquele dia premiado na disciplina de Geometria do Espaço e teve oportunidade de fazer discurso, em nome dos colegas, em agradecimento ao bispo diocesano, ao padre reitor e aos professores[6].
Por algum motivo que não é de nosso conhecimento, Gomes Pereira da Silva deixou o Seminário em 1877 e retornou para Santana das Antas (Anápolis), onde assumiu como professor da escola pública da freguesia, na época, município de Meia-Ponte (Pirenópolis). Lá, foi professor interino de 08 de agosto de 1877 a 31 de maio de 1878, quando abandonou a função e foi ministrar as disciplinas de Aritmética e Francês no Colégio Senhor do Bomfim, em Entre Rios (Ipameri)[7]. Gomes retornaria ao Seminário Episcopal nos primeiros anos da década de 1880, quando concluiu a sua formação.
Além do trabalho eclesiástico, em Santa Cruz exerceu o serviço público como coletor (1890). Também foi nomeado membro do Conselho de Intendência de Santa Cruz em 1891 [8]. Politicamente, militava na época pelo Partido Republicano Federal.
Quando padre Gomes chegou a Santa Cruz, o arraial dos Corrêas se desenvolvia a pleno vapor e contava com o empenho de importantes lideranças locais. O próprio padre Prego colaborou muito para o desenvolvimento da região, uma vez que contava com uma comunidade católica muito engajada. Essa postura dos moradores também contribuiu para o seu fortalecimento político.
Segundo entende-se pelas anotações dos padres Ramiro de Campos Meireles e José Trindade da Fonseca e Silva (Cônego Trindade) nos livros de Tombo nº 1 e 2 da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, a atuação de padre Gomes contribuiu para que os Corrêas fossem elevados a distrito de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso. Ainda de acordo com essas anotações, Gomes defendeu que se adotasse “Campo Formoso”, nome já usual pelos moradores de Santa Cruz e região.
De acordo com os estudos do professor Olímpio Pereira Neto [9], na última década do século XIX, durante o ministério do padre Gomes, a paróquia de Santa Cruz recebeu entre outras, missões dos frades dominicanos Gil Vila Nova, Joaquim Mastelam, Ângelo e Manuel Maria.
O professor Luiz Ferraz, importante cronista de Campo Formoso na época, registra em texto de julho de 1891, ao jornal Estado de Goyaz [10], que padre Gomes Pereira da Silva era incansável no trato com seus compromissos.
Ao se referir aos festejos de Nossa Senhora da Piedade e Divino Espírito Santo, realizados entre os dias 25 e 26 de julho daquele ano, elogiava a animação do evento, que contava com grande presença da comunidade adjacente à Capela dos Corrêas e dos esforços dos festeiros. Sobre padre Gomes, observa que o mesmo esteve em todos os momentos do festejo, demonstrando robustez, zelo, além de uma exuberante oratória nas suas homilias.
Sobre a elevação de Campo Formoso à Vila, através da lei nº 272, de 12 de julho de 1906, não temos certeza sobre a contribuição de padre Gomes no processo político. Contudo, sabemos do seu papel desempenhado para a criação da paróquia de Nossa Senhora da Piedade. Atuou junto ao bispo da Arquidiocese de Goiás, D. Prudêncio Gomes da Silva, até que fosse viabilizada a criação da freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso, através de decreto diocesano datado de 1º de julho de 1912.
O primeiro vigário da paróquia foi Pe. Julião Calzada [11]. A instalação da freguesia contou com a presença dos padres Julião e Gomes, e aconteceu através de celebração realizada em 31 de agosto de 1912 e presidida por padre Gomes, que leu o decreto e fez pronúncia alusiva ao ato.
Outra contribuição de padre Gomes se deu em 1913, quando os ânimos estavam acirrados entre Campo Formoso e Santa Luzia (Luziânia), por questões da disputa do território entre os rios Corumbá e Piracanjuba. Quando em janeiro daquele ano os embates chegaram à jurisdição das duas paróquias, Pe. Gomes, que estava em Bomfim, foi acionado e pode mediar o conflito no âmbito da Igreja.
Portanto, Pe. Gomes Pereira da Silva deu sua importante contribuição na consolidação de Campo Formoso enquanto município e paróquia. Os fatos citados são os de que temos conhecimento, sem levar em conta outros importantes acontecimentos e que caíram no esquecimento. Sem dúvidas, se legado será permanente em Orizona.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com) 

Referências, Fontes Documentais e Notas:

1. Ver: O Publicador Goyano. Ano I, N. 30. Goiás/GO, 19 de setembro de 1885.
2. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 202. P. 04. Goiás/GO, 12 de novembro de 1867.
3. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 01. P. 04. Goiás/GO, 10 de janeiro de 1874.
4. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 50. P. 01. Goiás/GO, 17 de julho de 1875.
5. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 97. P. 02 e 03. Goiás/GO, 31 de dezembro de 1875.
6. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 03. P. 02 e 03. Goiás/GO, 15 de janeiro de 1876.
7. Ver: Correio Official de Goyaz. N. 54. P. 01. Goiás/GO, 17 de agosto de 1878.
8. Ver: O Estado de Goyaz: Orgam do Partido Republicano Federal. Ano I, N. 04. Goiás/GO, 27 de junho de 1891.
9. PEREIRA NETO, Olímpio. Orizona: Campo e Cidade. Ed. Revista e aumentada. Orizona, 2010. 372 p.
10. Ver: O Estado de Goyaz: Orgam do Partido Republicano Federal. Ano I, N. 11. Goiás/GO, 13 de agosto de 1891.
11. Padre Julião Calzada veio da Espanha com toda sua família, fixando residência definitiva em Santa Cruz. Nasceu em 17 de fevereiro de 1873 e faleceu em 17 de abril de 1926, com 53 anos de idade. Foi sepultado junto ao altar-mor da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz. Governou a paróquia de Campo Formoso de agosto de 1912 a março de 1914. In: ALVES, Joaquim Rodrigues. Santa Cruz de Goiás: Sinopse Histórica. Goiânia: Emater-GO, 1983.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O conturbado Cenário Político na década de 1930 em Campo Formoso

Se o cenário político em Campo Formoso (Orizona) foi tenso na década de 1910, por conta das disputas territoriais com os municípios vizinhos, internamente as coisas iam muito bem até o final da década de 1920. Sobre isso, o bacharel em Direito e escritor Cillenêo de Araújo (Leo Lynce) comenta em texto para o jornal A Roça, em janeiro de 1924 [1]:
“Porque a política, ou para dizer como o velho Rui, a politicalha, tão nociva às localidades do interior, está fora das cogitações dos campoformosenses. Morto José da Costa, o saudoso e querido chefe daquele povo, ninguém disputou o penacho, que andou de mão em mão como um presente de grego, até que, um dia, premidos pela necessidade de se entenderem com os governantes, os homens mais graduados do lugar se reuniram e obrigaram Abilon Borges, moço inteligente e estimadíssimo, a aceitar as funções, tão cobiçadas alhures, de leader da política local. E o Abilon vai se conduzindo admiravelmente nesse posto”.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A Criação e Instalação da Comarca de Orizona

Enquanto parte do município de Santa Cruz, no período anterior à Proclamação da República, a região que hoje está instalado o município de Orizona foi vinculada às Comarcas de Santa Cruz, do Rio Paranaíba, Bella Vista. Posteriormente, foi termo de Bella Vista e novamente Bomfim, Pires do Rio, até que veio a criação da Comarca de Campo Formoso, através do Decreto-Lei n. 5096, de 12 de dezembro de 1941, emitido pelo Interventor Federal Pedro Ludovico Teixeira, após autorização de Getúlio Vargas. A seguir trataremos um pouco desse processo de como foi criada a comarca de Campo Formoso, depois Orizona.
Em 12 de julho de 1906 foi sancionada a Lei Estadual nº 277, que criava a vila de Campo Formoso. Já em 28 de janeiro de 1907, pelo Decreto n. 1.834, foi criado o Termo Judiciário de Campo Formoso, subordinado à comarca de Bomfim[1]. Foram instalados ali os foros civil e criminal e constava na data, 208 eleitores na localidade, ambos aptos a serem jurados.
Por definição, a comarca seria uma região territorial sobre a responsabilidade de um Juiz de Direito de primeira instância. O termo judiciário seria uma subdivisão da comarca. Geralmente ocorria quando a mesma era composta por mais de um município.
Por ocasião do Decreto n. 1.834, havia o Termo Judiciário de Bomfim (Silvânia) e o de Campo Formoso (Orizona), tendo como responsáveis pelos termos, juízes municipais subordinados ao juiz da comarca, que então estava sediada em Bomfim. Em cada termo geralmente eram nomeados subpromotores de justiça e na comarca, o promotor propriamente dito. Enquanto buscava nomear juízes para as comarcas que fossem por formação, bacharéis em Direito[2], os juízes municipais e subpromotores geralmente eram indicações políticas de lideranças locais, sem nenhuma formação específica.
Na ocasião da gestão do prefeito José da Costa Pereira (Zequinha Costa), entre os anos de 1938 e 1945, muitas conquistas foram obtidas para o município de Campo Formoso/ Orizona. Zequinha tinha politicamente uma postura discreta, se dando muito bem com a parte governista do interventor federal Pedro Ludovico Teixeira, além de não ter problemas com os grupos oposicionistas locais e estaduais.
Após o assassinato do prefeito Egerinêo Teixeira em 06 de junho de 1938, ficou responsável pelo expediente da prefeitura de Campo Formoso, Geraldo de Araújo Valle, importante jornalista goiano, sobrinho de Egerinêo e filho do ex-intendente municipal Idomenêo Marques de Araújo Valle. Apenas em 16 de setembro daquele ano que José da Costa Pereira assumiu após ser nomeado pelo interventor federal. A sua gestão foi toda durante o Estado Novo, o período mais difícil da Era Vargas, onde a propaganda de Estado era feita abundantemente, assim como a repressão policial. Durante o período da gestão Zequinha Costa, Campo Formoso se viu acontecer a construção da sede dos Correios, o prédio do Fórum Municipal, a instalação de escolas, entre outras obras importantes.
Em 12 de dezembro de 1941 foi sancionado pelo interventor federal o Decreto-Lei nº 5.096, criando a Comarca de Campo Formoso. Na época existiam 29 comarcas no Estado de Goiás porque a de Natividade havia sido suprimida. Com a criação desta, o número foi novamente arredondado para 30 comarcas. Foi levado em conta na criação da nova comarca, conforme texto do decreto, “o crescente desenvolvimento do termo de Campo Formoso, em cujo foro transitam processos de andamento rápido no interesse da Justiça e, particularmente, no das Fazendas Públicas”. 
Segundo o artigo 1º deste Decreto-Lei,
“É feita a necessária corrigenda do decreto-lei nº 3.174, de 3 de maio de 1940, para incluir, como de primeira entrância, em substituição à extinta comarca de Natividade, a comarca de Campo Formoso, compreendendo o termo do mesmo nome e mantido, assim, o número de trinta (30) comarcas anteriormente estabelecido e cuja instalação terá lugar a primeiro de janeiro de 1942[3]”.
Um cidadão de grande relevo no processo político da instalação da comarca em Campo Formoso foi Benedito Silva, campoformosense, que havia participado da chamada Revolução (ou Golpe) de 1930, ocupado cadeiras no governo estadual da interventoria de Pedro Ludovico e na ocasião ocupava cargo de alto escalão no DASP – Departamento de Administração e Serviço Público do governo Getúlio Vargas. Benedito foi um dos fundadores deste órgão, que posteriormente se tornou a Fundação Getúlio Vargas.
A comarca de Campo Formoso foi instalada em 14 de janeiro de 1942 e teve como primeiro juiz de Direito, Paranaíba Piratininga Santana, filho do notável jornalista goiano Moisés Augusto Santana. O jornal O Ipameri noticiou em data não identificada [4], a solenidade de instalação da comarca. Veremos a seguir, na íntegra, este texto de importante valor histórico para o município.

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INSTALADA SOLENEMENTE A COMARCA DE CAMPO FORMOSO

No dia 14 do corrente mês, às 20 horas, realizou-se na sala das Audiências do Fórum de Campo Formoso, a cerimônia de instalação daquela Comarca, cujo termo judiciário foi elevado de categoria, em virtude do decreto-lei nº 5.096, de 12 de dezembro do ano p. findo.
Como Juiz de Direito da Comarca recém-instalada, o dr. Paranaíba Piratininga Santana presidiu a sessão e convidou para tomar assento à mesa de honra o bel. Manuel Amorim Félix de Souza, Promotor Público da Comarca, bel. Luiz Inácio Martins de Araújo, causídico no fórum local, Cel. José da Costa Pereira, Prefeito Municipal, Revmo. Padre Aníbal Ruppi, representante do Clero, sr. José Leveriano dos Reis, representando o funcionalismo público, dr. Joel de Andrade, representando a classe médica, sr. Maurity Silva, representando a classe comercial e industrial, sr. Aguinaldo França, representando a classe de Agricultores, d. Joaquina Fontenele, representando o mundo feminino, sr. Minervino Silva, representando o sr. Benedito Silva, alto funcionário do DASP.
Aberta a sessão, o Presidente fez uso da palavra, externando a sua intenção de bem distribuir a justiça na comarca que ora se instalava, relembrou sua estada aí, ainda no tempo de sua infância distante [5], e falou sobre a campanha desenvolvida por diversos senhores a fim de conseguir a criação da sede, campanha esta inteiramente apoiada por S. Excia. o dr. Interventor Federal no Estado e onde se destacaram as figuras de Segismundo de Melo e Benedito Silva. Acrescentou que ao assumir as funções de juiz de Direito da comarca o fazia cheio de fé e de ânimo, com o sadio desejo de distribuir justiça, aplicando serena e conscienciosamente a lei, procurando assim, bem servir os seus jurisdicionados que, desde os mais humildes aos mais abastados, seriam dignos de sua atenção. Sabia que no exercício de seu cargo iria tratar com um povo laborioso e ordeiro, consciente da disciplina do dever, acatador das leis e das autoridades constituídas e, finalmente, declarou que, em cumprimento ao que determina o decreto-lei acima referido, declarava instalada a comarca de Campo Formoso. Vibrantes aplausos acolheram as últimas palavras do orador, seguindo-se a execução do Hino Nacional pela Banda de Música da cidade, regida pelo maestro Getúlio Silva.
A seguir, o dr. Paranaíba Santana mandou que o secretário da mesa lesse aos presentes o decreto-lei da criação da comarca e os decretos interventoriais que nomearam a ele Juiz de Direito, e ao bel. M. Amorim Félix de Souza, Promotor Público. Logo após foi dada a palavra a este último, que falou longamente sobre a criação da comarca, elogiou aqueles que trabalharam para esse fim, salientando a figura do dr. Pedro Ludovico Teixeira, digníssimo Interventor Federal no Estado, a quem considera um grande cidadão brasileiro e extraordinário administrador. Teceu várias considerações a respeito do dr. Paranaíba Santana, relembrando a figura de seu pai Moisés Santana, grande jornalista goiano de imperecível memória.
Falou ainda do grande melhoramento que seria para Campo Formoso a criação da comarca, afirmando que este ato governamental é um incentivo de trabalho aos munícipes campoformosenses. Terminou seu discurso, que foi vibrantemente aplaudido pela assistência, fazendo votos de prosperidade ao povo de Campo Formoso, proclamando que teve dois grandes contentamentos ultimamente: foi o último juiz Municipal de Campo Formoso e seria o primeiro Promotor Público da Comarca.
Seguiu-se-lhe com a palavra o senhor Jorge Melo, tabelião do 2º ofício, que em nome de seus companheiros, deu as boas vindas ao M. M. Juiz de Direito, se estendendo em acertadas considerações sobre o passo adiantado que Campo Formoso acabava de dar no momento em que era solenemente instalada a sua comarca. Relembrou as figuras de S. Excia. o Interventor Pedro Ludovico, prof. Benedito Silva e outros que foram e se constituíram paladinos da grande vitória que o município acabava de conquistar. Prolongadas palmas acolheram as últimas palavras do orador.
Em seguida o acadêmico Alcino Bretas tomou a palavra e proferiu uma bela oração alusiva ao acontecimento, dizendo do seu orgulho como estudante de direito de ver a sua terra natal, terra de sua infância vadia e de sua mocidade de trabalhos, alcançar este grande prêmio que somente conseguem os povos verdadeiramente trabalhadores e virtuosos. Exaltou a personalidade do Juiz de Direto da Comarca, dizendo que o povo sabia, de antemão, que veria em sua terra a justiça bem amparada e melhor distribuída. Seu discurso foi muito aplaudido.
Falaram ainda a sra. d. Joaquina Fontenele de Souza, ilustrada diretora do Grupo Escolar “Constâncio Gomes”, e o ginasial Edison Vaz. Ambas as orações externaram gratidão pelo acontecimento, refletindo a satisfação geral dos campoformosenses.
Finalmente, assomou à tribuna o sr. Prefeito Municipal, que em linguagem simples e eloquente, se dirigiu ao povo, fazendo ver o grande dia que estava vivendo a sociedade campoformosense. Disse que representava uma classe nobre e generosa, que naquela hora descansava ao redor do lar familiar das labutas dos dias, sob as intempéries do tempo, a classe lavoureira, esta classe simples que é a base econômica e fonte de trabalho e de riqueza da vida municipal. Suas últimas palavras foram acolhidas com entusiásticas palmas de aplauso.
Terminados os discursos, o Juiz de Direito encerrou a sessão, proferindo ainda algumas palavras de elogios às orações ouvidas naquele recinto e agradeceu o comparecimento de todos àquela cerimônia.

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Com o Decreto-lei nº 8.305, de 31 de dezembro de 1943, Campo Formoso passou a se chamar Orizona. Assim, a comarca mudou de nome para o nome do município. Conforme o professor Olímpio Pereira Neto [6], se sucederam como juízes de Direito em Orizona, depois de Paranaíba Santana, Alfredo Fleury Curado, Geraldo Bonfim de Freitas, Frederico Medeiros, Joaquim Leite, Osvaldo Resende da Silva, Clodoaldo Moreira dos Santos, Jairo Ferreira Júnior, Marcus Vinícius Alves Barreto, Carlos José Limongi, Erci Santos Sterse, Jairo Domingos Ramos Jubé e Ricardo de Guimarães e Souza.
A pedra fundamental do novo Fórum Judiciário foi lançada no dia 15 de novembro de 2000, com a presença do desembargador Joaquim Henrique de Sá, presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, governador Marconi Perillo, Carlos José Limongi, Juiz de Direito da comarca de Orizona e do prefeito municipal Anteres Vieira Pereira. Em 25 de abril de 2002, o novo (e atual) juiz de Direito, Ricardo de Guimarães e Souza, inaugurou as novas instalações do Fórum Desembargador Joaquim Domingos Ramos Jubé. A solenidade teve a presença do desembargador Byron Seabra Guimarães, presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Joaquim Henrique de Sá, governador Marconi Perillo e do prefeito municipal João Bosco Mesquita.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com) 


Referências, Fontes Documentais e Notas:

1. Ver: Semanário Official – Ano IX, No. 372, pags. 01 e 02, de 26/01/1907.
2. Na primeira metade do século XX, o número de bacharéis em Direito no Estado de Goiás era muito reduzido, especialmente por serem instaladas faculdades tardiamente na região.
3. O decreto foi publicado no Correio Official de Goiás em data não identificada pelo autor.
4. O recorte do texto de O Ipameri foi encontrado dentro de uma pasta com arquivos pessoais do acervo de Benedito Silva, na biblioteca municipal Maurity Silva, em Orizona.
5. Em meados de 1921, o jornalista Moisés Santana passou uma temporada vivendo com a família em Campo Formoso.
6. Ver: PEREIRA NETO. Olímpio. ORIZONA: CAMPO E CIDADE. Ed. Revisada e Ampliada. Orizona, 2010. 372 p.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Conflitos de Jurisdição entre Campo Formoso e Santa Luzia - PARTE VI

Apesar de ser um jovem município, as lideranças de Campo Formoso possuíam alguma força política nos anos de 1910, principalmente junto à base governamental do Estado de Goiás, controlada pela família Caiado. Santa Luzia, por sua vez, era um município com importância histórica, política e econômica reconhecida. Portanto, não facilmente furtada de seus interesses e seus pleitos seriam levados a sério por governistas e oposicionistas.
Em 1912, o Congresso Estadual entendeu que, de acordo com o artigo 13 da Constituição do Estado de Goiás, seria proibido que se alterasse a revelia as divisões territoriais por iniciativa de um ente e assim, vetou o avanço de Campo Formoso sobre o território entre os rios Piracanjuba e Corumbá, tendo a resolução o deferimento do presidente do Estado, Herculano Lobo.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Conflitos de Jurisdição entre Campo Formoso e Santa Luzia - PARTE V


Em 31 de janeiro de 1913, quando o padre espanhol Julião Calzada, vigário de Santa Cruz e encarregado na recém-criada Paróquia de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso, chegou de mais uma visita pastoral, foi surpreendido com uma carta remetida pelo vigário de Santa Luzia, Pe. Domingos Moraes de Sarmento. A correspondência o proibia de ministrar os sacramentos e de fazer o trabalho pastoral na região entre os rios Corumbá e Piracanjuba.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Conflitos de Jurisdição entre Campo Formoso e Santa Luzia - PARTE IV

Depois da decisão da justiça estadual de Goiás em dezembro de 1910, os trâmites referentes às questões territoriais entre Campo Formoso e Santa Luzia entre os anos de 1911 e 1913 no Congresso Estadual foram bastante conturbados, onde cada decisão atingia de forma positiva ou negativa os interesses dos entes. Continuaremos a seguir tratando do desenrolar deste assunto no Congresso e a sua repercussão, especialmente junto às partes envolvidas.
Na 24ª sessão ordinária na Câmara dos Deputados, em 04 de julho de 1911, a Comissão Civil e Judiciária deu pareceres para que fossem adotados e discutidos os autógrafos de número 4 e 5 do Senado, o primeiro sobre os limites entre Campo Formoso e Santa Luzia. Os pareceres foram aprovados quase que em sua integralidade no plenário[1].