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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Uma jornada coletiva pelo transplante pulmonar

Nesta data de 30 de agosto em que completamos um ano de estadia em Porto Alegre, tenho certeza que tudo foi possível até agora pelo apoio da comunidade, amigos, familiares e até desconhecidos, que através de campanhas colaboraram financeiramente, mas também contamos com o apoio do poder público municipal com transporte, oxigênio e equipamentos, além do esforço de pessoas que permitiram viabilizar e garantir que as coisas acontecessem.
Em setembro/2021, as pneumologistas Flávia Velasco e Ana Cecília, do HC/UFG, deram os primeiros encaminhamentos para que meu nome fosse enviado a Central de Transplantes de Goiás e posteriormente à Central Nacional. No início de dezembro daquele ano tive a primeira consulta na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Depois vieram ao longo de 2022 outras consultas e exames, realizados em Porto Alegre e Goiânia, sempre deslocando a partir de Orizona/GO.
No final da tarde de 05 de agosto de 2022, recebemos a notícia tão esperada: a informação que eu tinha sido incluído na lista de espera de transplante pulmonar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Agora seria momento de preparar a mudança para a capital gaúcha. Decidimos que as crianças iriam conosco, apesar de algumas objeções. Hoje, imagino o que seria de nós se não estivéssemos juntos nesta jornada insana. Minha mãe Neusa Rosa também decidiu mudar conosco e isso foi muito bom.
Nos dias seguintes foi a preparação para a viagem. Não levaríamos mudança e tudo que precisávamos deveria caber em seis malas de viagem. Em Porto Alegre, a comadre Saraí Brixner e o compadre Isnar Borges viabilizaram um bom apartamento e com preço razoável bem próximo a Santa Casa. Outro fator que facilitou ou a incrível capacidade de comunicação e diálogo da Iara, que conheceu muitas pessoas que estavam envolvidas no processo do transplante, permitindo que muitas dúvidas fossem sanadas na medida que surgiam.
Entre os dias 05 e 30 de agosto, continuaram as minhas idas em Goiânia para consultas e de forma muito intensa. Sempre era acompanhado por minha mãe, pelo meu pai João Bosco e pela Iara. Vários foram os condutores de ambulância que me levavam: Joaquim Júnior, Elpídio Neto, Nivaldo e Rildo. Era uma jornada muito árdua, dadas as minhas condições clínicas.
O vereador Rivadávia Jayme nos auxiliou em demandas junto ao prefeito Felipe Dias, assim como precisamos do apoio do Ministério Público, mas junto ao prefeito e aos secretários de Saúde e Finanças atuais, o apoio foi viabilizado sem muitas dificuldades. Da gestão municipal anterior posso dizer o mesmo. Sempre houve grande sensibilidade para meu caso. Sobre as profissionais de saúde de Orizona, somos muito gratos a fisioterapeuta Cintia Aparecida de Sousa e a psicóloga Adriana Ribeiro Jayme, pelo cuidado que tiveram no meu tratamento. Cíntia cuidou da minha reabilitação pulmonar e Adriana ajudou a preparar toda a família para momentos muito desafiadores que estavam por vir.
Enquanto preparávamos a mudança, recebemos muitas e agradáveis visitas. No dia 14 de agosto, por exemplo, recebemos os amigos e companheiros da família dominicana: o frade José Fernandes Alves, as irmãs dominicanas da comunidade de Orizona, a irmã Maria Irenilda Pitombeira, a Maria Nazaré, secretária da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil junto com sua filha Bruna Carvalho. Na oportunidade rezamos o Ofício dos Enfermos e foi nos feito o envio.
Também recebemos na tarde de 19 de agosto, os amigos e colegas de trabalho da Escola Família Agrícola de Orizona e diretoria do Centro Social Rural de Orizona. Também recebemos o padre Joel Gomes Martins de Souza, administrador da paróquia Nossa Senhora da Piedade de Orizona, que celebrou conosco, me deu a unção dos enfermos e enviou nossa família para esse desafio. Também esteve conosco a Srta. Bernadete Silva, uma pessoa muito querida, a colega e amiga Ana Lucia Pereira Coelho, comadre Viviane, o afilhado Gabriel e o amigo Altamiro Fernandes de Castro. Em outras ocasiões recebemos as integrantes da Pastoral da Criança, o sr. Rivadávia Jayme, o sr. Benedito Gonçalves, Zilmar Ramos e sua mãe Abadia e diversos familiares, entre eles o compadre e cunhado Paulo Eduardo e família, que vivem em Gurupi/TO.
Momentos fortes que tivemos foram os da campanha que a comunidade orizonense e de outros municípios realizou para nos ajudar nas despesas nesta nova jornada. Seja pela generosidade com apoio financeiro, seja com orações intensas, milhares de pessoas, das mais diversas denominações religiosas, foram fundamentais durante todo esse processo. Destaco em especial o apoio de grupos (Pastoral Familiar, Pastoral da Criança, Apostolado da Oração, CEBI) da Igreja Católica e integrantes da Igreja de Cristo Ministério Nova Terra de Orizona. Também lembro do papel do Centro Social/ EFAORI, de associados do Sindicato Rural de Orizona, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Cresol. Mas a solidariedade vai muito além daí.
Na véspera do dia 30 de agosto de 2022, Iara teve pouco tempo para dormir. No dia da viagem, padrinho Antônio Baiano em seu veículo particular e o motorista da secretaria municipal de Saúde, Joaquim Júnior, na ambulância, nos levaram até o Aeroporto Internacional Santa Genoveva de Goiânia. Saímos de Orizona por volta das 6 horas. Em Goiânia, Frei José Fernandes Alves nos esperava. Júnior e José Fernandes nos apoiaram até subirmos para o embarque. O check-in foi bastante demorado e o oxigênio do concentrador ficou pouco. Confesso que ali já estava bastante cansado.
A primeira etapa do voo, de Goiânia/GO a Congonhas/SP foi o primeiro da vida do Francisco. Mamãe, Antonio e Dandara também não viajavam de avião havia um bom tempo. Fomos em um Airbus A320 da Latam. Quando pousamos em São Paulo e fui descer da aeronave, passei mal com falta de ar (nem foi tão forte), mas as comissárias trouxeram equipamentos de primeiros socorros, acionaram médicos a bordo e os socorristas do aeroporto. Nessas horas sempre aparecem uma porção de pessoas se dizendo médicos, mas que não sabem proceder muito na situação, porque não conhecem o histórico do paciente. E o grande número de pessoas ao meu redor só prejudicou a minha ventilação.
Fui levado por uma equipe de socorrista para o Centro Médico do aeroporto, fazendo com que perdêssemos o voo e os próximos que saíram para Porto Alegre. Fiquei no Centro Médico boa parte da tarde e a família de ‘castigo’ e sentindo frio. Só pegamos o voo de 17:50h, também em um Airbus A320 da Latam. As bagagens haviam sido despachadas para Porto Alegre no voo previsto das 13 h e as encontramos nos esperando no Aeroporto Salgado Filho.
Chegamos à noite em Porto Alegre e pegamos dois táxis e fomos para a Pousada & Hostel Bahia, no Centro Histórico, onde ficaremos hospedados até encaminhar a documentação, a ligação da energia elétrica e a compra da mobília do apartamento que alugamos. Mamãe e Iara ainda saíram para comprar comida, pois alguns de nós estavam inclusive sem almoço. E a espera foi grande. O hostel era muito desconfortável e ficamos amontoados em um quarto com direito a uso de um banheiro. Foram dias frios e úmidos.
No dia 02 de setembro, dada as condições que estávamos, a Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul nos emprestou um apartamento no 10º andar da Galeria Santa Catharina. A entidade é proprietária do apartamento que alugamos no mesmo prédio. No dia 05 de setembro o apartamento foi liberado e finalmente iniciamos a mudança para o 16º andar. Nessa altura, Iara conseguiu matricular Dandara e Antonio em um colégio bastante distante, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Uruguay, no bairro Moinho dos Ventos, e aguardava vaga para o Francisco na Escola Jardim de Praça Meu Amiguinho, da rede municipal (escolas excelentes), que foi autorizada posteriormente.
Daí em diante foi o início de uma nova jornada pelo transplante, que durou 09 meses e 16 dias, até o chamado. Mas ninguém pensou que seria fácil, pois nestes cinco anos de tratamento, tudo foi muito desafiador, mas mesmo com minhas crises de ansiedade, medo e insegurança, seguimos firmes rumo ao propósito maior, graças especialmente a Iara, mamãe, as crianças, papai, minhas irmãs e diversos familiares e amigos, que sempre enviaram palavras de ânimo, orações e boas energias, mesmo a distância.
O que aconteceu depois, falaremos em uma outra oportunidade.
ANSELMO PEREIRA DE LIMA

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Orizona no conturbado período da Primeira República (1889-1930)

Em 15 de novembro de 1889 foi dado um golpe de Estado, em que o Império foi substituído pela República, construída no Brasil com bases positivistas, mas ainda vinculadas ao escravismo. A queda deste último foi o principal responsável pela deposição de D. Pedro II.
O período entre 1889 e 1930 foi um difícil e conturbado tempo de transição política, em que a República precisava, aos olhos de seus defensores, se consolidar. Foi, portanto, um rio de corredeiras, cercado por duas margens golpistas (em 1930 foi o golpe de Getúlio Vargas). Essa época ficou conhecida como República Velha, Primeira República ou República “Café com Leite”.
Para sustentar a República, os governantes utilizavam da força das lideranças locais para ganhar votos em troca de favores. Essas lideranças eram os coronéis, grandes proprietários de terra, cercados de agregados e de pessoas que lhes deviam favores. Foi um período de muita corrupção, compra de votos, ameaças, atos truculentos e conflitos entre grupos opostos. Campo Formoso (Orizona) surgiu formalmente nesta realidade onde se consolidava o coronelismo.
Primeiramente se tornou distrito de paz e policial de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso em 1891, na aurora da República. Em 1906, veio a ser vila e em 1909, elevada a cidade. Em todas essas ações, desde a segunda metade do século XVIII, dominou-se o papel dos grandes fazendeiros e da Igreja Católica, que em momentos agiram de forma favorável e em outros, prejudicaram o desenvolvimento local.
Campo Formoso ou Correas começou a emergir por volta de 1850, na ocasião em que surgia a Lei de Terras, que dava ao pároco ainda mais poderes, pois era aquele que fazia papel de juiz ou tabelião, tomando nota e fazendo os registros de declarações dos proprietários rurais, de suas posses territoriais. Contudo, essa lei dava àqueles a possibilidade de ampliar o poder, declarando sobre aquilo que de fato não possuíam. Isso fez com que os proprietários, já poderosos, tornassem ainda mais influentes. Era uma época de muito atraso e isolamento. Parecia que a paisagem trágica do Cerrado havia abraçado os viventes e os transformado em partes dela. Se na capital da Província o isolamento e o atraso eram terríveis, imaginem ali.
Entre os anos de 1856 e 1890, o vigário Antonio Luis Bras Prego foi o responsável pela grande freguesia de Santa Cruz. Além de sua atuação pastoral, também exerceu cargos políticos na vila e possivelmente foi a pessoa que mais tinha influência na região. Foi sucedido por Gomes Pereira da Silva, que seguiu o mesmo caminho e teve papel importante, ao lado dos comerciantes e agropecuaristas mais influentes, no processo de emancipação política de Campo Formoso, na instalação do Conselho de Intendência e na elevação a freguesia (paróquia) de Nossa Senhora da Piedade de Campo Formoso em 1912.
Os principais coronéis da época foram em maioria, vindo das famílias tradicionais: o mais influente e poderoso foi José da Costa Pereira Sobrinho (Cel. José da Costa), falecido em 1913, passando o “bastão” para seu filho José da Costa Pereira (Zequinha), que acumulou muitas forças políticas nas décadas seguintes. Se o pai foi o primeiro intendente de Campo Formoso, o filho foi prefeito e senador da República.
Seu rival era o Coronel Zacarias Gonçalves Caixeta, que tinha a sua sede na fazenda Boa Vista, onde posteriormente surgiu o povoado da Beira, e desejava a mesma ascensão. Dizia a lenda que Zacarias “mandava e não perdia”. Em seu desfavor estava o fato que José da Costa tinha as suas terras ao redor da cidade e ele, entre o Corumbá e o Piracanjuba. Assim, tinha menos força junto a seus pares mais influentes do que Costa e estava mais distante.
Com grande poderio, nasceu e viveu na região da Firmeza, filho do Cap. Joaquim Fernandes de Castro e Maria Rosa do Carmo, Jeremias Fernandes de Castro foi grande proprietário de terras em muitas regiões e com muita força política no início do século XX: foi intendente e membro do Conselho de Intendência, juiz municipal e fabriqueiro da paróquia. Seus irmãos José e Modesto, principalmente, também tinham grande ascensão na época.
Seu sobrinho e afilhado Rodolpho Fernandes de Castro, filho de José Fernandes de Castro e Maria Silvéria de Castro, foi seu herdeiro político e econômico. Sua sede ficava na fazenda Retiro, na Mata da Firmeza, mas era proprietário de outras mais. Atuou politicamente, sendo vereador, membro do conselho de Intendência e prefeito de Orizona.
No período da Primeira República, as disputas entre o grupo Caiadista e Bulhonista e a conduta das lideranças locais fez com que a ferrovia fosse desviada por 12 quilômetros do perímetro de Campo Formoso. Os trilhos chegaram em Ubatã em 1923 e a cidade não colheu os esperados frutos do desenvolvimento.
De forma semelhante e até mais grave, Santa Cruz viu os trilhos sendo desviados e foi quem pagou mais caro. As cidades ‘banhadas’ pelos trilhos, por outro lado, viu a pujança chegar e permanecer por décadas. Campo Formoso não: se o crescimento econômico antes não era grande coisa, depois muito menos. Ubatã também não se aproveitou disso. Foi um dos únicos povoamentos da região que não se desenvolveu. Seria mais uma para a conta dos coronéis e da Igreja? Não sei. Até tentaram transformar o povoado em sede do município, mas isso não surtiu efeito, também por questões de disputas políticas.
Alguns defendem ainda hoje que o desvio da ferrovia para longe de Campo Formoso ocorreu por necessidade e que estava previsto no projeto de engenharia. Mesmo que isso fosse verdade, era preciso a ação contundente das lideranças locais, da mesma forma que assim fizeram em outros momentos históricos. Foram decisões que impactaram em um século (por enquanto) o futuro de Orizona. Apesar de fatos como esse, os chamados coronéis em muito contribuíram para a região, mas o papel de donatários municipais por alguns políticos, mesmo hoje, em outros tempos, faz com que quem concentra o poder veja a prejudicar toda uma comunidade.
Para encerrar, sugiro a leitura da dissertação “ A Invenção de Uma Cidade à Margem da Modernidade, 1889 –1930”(2016), do pesquisador Jennydavison Ribeiro Santos Batista. O trabalho historiográfico apresentados a Universidade Federal de Uberlândia é um dos melhores a respeito de Orizona. Está disponível na internet.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Curiosidades históricas de Orizona e Região - I

Efeméride pode ser um acontecimento relevante que é lembrado em seu aniversário. Os eventos que, por suas características, permanecem na história e são lembrados com o passar do tempo, constituem efemérides. Também se chama efemérides à celebração desses aniversários e ao comentário orientado para os acontecimentos de cada jornada.
O que pretendemos aqui pode ser algo parecido. Visamos registrar fatos históricos e acontecimentos de instituições, pessoas e famílias (batizado, nascimento, casamento e óbito) de pessoas que viveram em Orizona em regiões adjacentes nas últimas duas décadas ou mais. Por sua extensão, dividiremos essa história em mais de um texto, para não ficar muito extenso. Evitaremos citar fatos conhecidos ou já publicados, mas isso não é uma regra.
Nesse primeiro texto faremos referências a moradores de Santa Cruz, Campo Formoso (Orizona), Pires do Rio, Vai-Vem (Ipameri), Catalão, Santa Luzia (Luziânia), Morro Alto (Piracanjuba), Vila Bela (Morrinhos) Bela Vista e Bonfim (Silvânia). Também só traremos acontecimentos do século XIX.

01/01/1834 – Faleceu na freguesia de Santa Cruz, Manoel Mendes do Valle, morador de região onde é hoje o município de Orizona.

11/01/1899 – Nasceu em Bela Vista, Egerinêo Teixeira, filho de Epinona Marques de Motta e Brasilino Roque Teixeira. Foi um combativo jornalista e prefeito de Campo Formoso.

18/01/1898 – Faleceu Antonio Fernandes de Castro, esposo de Cassiana da Cunha Telles e filho de Joaquim Fernandes de Castro e Maria Rosa do Carmo. A sede de suas propriedades estava localizada na fazenda Pontinhas.

29/01/1837 – Se casaram na Igreja Matriz de Santa Cruz, o lavrador Antonio de Sousa Bastos (filho de Ignácio de Sousa Bastos e Marcellina Maria de Jesus), 21 anos, batizado na capela de Nossa Senhora do Carmo, em Araxá-MG), e Izabel Maria da Conceição (filha de Francisco Pereira e Maria Jozefa de Jesus), 18 anos, natural e batizada na Matriz de Piumhi, bispado de Mariana-MG.

31/03/1883 – Faleceu o Capitão Joaquim Fernandes de Castro, esposo de Maria Rosa do Carmo e morador da Fazenda Firmeza, filho de Luiz Fernandes de Castro e Ana Felizarda da Conceição.

26/04/1843 – Na Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, em Patrocínio-MG, receberam o matrimônio Florentino Vieira do Nascimento, lavrador, filho de Manoel Vieira da Motta e sua mulher Thereza Maria do Espírito Santo (falecida), naturais de Patrocínio-MG, com Maria Joanna de Jesus, 14 anos, filha de Manoel Pereira Cardoso (falecido) e de Justa Zeferina de Jesus, batizada na mesma freguesia. Celebrou o padre José Ferreira Estrella.

22/05/1839 – Foi batizado na Igreja Matriz de Santa Cruz, Ignácio, filho de José Archanjo Correa e Angela Pereira de Faria. Eram moradores da Fazenda Santa Bárbara. Foram padrinhos, José Francisco Correa e Thomásia Ribeiro de Jesus. A criança nasceu em 01/02/1839. Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

22/05/1845 – Batizou a Vicente, filho natural de Rita Angola, escrava de Francisco Pereira Cardoso. Foram padrinhos, Raimundo José Leão e Maria Gonçalves. A criança nasceu em 22/01/1845. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo.

22/05/1845 – Foi batizada na Capela de Nossa Senhora do Rosário, Santa Cruz, Carolina, filha de Francisco Pereira Cardoso e Anna Maria de Jesus. Foram padrinhos Manoel Mendes do Valle e Antonia Joaquina do Nascimento. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. A criança nasceu em 05 de março de 1845.

24/05/1833 – faleceu Bartholomeu Bueno de Câmara, descendente do Anhanguera, casado com Mariana Joaquina e morador do porto do Corumbá, em Santa Cruz.

25/05/1825 – Casaram em Santa Cruz, pelas 4 horas da tarde, Jozé Vaz da Costa (filho de Francisco Vaz da Costa e Ignácia Maria dos Santos), naturais de Araxá-MG, com Maria Roza Alves (filha de Francisco Alves de Magalhães e Tereza Tavares da Silva). Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

25/05/1836 – Se casaram na Igreja Matriz de Santa Cruz, Joaquim José Pinheiro (filho do Cap. Francisco José Pinheiro e Ana Maria Teixeira), naturais de Patrocínio-MG e moradores de Morro Alto, e Bárbara Maria Dias (filha de Jozé Dias de Andrade e Joaquina Constância de Jesus), naturais de São Brás de Alcântara-MG. Celebrou o vigário Antonio Joaquim Teixeira.

26/05/1844 – faleceu aos 64 anos o vigário colado Antonio Joaquim Teixeira, também conhecido como Provedor Teixeira. Foram muitos os serviços prestados à freguesia de Santa Cruz. Na região do atual município de Orizona, foram muitas as desobrigas realizadas e os sacramentos administrados nas fazendas. Foi sepultado na matriz de Santa Cruz.

28/05/1825 – faleceu Maria da Paixão Solidade, casada com o Capitão Vicente Miguel da Silva, importante pioneiro de Bonfim.

02/06/1844 – faleceu em Bonfim o sargento-mor Caetano Teixeira Sampaio, casado com Maria Nunes e filho do Capitão Caetano Teixeira Sampaio, um dos mais importantes cidadãos daquela vila.

04/06/1823 – O marechal Raymundo José da Cunha Mattos, comandante das Armas, a caminho de Villa Boa, capital da província, pernoitou no sítio do Baú, da senhora Maria da Luz.

05/06/1840 – No sítio Santa Bárbara, Santa Cruz, pelas 10 horas da manhã, na presença do padre Antonio Ferreira de Lima, casaram Antonio Correa Peres, 24 anos, filho legítimo de Jozé Correa Peres e Anna Joaquina do Espírito Santo, natural de Santana da Barra do Espírito Santo-MG; e Anna Joaquina do Espírito Santo, 22 anos, filha de José Antonio de Mello e Custódia Maria de Jesus, natural de São Francisco de Paula-MG.

06/06/1850 – faleceu Thereza de Jesus, esposa de Manoel Gonçalves Pereira, sepultada na Capela do Rosário, em Santa Cruz.

13/06/1831 – Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Santa Cruz, casaram Jozé Mendes de Assumpção, filho de Manoel Mendes do Valle e Venância Rodrigues da Silveira, naturais de Araxá-MG, e Anna Esmeria de Jesus, filha de Joaquim Rodrigues do Nascimento (falecido) e Jacintha Maria do Espírito Santo. Celebrou o Provedor Teixeira. Essas famílias viviam em regiões próximas ao córrego do Baú, Areias e onde hoje é o povoado de Montes Claros.

29/06/1838 – Batizou na fazenda Macaúba, em Santa Cruz, a Maria, filha do Ten. Jacintho Pereira Cardoso e de Anna Roza da Conceição. Foram padrinhos o padre Antonio Joaquim Teixeira (celebrante) e Maria Roza de Jesus (filha de Jacintho).

30/06/1838 – Se casaram em Santa Cruz, o agricultor Francisco Pereira Cardoso (filho de Jacintho Pereira Cardoso e Joaquina Rosa de Jesus - falecida), 20 anos, com Anna Maria de Jesus (filha de Jozé Affonso da Silva e Joaquina Rosa de Jesus), 20 anos, sendo os noivos naturais da freguesia de Araxá-MG (ele, em Patrocínio). Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

07/07/1895 – Nasceu em Leme/SP, Raphael Leme Franco, conceituado médico de Campo Formoso por mais de cinco décadas. Foi poeta e cronista em vários jornais.

17/07/1848 – Casou por palavra Bento Correa Peres, viúvo de Teodora Ribeiro de Jesus, com Rita Ferreira da Silva, filha de Francisco Ferreira da Silva e Maria Ribeiro de Jesus. Celebrou o padre Antonio Francisco Nascimento.

23/07/1862 – O alferes José Pereira Cardoso e a esposa Anna Luíza da Cunha foram padrinhos de uma criança de nome José, filho de José Vieira da Cunha e Lucinda Maria da Cunha, moradores da fazenda Burity do Córrego Fundo, em Santa Luzia. O sacramento foi dado pelo vigário de Santa Cruz Antonio Luis Brás Prego com autorização do vigário de Santa Luzia.

09/08/1876 – Pela Resolução Estadual nº 570, foram as transferidas as regiões de Firmeza e Campo Aberto de Santa Cruz para Bonfim.

10/08/1828 – Casaram em Santa Cruz, os irmãos Ignácio Correa Peres e Anna Joaquina do Espírito Santo (filhos de Jozé Correa Peres e Maria Joaquina de Jesus), naturais de Santana da Barra do Espírito Santo (distrito de Patos de Minas) e moradores da fazenda Santa Bárbara; com os irmãos Belizária Maria de Jesus e Joaquim Alves Cabral (filhos de Francisco Alves Cabral e Maria Roza de Jesus), respectivamente, naturais de Araxá-MG e moradores da Fazenda Areias.

11/08/1890 – Faleceu na Fazenda Firmeza do José Pereira Cardoso Primo, esposo de Escolástica Maria do Carmo, filho Manoel Pereira Cardoso e Justa Zeferina da Conceição e genro do Cap. Joaquim Fernandes de Castro.

23/08/1873 – Criadas as Comarcas de Santa Cruz e do Rio Tocantins. A comarca de Santa Cruz passava a ser composta pelas vilas Bella de Morrinhos e Santa Cruz, desmembrando as comarcas do Rio Paranahyba (Catalão, Calaças, Santo Antonio do Rio Verde e Itumbiara) e do Rio Corumbá (Bonfim, Bela Vista e Campinas).

02/09/1844 – Às 7 horas, na Fazenda Firmeza, em Santa Cruz, casaram Manoel Pereira Cardoso, filho legítimo do finado Manoel Pereira Cardoso com a sua esposa Justa Zeferina de Jesus; e Anna Carolina de Jesus, filha legítima de Joaquim Fernandes de Castro e de Justa Maria do Carmo (falecida na data). Celebrou o padre Antonio Joaquim Araújo de Mello.

14/09/1880 – Nasceu em Campo Formoso, Olímpio Pereira Cardoso, filho do Capitão José Pereira Cardoso e de Maria Vieira d’Abbadia.

15/09/1891 – Cidadãos enviam abaixo-assinado ao presidente do Partido Republicano Federal, cônego Inácio Xavier da Silva, agradecendo pelo empenho que permitiu a elevação do vilarejo dos Correas a Distrito de Paz e Policial de Campo Formoso.

22/09/1888 – Faleceu em sua residência, na Fazenda Cuiabanos, a Sra. Ana Angélica de Jesus, esposa de Albino Fernandes de Oliveira.

27/09/1829 – Casou em Santa Cruz, João Teixeira Sampaio, filho do Cap. Caetano Teixeira Sampaio e de Anna Neto da Costa, com Marianna Alves Rodrigues, filha do Alferes José Alves Rodrigues e de Josefa Fagundes de Faria. Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

08/10/1848 – Na Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Cruz, na presença das testemunhas Antonio Rodrigues do Nascimento e Manoel Pereira Cardoso e do vigário Antonio Francisco do Nascimento, receberam o matrimônio Jacintho Pereira Cardoso Júnior (filho de Jacintho Pereira Cardoso e Joaquina Rosa de Jesus), e Balbina Maria de Jesus (filha de Fulgêncio de Sousa França e Rita Maria de Jesus).

28/10/1845 – Foi batizado na Fazenda Firmeza, José Fernandes de Castro (Zeca Fernandes), filho legítimo de Joaquim Fernandes de Castro e Maria Rosa do Carmo. Foram padrinhos Vicente Fernandes de Castro e Ana Rosa da Conceição. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. O mesmo nasceu em 21 de setembro de 1845.

28/10/1845 - Foi batizado na Fazenda Cachoeira, atualmente Orizona, Joaquim, filho legítimo de Manoel Gonçalves Pereira e Maria Joaquina Silveira. Foram padrinhos Manoel Pereira Cardoso e Anna Carolina de Jesus. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. O mesmo nasceu em 05 de outubro de 1845.

28/10/1845 – Batizou-se na fazenda Cachoeira, a João, filho de Marianna Parda, escrava de José Gonçalves Pinheiro (genro de Jacintho Pereira Cardoso). Foram padrinhos Manoel Pereira e Eufrásia Crioula. A criança nasceu em 23/08/1845. Celebrou o padre João Batista de Sousa Lobo.

08/11/1899 - Faleceu no distrito de Campo Formoso, o Cap. José Pereira Cardoso, pioneiro na região.

27/11/1826 – Casaram em Santa Cruz, João Antonio de Araújo Valle, filho do capitão-mor João Antonio de Araújo Valle e de D. Innocência Cândida de Menezes, naturais de Pitangui-MG, e Maria Luíza de Jesus, filha do capitão Francisco José Pinheiro e Anna Maria Teixeira, naturais de Patrocínio-MG. São antepassados do escritor Leo Lynce e fundadores de Morro Alto.

30/12/1848 – Batizou a Gabriel, filho de Luíza, escrava de Joaquim Fernandes de Castro. Foram padrinhos: Manoel Pereira Cardoso e Anna Carolina de Jesus. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo.

CONTINUA...

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

17 de julho de 1999: o dia que mudou as nossas vidas

O dia 17 de julho tem para mim um sentido muito especial. Primeiramente porque nasceu nesta data minha irmã Ionara Rosa de Lima, confidente e parceira de todas as horas. Depois, porque foi nesta data que perdi um breve e grande amigo: o Guilherme Pereira Machado. Foi em 1999, há mais de vinte e três anos.
Em 1999 foi o primeiro ano de funcionamento da Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI). A partir de articulações desde de 1997, lideradas por Antônio Pereira de Almeida (Baiano) e o professor João Batista Pereira de Queiroz, ambos da Comissão Pastoral da Terra, e de lideranças do Centro Social Rural de Orizona (entre essas destaco Manoel Ribeiro de Oliveira, Sebastião Fernandes de Oliveira e Francisco Pereira de Lima), resolveu-se colocar em funcionamento da escola naquele ano.
No intervalo desses dois anos, Baiano, Queiroz, as lideranças do Centro Social e educadoras como Aparecida Maria Fonseca e Luísa Maria Ribeiro Almeida fizeram um intenso trabalho de base por todo o município de Orizona, a fim de mobilizar a comunidade.
Com a parceria da Prefeitura Municipal de Orizona foi realizado o empréstimo da Escola Municipal Rio do Peixe. O prefeito era Anteres Vieira Pereira. Esse prédio estava inacabado e com pendências. A comunidade do Rio do Peixe não ficou satisfeita com a decisão da Prefeitura. Por isso, quando chegamos, uma das preocupações foi o relacionamento daqueles que ali viviam.
Depois de um mutirão, com a participação das famílias dos matriculados na EFAORI, para fazer algumas adequações no prédio, afinal a escola funcionaria por internato. Em 1ª de março de 1999 aconteceu a assembleia de abertura e a aula inaugural, em um dia muito chuvoso.
O tamanho da primeira turma variava, mas os que se estabeleceram no início foram 23 estudantes, de várias regiões de Orizona e Luziânia. Éramos uma turma rebelde, questionadora, tentando descobrir as possibilidades, mas muito comprometida com as atividades, principalmente as práticas, coordenadas pelo professor Felipe Antonio Dias (atual perfeito). A equipe de trabalho também era composta no primeiro ano por Francisco Pereira de Lima (Chiquinho), dona Maria do Dão (teve também a dona Rita), João Batista Queiroz (que assessorava a equipe pedagógica), Aparecida Fonseca, Luisa Ribeiro Almeida, Lúcia Claret Pereira e Antônio Baiano.
Ao final do primeiro semestre, aconteceu assembleia com as famílias, algo que acontece ainda hoje. Nessa altura, a turma tinha superado a maioria das diferenças e éramos um grupo bastante unido. O Guilherme, ao final da assembleia e do almoço coletivo, quando se despediu de meu pai João Bosco de Lima, disse:
- Nos vemos em agosto - contudo, isso não aconteceu.
Éramos em 1999 uma turma muito animada, que ‘pegava pra valer’ nas atividades práticas e jogávamos futebol, ora na quadra de cimento, ora no campo de futebol do Rio do Peixe. Também tinham as partidas de truco com vários praticantes e as rodas de violão com o Fábio Borges.
Dormíamos todos os homens em uma sala de aula improvisada para ser dormitório. Chegamos a pernoitar 20 jovens no mesmo quarto. As meninas, que eram três, dormiam em outra sala, com a monitora da noite. Quando deitávamos as 22 horas, sempre aguardávamos chegar por volta das 23 horas acordados, quando o Guilherme sempre conversava enquanto dormia. No outro dia, inventávamos um monte de mentiras sobre o que teria dito em seu sonambulismo.
No final de junho, saímos para as primeiras férias, cada qual para a sua propriedade rural, em localidades espalhadas pelo município de Orizona e também em Luziânia. Boa parte vivia na região do Buritizinho. Guilherme era um desses. Morava com a família no Mandaguaí, município de Luziânia. Também mantinham uma propriedade rural na região do Piracanjuba, próximo a Maniratuba. Guilherme era, apesar da juventude, um homem maduro e robusto, inteligente, bom jogador de futebol, cheio de amigos e querido pelas garotas.
Na tarde do dia 17 de julho, como de costume, Guilherme e seu irmão mais novo Ernane transitavam entre as duas propriedades e próximo ao distrito de Maniratuba se chocaram frontalmente com outro veículo. Acidente frontais geralmente são terríveis.
Como de costume, naquele final de tarde eu jogava futebol no campinho da nossa comunidade na região da Firmeza, construído na propriedade do Ramos de Sousa. Por acaso, tive um mal-estar, que me deixou com as ‘pernas bambas’, a ponto de ter que me sentar, algo muito anormal para alguém de 15 anos, com a forma física e saúde em dia. Pouco tempo depois, o Chiquinho, que também era da comunidade, veio e avisou ao Máximo de Castro e a mim sobre o ocorrido. Máximo era o único colega da mesma comunidade que eu.
No outro dia fomos para o velório, na propriedade da família, na região do Mandaguaí. Era impossível pior impressão: o velório foi de uma dor terrível. Era desesperadora a situação da família, que via no caixão o corpo de um filho, sobrinho, cunhado, primo e irmão já desfalecido, e ainda tinham que se preocupar o estado gravíssimo de saúde do Ernane, que era mais ou menos da minha idade.
A comunidade EFAORI, que ainda era pequena, compareceu integralmente. Não faltou nenhum dos colegas de sala, nenhum dos funcionários. Também foram várias famílias de estudantes, associados e diretores do Centro Social e parceiros da escola. Todos estiveram juntos e choraram ao lado da família, sem que ninguém arredasse o pé.
Depois do velório e da celebração na capela de Maniratuba, o plantaram no solo, no cemitério daquele distrito. Depois teve a missa de sétimo dia e o Ernane foi se recuperando, graças a Deus. Parece que inconscientemente ou secretamente, assumimos o compromisso de continuar a caminhada pelo Guilherme.
Acredito que, apesar de todo o processo de criação da EFA, aquela segunda quinzena de julho de 1999 foi a fundação definitiva da escola (claro que digo isso simbolicamento). Em agosto, estávamos todos de volta à escola do Rio do Peixe, sentindo aquele vazio, mas motivados a continuar aquele projeto, que não sabíamos onde iria chegar. Antônio Baiano comentou algumas vezes que aquele grave acontecimento uniu a turma de tal forma que permitiu a continuidade da EFA.
No segundo ano, adquirido com recursos da entidade belga SIMFR/ DISOP e da Prefeitura de Orizona, a escola passou a funcionar em terreno próprio, nas proximidades da cidade de Orizona, na antiga chácara do Miguelão. Ali, juntamente com outra turma e novos professores (César e José Augusto) e funcionários (José Francisco, Vasco e Maria Gomes), começamos novamente quase do zero. Depois vieram outras turmas, outros monitores, outros funcionários, outras famílias.
Em 22 de dezembro de 2001, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orizona, colamos grau e diplomamos os mesmos vinte colegas que retornaram em agosto de 1999:
- Adair José Pereira
- Alberto Caixeta de Sousa
- Amador José Caixeta Júnior
- André Alistor de Oliveira
- Anselmo Pereira de Lima
- Ernando da Silva Pereira
- Fabiano Peres
- Fábio Borges de Oliveira
- Fábio Sebastião de Lima
- Fernando Fernandes de Oliveira
- Ivan Carlos Caixeta
- João Flávio Caixeta
- Júlio César Caixeta
- Keila Maria Lúcio
- Mariana Correia
- Máximo de Castro
- Luciano Alves Ferreira
- Osmando Ferreira de Sousa
- Samuel Matias de Araújo
- Solange Pereira.
Em 2007, quando eu era professor/ monitor na EFAORI, outro fato parecido voltou a nos abalar numa manhã de segunda-feira, o estudante Maximiliano, enquanto seguia para a sessão escolar na EFA, se chocou com um caminhão e também faleceu. Mais uma vez a escola se uniu e enfrentou mais uma tragédia envolvendo estudantes. Depois daí, outros egressos se foram por problemas de saúde e nos deixaram um vazio muito grande: Lucas, Jozélio e Fabrício.
São mais de vinte e três anos desde a morte do Guilherme, a EFA segue o seu propósito, de formar cidadãos e cidadãs técnicos e técnicas em Agropecuária pela Pedagogia da Alternância. E se prepara para receber a 25ª turma em 2023, com uma demanda cada vez maior. E faz isso de forma muito competente, para orgulho daqueles e daquelas que pela EFA passaram e deram a sua parcela de contribuição e que por outro lado, receberam muito da escola.

NOTA 1: Em 2001, foi inaugurada a praça de esportes da Escola Família Agrícola de Orizona, com a presença da família do Guilherme e realização de torneios de futebol Society. Foi descerrada uma placa, dando o nome à praça de Guilherme Pereira Machado. Por uma necessidade de gestão, posteriormente a praça de esportes teve que ser transferida para outro local da escola.

NOTA 2: Por ter um caráter muito pessoal, peço perdão desde já, caso tenha ofendido ou contrariado alguém com esse texto. Afirmo que foi com a melhor das intenções que o escrevi e com o propósito também de homenagear um amigo e também a EFAORI.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A trajetória de Jacintho e a sua colaboração na formação da região do Taquaral

Temos em Orizona a tradição de chamarmos uma grande descendência familiar pelo nome de um antepassado comum. Daí, temos ‘os Jacintos’, ‘os Albinos’, ‘os Venâncios’, ‘os Lourenços’, entre outros, mesmo que a pessoa não tenha herdado o sobrenome. Neste texto, trataremos do antepassado comum de uma importante família do Taquaral, que se espalhou pelo município de Orizona: Jacintho Pereira Cardoso Júnior.
Jacintho Júnior nasceu em 1827 em Patrocínio, Minas Gerais, filho de Jacintho Pereira Cardoso e de Joaquina Rosa de Jesus, sendo que a mãe faleceu em 20 de maio de 1829. Era o irmão mais jovem do capitão José Pereira Cardoso (nomeado capitão da Guarda Nacional em 1883, lotado na 3ª companhia de Santa Cruz). Seu pai era filho de Manoel Pereira Cardoso e Ana Joaquina de Jesus e a mãe, filha de Antonio Gonçalves Pinheiro e Violante Antonia de Jesus.
A família paterna tinha origem na ilha de Açores, em Portugal e a materna, migrou de São Francisco de Paula para Patrocínio. Cabe aqui fazer referência a pesquisa do escritor e médico Fabrício Nunes, que publicou recentemente Fazenda Marinheiro – Orizona: uma viagem genealógica entre a Europa e os sertões do Brasil (2022), um trabalho primoroso que traz informações inéditas a respeito de algumas famílias. Em suas indagações em Patrocínio, contou com o apoio de Adeilson Batista, importante odontólogo e historiador. Em breve, traremos em parceria com o administrador de empresas e agropecuarista Jeová Vieira, mas informações interessantes sobre a história desta família, especialmente em Orizona.
Ficando órfão de mãe, Jacintho Jr teve o cuidado de mulheres escravizadas e da segunda esposa do pai, Anna Rosa da Conceição. Seu pai Jacintho, o tio Francisco, a tia Justa Zeferina e os irmãos Maria Roza de Jesus, Antonio e João Pereira Cardoso foram os pioneiros da família a ocupar o sertão de Santa Cruz, ainda na década de 1830. Jacintho, o pai, vivia em Vai-Vem (Ipameri), Francisco Pereira Cardoso na região da Cachoeira, a tia Justa, viúva de Manoel Pereira Cardoso Filho, tinha terras na Firmeza e Taquaral. O irmão João, Antonio e Maria viviam no Vai-Vem. O irmão Francisco (Chico Grosso) também foi para a Cachoeira e José Pereira Cardoso, apesar de não termos documentos sobre a sua chegada, estava casado com a primeira esposa e foi viver na região da Pedreira de Baixo, Santa Luzia (Luziânia). Depois, todos esses foram expandindo seus domínios para onde hoje é Orizona, num grande raio a partir da Cachoeira. Diferente do que se pensa, essas famílias mantiveram o vínculo com as comunidades de onde vieram (Minas Gerais) e tinham ali, propriedades e negócios.
Jacintho Júnior, mesmo antes da vida matrimonial, já possuía terras sob a sua responsabilidade. Da herança de seu pai, falecido antes de 1857, pelo menos parte foi vendida ao irmão Francisco. Parte de suas terras vieram também da herança junto ao sogro Fulgêncio de Sousa França, da região do Taquaral, falecido em 1856 (ver o blog Historiografia para Catalão).
Casou-se com Balbina Maria de Jesus, filha de Fulgêncio e Rita Maria de Jesus, na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Santa Cruz em 09 de outubro de 1848, tendo como celebrante o padre Antonio Francisco do Nascimento e padrinhos, Antonio Rodrigues do Nascimento e Manoel Pereira Cardoso. Do consórcio, tiveram os seguintes filhos:
1. Eduardo Pereira Cardoso, casado com Ana Vieira de Jesus; depois com Carolina Vieira de Jesus; e Theodora Maria de Jesus.
2. Nicolau Pereira Cardoso.
3. Zeferina Maria de Jesus, casada com Emídio Correa Peres.
4. Carolina Maria de Jesus, casada com Gabriel Pereira da Cunha.
5. Terêncio Pereira Cardoso, casado com Rosenda; e depois casado com Paula Francisca Piedade.
6. Antonio Pereira Cardoso.
Jacintho Júnior, além da atividade agropecuária, teve uma importante carreira política, representando os interesses de Campo Formoso ou Correia junto a Santa Cruz. Em 1866, no esforço da chamada Guerra do Paraguai, doou o dízimo, juntamente com outros produtores, para auxilio à Província de Goiás.
Em 1869, foi listado na seleta e restrita relação de votantes de Santa Cruz, que podiam se tornar vereadores. Em 1872, teve 79 votos em Santa Cruz enquanto candidato a deputado provincial, o sexto mais votado no colégio. Em 1873, foi nomeado terceiro suplente de juiz municipal e de órfãos, tendo prestado juramento à Câmara Municipal em 19 de junho daquele ano. Novamente foi nomeado para a função em 1876. A partir desta data, não temos registros a respeito de Jacintho.
Dentro da família de Jacintho, a maioria se dedicou a agricultura e aos cuidados domésticos. Eduardo era famoso carreiro e Terêncio, que herdou parte dos dons do pai, também se dedicou a política e ao serviço público, além de ter mantido uma pequena farmácia, sob orientação da tia Maria Vieira d’Abbadia, esposa do Cap. José Pereira. O povoado do Taquaral foi construído em área doada pela família de Eduardo Pereira Cardoso. Sua terceira esposa, Theodora, foi quem se encarregou de providenciar a transferência da documentação da área da Capela para a Paróquia Nossa Senhora da Piedade.
Taquaral é uma região que cresceu e se fortaleceu muito aos longos dos anos, graças a um forte espírito comunitário e associativista. Desde meados de 1770, quando foi aberta a picada de Santa Luzia a Bonfim (Silvânia), que corta a região, o povoamento aumentou e cresceu mais a partir dos anos de 1820, com a onda migratória de Minas Gerais para o sul de Goiás. Viajantes estrangeiros nas primeiras décadas do século XIX também passaram por ali e teve quem registrasse a respeito. O marechal Cunha Mattos, registra em seu diário de viagem que em 31 de agosto de 1823 dormiu na beira do ribeirão Santana e que, graças a um oficial contador de histórias presente em sua comitiva, teve muito medo. O mesmo contava que uma sucuri que maior não tivesse vivia por ali e atacava as pessoas, causando algumas vítimas.
Além dos descendentes de Fulgêncio e Jacintho, tempos também os que vieram depois de José Francisco Correa, Manoel Joaquim Bastos, Francisco Rodrigues Xavier, além de outras famílias que vieram para região e também contribuíram com a comunidade desde então. Por que não falar dos Cunhas, Vieiras, Oliveiras, Martins, Linos, Guimarães e muitos outros?

APÊNDICE POLÊMICO:
O sogro de Jacintho, Fulgêncio de Sousa França ou Fulgêncio Caetano de Sousa, veio de Itabira do Mato Dentro, em Minas Gerais. Instalado na região do Taquaral, tinha propriedades confrontantes com os Correas, os Barbosas, os Sousa Bastos e os Fernandes de Castro. Conforme registros dos padres Ramiro de Campo Meirelles e José Trindade da Fonseca e Silva, foi esse mesmo Fulgêncio que construiu inicialmente a capela, que foi doada por João Correa Peres.
Alguns estudiosos da história orizonense considera o Esboço Histórico da Paróquia N. Senhora da Piedade Orizona – Arq. De Sant´Ana – Goiaz (1945) descabido ao fazer essas afirmações, mas, depois de tanto buscar entre as traças, acredito que é o mais plausível. João Correa é uma figura muito presente na metade do século XIX em Santa Cruz e Capela dos Correas, assim como Antonio, José Arcângelo e Bento, todos filhos de Jozé Correia Peres, originários de Santa da Barra do Espírito Santo (Santana dos Patos), hoje distrito de Patos de Minas. Sobre Fulgêncio, não encontramos nenhuma informação, a não ser de Fulgêncio Correa Peres, filho de Zeferina Maria de Jesus e Emídio Correa Peres e portanto, bisneto do outro Fulgêncio (informação dada por José Correia a Jeová Vieira). Obviamente este viveu bem mais recentemente.
Esse impasse histórico inclusive foi citado em ORIZONA: CAMPO E CIDADE (2010), de Olímpio Pereira Neto.
Agradeço também às contribuições do amigo Paulo Sampaio, gestor da cultura em Pires do Rio, que nos disponibilizou informações importantes para esse texto.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

Foto: Nilsinho Vaz.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A minha relação e não-relação com o Cigarro

Na minha infância e primeira adolescência, em muito pouco convivi com pessoas fumantes. Vivendo na comunidade Estiva de Cima, vinculada à sede do povoado de Firmeza, em Orizona, não convivia com pessoas que tinham esse hábito, uma vez que o tabagismo era muito combatido naquela comunidade católica, organizada através de um núcleo das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base.
Naquela época, não existia nenhum fumante ali e apenas um dos viventes fumara na juventude, mas também tinha deixada o hábito e não cheguei a viver esse período. As poucas vezes com convivi com fumantes foi nas visitas a meu avô materno, que era adepto do cigarro, e na pouca convivência de alguns tios, mas que não me afetava. Também estava sujeito na convivência na escola secundária, nos jogos de futebol que ia sempre, nas saídas para outros povoados e para a cidade (eu não saia muito). Com o tempo e após conhecer os lugares, concluí que a média de fumantes em Orizona é inferior a outros lugares pelo qual passei, talvez pela consciência da população, adquirida através das CEBs, igrejas cristãs em geral e organizações civis, que realizaram campanhas ao longo dos anos com um propósito educativo.
Depois de concluir o Ensino Médio e Técnico em Agropecuária, fui viver em Urutai e fiquei mais exposto, pois eram muitos os colegas que apreciavam aquela droga lícita, mas posso dizer que nunca fui um fumante passivo em toda a minha vida, uma vez que era só sentir a fumaça do cigarro e logo saía de perto, pois me incomodava muito.
A partir do final de julho de 2018, por problemas pulmonares, fui percebendo que tinha alguma doença pulmonar crônica. Em todas as consultas e exames que fui, quando o/a profissional de saúde me atendia pela primeira vez, era (e é) feita sempre a mesma pergunta:
- Você é fumante? Vive com alguém que fuma?
Outras perguntas, pelo diagnóstico de Pneumonite de Hipersensibilidade, também aconteciam algumas: se eu trabalhava em mina de carvão; se eu trabalhava em olaria; se tinha contato com mofo; se em minha casa tinha pássaros como pombos e calopsitas. Tirando o mofo que é difícil de controlar, todas as hipóteses eram descartadas, mas os questionamentos sobre o tabagismo eram inevitáveis.
Não entendo, mesmo sabendo os motivos, que o cigarro comum seja considerado uma droga lícita. São diversas as substâncias tóxicas presentes, que se fossem isoladas e consumidas em maior quantidade, seriam letais em uma única vez de consumo. Portanto, a morte é parcelada em ‘doses homeopáticas’ e provavelmente a vida dos usuários será abreviada por doenças pulmonares, cardiovasculares ou por alguma espécie de câncer.
Se não convivi com tabagistas até a minha adolescência, isso passou a ser comum na vida adulta. Obviamente que para quem vive em qualquer cidade, essa convivência é inevitável, mas passei a viver ao lado de vítimas do produto: em minha família, vi meu avô vir definhando a ter a sua vida tomada pelas consequências do consumo, apesar de ainda poder experimentar uma vida longa. Na família de minha esposa, também convivi com usuários.
Relatei tudo isso para comentar sobre o impressionante consumo do cigarro de nicotina que é possível observar em Porto Alegre, principalmente entre pessoas com idade abaixo de quarenta anos. E é um consumo generalizado, em classes sociais diferentes, entre as mais diferentes correntes ideológicas e níveis de instrução. No século XXI, começou-se a retomar as práticas incentivas pelo cinema nos anos de 1940.
Hoje, além do cigarro comum, temos os cigarros eletrônicos, narguilés e outros, inclusive drogas ilícitas, que tem em comum, além de proporcionar a dependência química, o risco iminente de doenças graves e de mortes, tanto entre consumidores, quanto em pequenos agricultores que cultivam o tabaco para sobrevivência e enfrentam sérias doenças por conta da atividade, muito comum no Sul do Brasil. Os dados oficiais indicam uma redução significativa no consumo desde 2006 a 2021, quando caiu de 15,7 para 9,1% dos brasileiros em idade adulta, sendo que o público masculino é o maior consumidor (Vitegel Brasil). Em 2015, foram gastos no Brasil, aproximadamente 26,3 bilhões de reais no tratamento de doenças pulmonares e cardiovasculares relacionadas direta ou indiretamente ao consumo de cigarro.
Para quem luta pela sobrevivência diariamente e vê tantas pessoas tentando se manter vivas frente a doenças pulmonares, corre-se o risco de ser preconceituoso às vítimas do vício, mas é um exercício que tenho feito no sentido de evitar julgar os fumantes. Mas nem todos tem a mesma ‘paciência’ que eu. Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, muitos pacientes, acompanhantes e funcionários (inclusive da pneumologia e transplante pulmonar), deixam os hospitais para fumarem nas praças. Um dia desses, enquanto fazia a reabilitação pulmonar, a fisioterapeuta, olhando pelas enormes vidraças da sala, me disse:
- Está vendo o quanto as pessoas fumam aqui? Logo estarão aqui dentro procurando socorro, lutando pra não morrer!
O cirurgião torácico José de Jesus Peixoto Camargo, o primeiro a realizar transplante pulmonar na América Latina, em 16 de maio de 1989, o fez com um jovem agricultor de Santa Catarina, que tinha na época, 27 anos de idade, e conta que era fumante e sofria com um enfisema pulmonar. A cirurgia foi um sucesso, mas depois de algum tempo, o mesmo voltou a fumar e não sobreviveu, mesmo com um pulmão novo.
Vejo nessa realidade, a necessidade dos poderes públicos e da sociedade civil é fundamental. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), “A prevalência de tabagismo é o resultado da iniciação (novos usuários de tabaco) e da interrupção do consumo (por cessação do tabagismo ou morte). A identificação dos fatores determinantes da iniciação e da cessação do tabagismo é, portanto, fundamental para o planejamento de ações específicas para o controle do tabaco”.
O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais, podem ser munidos de infraestrutura, equipamentos e o país possui várias instituições de pesquisa para enfrentamento deste problema. O que falta é orçamentos suficientes nos entes federados e ações direcionadas nesta área. Infelizmente, o tabagismo enriquece empresas, contrabandistas e favorece a um perigoso mercado mundial, que vive de lobbie para se manter.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

Imagem: Ultraspecialisti.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

A Tentativa de mais uma Retomada

Diz um autor, querido nosso, que superamos a falta de vontade de escrever escrevendo. Tenho buscado superar essa falta da escrita, pois tenho tarefas importantes neste campo, como a conclusão do livro com o amigo Jeová Vieira sobre os Vieira Pereira de Orizona, bem como sobre outras famílias orizonenses, além de alguns trabalhos pessoais, uma vez que na atual condição, não é possível encampar mais algo além disso.
Uma tarefa que não tenho conseguido prosseguir se refere ao blog Orizona em Foco, que inauguramos em março de 2009, tendo um papel importante pelo menos até 2013, quando por pressões políticas locais e até mesmo desmotivação, deixei de publicar as notícias locais. Depois, disso, muitas foram as retomadas e sempre surgia o medo por alguma matéria ou tema polêmico e eu deixava o Orizona em Foco.
Com os problemas de saúde a partir do segundo semestre de 2018, praticamente esqueci o blog e apenas em uma vez o retomei, não conseguindo dar continuidade, pelas próprias dificuldades na escrita (às vezes não consigo escrever manuscritos nem digitar), que inviabilizava totalmente, além do trabalho, outras atividades que tinha como hobbie, como a referida página.
Fora do município de Orizona por um tempo indefinido, tenho despertado o desejo de voltar a movimentar o blog. E pretendo fazê-lo, mas não com as costumeiras notícias, que até hoje passaram de 2.500 postagens. O farei com crônicas cotidianas e ensaios sobre a nossa história local.
E assim será, na espera que nosso antigo e um novo público possa nos acompanhar e seguir pelas redes sociais e que desbravemos até quando for possível.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

quinta-feira, 19 de março de 2020

Algumas considerações sobre as graves condições de saúde pública em que vivemos em decorrência do COVID-19

OPINIÃO - Prezados leitores, pelo grande amor que tenho por Orizona e o sentimento de grande carinho pelas pessoas, farei a seguir algumas pontuações nesses tempos de pandemia de Coronavírus:
1) Entrou em vigor hoje (19 de março) decretos municipal e estadual sobre que pontos comerciais poderão funcionar e aqueles que deverão ficar fechados. Só que, pelo que percebemos em nossa cidade, não são todos os proprietários que cumprem as determinações. É preciso que a Prefeitura Municipal e os órgãos de fiscalização tomem providências para garantir o cumprimento desses decretos.
2) Há registros e reclamações de que proprietários de farmácias e supermercados de nossa cidade estão abusando no preço do álcool gel e máscaras. Esperamos que as autoridades tomem providências a respeito dessas atitudes pouco urbanas, para não dizer, corruptas. Contamos com a Prefeitura e o Ministério Público nesse esforço, que visa respeitar os direitos do consumidor.
3) Parece que boa parte da nossa comunidade ainda não percebeu a gravidade do momento em que vivemos e estão achando que tudo é conversa mole ou exagero e podem continuar suas vidas normalmente e sem preocupações. É preciso muita cautela e ter atitudes que impeçam o avanço dessa doença. Talvez, no futuro avaliaremos que foi um exagero, mas melhor exagerar e preservar muitas vidas do que faltar no cuidado e perder muitos entes queridos.
4) Se alguém disser que as coisas não são simples assim, pois muitas pessoas estão tendo prejuízos com essas normas e uma crise é eminente, falo de minha experiência pessoal: estou em uma espécie de recolhimento (que não é propriamente uma quarentena), há mais de um ano e meio, sem poder trabalhar e tendo muitas despesas com medicamentos e exames. Como portador de uma doença respiratória grave e fazendo tratamentos a base de imunossupressor, quando falo, assim faço porque sei que um simples resfriado pode ser muito grave para meu organismo, mas a ocorrência de um grande surto de Coronavírus, ou mesmo de contrair a gripe ou a dengue poderia ser definitivo aos meus planos de uma vida longa ao lado de minha família.
Se você é uma pessoa que apresenta uma boa imunidade e boas condições de saúde ou não está em grupos de riscos, lembre-se que em quase todas as famílias existem idosos, gestantes, lactantes e pessoas com doenças graves e que fazem parte dos grupos mais susceptíveis.
Infelizmente, todos pagaremos o preço. Mas espero que esse custo seja apenas financeiro. Portanto, fiquemos atentos e tenhamos a certeza que o pior provavelmente está por vir e será preciso muito esforço de cada um e cada uma para que o pior não chegue até nós. 
Abraços e mantenhamos as orações e o cuidado com a nossa vida e com a vida dos outros. 

Anselmo Pereira de Lima
E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Opinião: chegou a hora de termos Gestores Municipais que não Administrem de forma Improvisada

OPINIÃO - Buscando na memória, lembro de minha infância, quando morava na região da Firmeza e vinha na cidade muito pouco. Eram os anos de 1980 e 1990. As ruas e avenidas da cidade haviam sido recentemente pavimentadas e por conta do trânsito de pouco veículos e estes, a maioria leves, os danos ao asfalto era muito pequeno.
Lembro de minha emoção de criança, ao ver a carreta que vinha buscar o leite na Itambé. Era uma das poucas que transitavam em nossa cidade, algumas vezes na semana. Me sentia realizado quando a via. Caminhões e máquinas agrícolas, somente alguns Mercedes e alguns tratores de associações rurais e de produtores mais abastados. Caminhões de carvão eram comuns em nossas estradas, mas nada que impressionasse.
O transporte de leite nas estradas rurais era predominantemente feito por caminhonetes a gás e  o leite, armazenado em latões. A produção de soja era ainda pequena. Além do leite e da mandioca (em algumas regiões município), a produção agrícola ainda era predominantemente de subsistência e autossubsistência. O comércio na cidade não era forte e agroindústrias, apenas algumas, ainda de pequeno porte.
Contudo, os tempos mudaram: as monoculturas de soja e milho estão presentes em grande parte do município. Os produtores rurais hoje possuem caminhões e máquinas de grande porte. Caminhões para o transporte de leite transitam dia e noite. O transporte de aves também é corriqueiro. Carretas são vistas o tempo todo em ruas e estradas. Armazéns de grãos estão por toda parte. Novas agroindústrias foram instaladas na região. A frota de veículos leves e médios aumentou uns 1000% em trinta anos.
Contudo, a forma que a administração pública faz a manutenção de ruas e estradas continua a mesma de meio século atrás. Não mudou com a alteração da dinâmica do trânsito. E não digo propriamente nesta gestão. Todas as últimas que tivemos agiram assim. Também não apontaria o dedo como se esses gestores se portassem de má fé. O fato é que estão presos a uma realidade opressora para municípios como Orizona. Temos uma significativa extensão territorial, a cidade cresceu muito nas últimas décadas e os recursos são pequenos.
Além disso, irresponsabilidades do passado, que permitia que loteamentos fossem criados sem oferecer o mínimo de infraestrutura, como de ruas, rede de esgoto, de água e elétrica, afeta seriamente ainda hoje o planejamento e as ações da prefeitura. Se em 1988, o então prefeito Joaquim Pereira se gabava de ter 100% das ruas e avenidas de nossa cidade pavimentadas; hoje a cidade cresceu e quase 40% estão sem asfalto (lembremos que povoados e distritos são núcleos urbanos). Outro sério problema é a falta de redes de esgoto e galerias pluviais. Ruas foram construídas e asfaltadas sem a preocupação de garantir o adequado esgotamento hídrico. Agora, o problema está aí e precisa ser resolvido urgentemente.
Não tem 30 dias que a prefeitura, com o apoio dos internos da unidade prisional fizeram o recapeamento (tapa buracos) das avenidas Egerinêo Teixeira e 7 de setembro, do trevo da cidade e das saídas do Taquaral e Buritizinho. Tem cerca de uma semana que foi feito a operação tapa-buracos da avenida Rafael Leme Franco, na Cinelândia. Contudo, por conta da intensidade das chuvas, quase tudo o que foi feito foi perdido. Assim como não está fácil transitar pelas estradas rurais de nosso município.
Também não tem um mês que foram feitos reparos em algumas estradas rurais. Porém, três dias de chuvas intensas são o suficiente para que a maioria dos produtores rurais não consiga chegar à cidade para realizar seus negócios, seja por pontes que não resistiram ou por lamaçais. E isso afeta a muita gente, inclusive ao comércio. As duas principais avenidas de Orizona foram pavimentadas há mais de trinta anos. Portanto, foi extrapolado em muito seus "prazos de validade".
Refazer ruas e avenidas da cidade, construir redes pluviais e de esgoto são algumas das iniciativas caras e urgentes. Outra que sugiro é a construção e um anel viário para desafogar em parte o tráfego de caminhões e máquinas agrícolas no interior da cidade. Se alguém me perguntar: - Está bem, mas onde buscaremos os altos recursos para isso? Direi: - Não sei, mas contem comigo para tudo o que for necessário nesse esforço.
Não dá para permitir que alguém nesses tempos ainda jogue contra os interesses da municipalidade, fazendo gol contra a própria meta. Não dá, por exemplo, para permitir que a Administração tente fazer algo e as oposições partidárias do prefeito impeçam, apenas por interesses individuais, à melhoria das condições de nossa cidade, como foi em 2011 quando o prefeito Felipe Dias tentou realizar um leilão de bens para levantar recursos para construção do Ambulatório 24 horas; ou em 2020, quando Joaquim Marçal tentou realizar o mesmo leilão para angariar dinheiro para melhorar as condições de nossas ruas e avenidas e oposicionistas foram à justiça para impedir (lembro que em 2011 até soltaram fogos para comemorar). 
É preciso fazer alguma coisa a respeito desse imbróglio e isso exige esforço de todos os seguimentos organizados e dos partidos políticos diversos. Além disso, estando em ano eleitoral, precisamos tratar com mais seriedade as nossas decisões. Não podemos colocar no paço municipal e no legislativo pessoas que não estão preparadas ou aventureiros. Temos que estar certos que não precisamos mais de cidadãos que sonham em ser prefeitos ou vereadores. Queremos de fato, gente que tenha disposição para tirar a cidade da mesmice.
O serviço público, além de honestidade e capacidade de diálogo, exige profissionalismo, planejamento e de gente que leve mais à sério alguns instrumentos legais, como por exemplo, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual, o Plano Diretor, o Plano de Saneamento Básico, o Código Tributário e o Código de Posturas.
Vamos juntos conosco nesse propósito?
NOTA - sobre a crítica que fizemos ao cancelamento do leilão de bens que a Prefeitura pretendia realizar, o presidente da Câmara Municipal de Orizona, Altaídes de Sousa Filho, o Taíde, fez alguns esclarecimentos, que pelo teor, acho necessário aqui citar: "O que é preciso inicialmente, no caso da venda de imóveis do município, é projeto definido e a modalidade dessa alienação. O gestor não pode ter somente o desejo de fazer melhorias, ao lançar venda do patrimônio. Previamente é necessário vincular. Vendeu aqui constrói ali, com clareza e não simplesmente vender. Outra coisa, segundo o MP, a modalidade não pode ser por Leilão Público. Passivo de anulação. O município possui muitos imóveis que podem sim, ao meu ver, ser direcionado para reconstrução e melhorias na zona urbana e rural. Antes, porém, achar o caminho certo para evitar embaraços jurídicos".

(O texto sofreu modificações em 01/03/2020, às 17:20h).

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
anselmopereiradelima@gmail.com

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

ENQUETE: Você é favorável ao aumento do número de vereadores em Orizona?

DA REDAÇÃO - Conforme o Artigo 29, inciso IV, da Constituição Federal, de acordo com a redação dada pela Emenda nº 58 de 2009, municípios com de até 15 mil habitantes poderão eleger 09 vereadores e Municípios entre 15 e 30 mil habitantes, 11 vereadores.
Orizona possui atualmente uma bancada de 09 vereadores. Contudo, recentemente veio o boato de que os atuais vereadores pretendem propor o aumento da bancada legislativa, uma vez que segundo a mais recente estimativa do IBGE (2018), Orizona possuiria atualmente uma população de 15.502 habitantes e legalmente poderia realizar essa mudança.
Sobre essa cogitação, foi inclusive veiculado um banner nas redes sociais atribuindo o desejo de aumento dos vereadores à bancada emedebista. Esse material, que alguns vereadores classificaram de fake news, provocou muita irritação no legislativo municipal e foi rechaçado inclusive por vereadores da base governista. Segundo o que nos foi informado, um vereador apenas questionou durante uso da palavra livre em determinada sessão legislativa sobre esta questão e diversos vereadores comentaram sobre o assunto naquela ocasião.
Desejando saber o que a população orizonense pensa do assunto, o blog Orizona em Foco está promovendo em sua página no Facebook, uma enquete a respeito. Para votar se é contra ou favorável ao aumento do número de vereadores em Orizona, basta acessar a página e votar SIM ou NÃO.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Antiga Sede da Propriedade Rural de meu Avô na Região de Firmeza

OPINIÃO - Recebi esta verdadeira obra de arte de presente do grande amigo, o professor Paulo Acácio de Sousa, atual secretário municipal de Educação de Orizona. A imagem representa a antiga sede de fazenda onde moraram meus avós paternos Antônio José de Lima e Catarina Maria de Lima, na comunidade de Estiva de Cima, região de Firmeza (Orizona-GO).
O casarão provavelmente foi construído no final do século XIX, por José Pereira de Castro. Depois disso, segundo a poetisa Inês de Castro, moraram na residência Pedro Pereira, Antônio Silvério, José Adalto e a família de Antônio de Lima, que se viu obrigada a demolir a mesma no ano de 2012, já que os riscos de desabamento eram grandes e a família não tinha condições financeiras de fazer a sua restauração.
Meu pai João Bôsco de Lima e seus outros seis irmãos cresceram ali. Os netos mais velhos também puderam correr pelos seus cômodos enormes de assoalho liso e barulhento. Lembro que a maior aventura era entrar pelo alçapão que dava para o porão da casa, muito escuro e onde às vezes os morcegos nos assustavam. Era muito bom saltar por suas grandes janelas azuis. Os biscoitos e doces feitos pela avó Catarina eram uma perdição.
Confesso que poucas vezes fiquei tão emocionado por um presente como este dado pelo amigo Paulo Acácio. O artista, aliás, que tem uma produção vasta, espalhada por Orizona e por outros municípios do país, tem se dedicado ultimamente em resgatar através da pintura o patrimônio arquitetônico do meio rural de Orizona. Outras obras prontas retratam casas de fazenda como as antigas sedes do Sr. Abel Pereira e de Nilson Nicoli. Mais trabalhos com a sua assinatura podem ser encontrados em artistapauloacacio.blogspot.com.br. Todos os seus trabalhos estão à venda. Maiores informações: (64) 3474-1286 ou pelo e-mail artistapauloacacio@gmail.com.