quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Origens das famílias Rosa Mesquita e Policena Rosa de Orizona

Provavelmente no ano de 1920, Cassiano José de Mesquita saiu do distrito de Santo Antonio do Rio Verde, município de Catalão, e migrou com toda a família, agregados, animais de criação e bens materiais para Campo Formoso, atual Orizona, deixando para trás, uma importante história de vida naquela região próxima aos rios São Marcos e Paranaíba, bem perto da divisa de Goiás e Minas Gerais. Além dos ROSA MESQUITA, vieram alguns membros de famílias que se tornaram importantes na região, como os POLICENA ROSA e os PEREIRA DOS SANTOS.
Um referencial de data aproximada da grande mudança vem de Jesus Policena Rosa (falecido em 1º de abril de 2022), que disse que na época seu pai Ramiro, que nasceu no ano de 1907, tinha doze anos de idade. Também segundo Maria da Penha Vieira, sua mãe Altina Policena (irmã de Ramiro) tinha sete anos de idade na ocasião da viagem e nasceu em 1913. Foi quando o Capitão Cassiano José de Mesquita, a sua esposa Maria Cândida e filhos se mudaram do distrito de Santo Antônio do Rio Verde, município de Catalão, para a cidade de Campo Formoso, hoje Orizona. No novo destino os filhos de Cassiano e Maria Cândida Roza ficaram conhecido mais como "os Cassianos" e ali deixaram uma numerosa descendência. Em Catalão,  precisamente no então distrito de Davinópolis, dos filhos de Cassiano José de Mesquita e Maria Cândida Roza, ficou somente Lázaro Rosa de Mesquita. 
Cassiano foi juiz de paz em Santo Antônio do Rio Verde. Era genro do Capitão Francisco Marciano Roza, foi amigo do sub-intendente distrital José Saturnino de Castro, conhecia o também Capitão Carlos Antônio de Andrade, tinham proximidade com membros da família Paranhos, enfim era uma pessoa bem relacionada e de certa posição social na época. A pergunta necessária é: O que teria causado o êxodo da família Rosa de Mesquita do distrito de Santo Antônio do Rio Verde do município de Catalão para a cidade de Campo Formoso/ Orizona? 
Não temos certeza sobre os verdadeiros motivos da mudança em massa e supostamente repentina, contudo apresentamos algumas hipóteses, como disputas e intrigas entre famílias da região de Santo Antonio do Rio Verde, questões políticas, uma vez que nesta época Catalão vivia uma situação de tensão muito forte pela disputa das forças políticas locais, ligadas principalmente às famílias Bulhões e Caiado; e por opção buscar uma nova fronteira, onde houvesse um clima agradável e a possibilidade de prosperar em novos negócios. 
Apresentaremos a seguir, uma compilação da trajetória dessas famílias desde a segunda metade do século XIX até os seus estabelecimentos em Campo Formoso/ Orizona. Este documento é baseado principalmente nas pesquisas dos historiadores e genealogistas Daniel Ferreira da Silva e Anselmo Pereira de Lima, de Marcial Campos Teixeira e de outros colaboradores do excelente blog Historiografia para Catalão, de Maria da Penha Vieira (Penha da Altina) e de Renato de Castro. É um trabalho feito por muitas mãos, muitas cabeças e por depoimentos feitos oralmente e também nos grupos de Facebook “Família Policena” e “Família Rosa Mesquita de Catalão e Região”. 
É digno de elogios o trabalho de Penha e Daniel nesta busca, no caso da primeira, pela origem do sobrenome Policena ou Policeno e do segundo, de muitas e relevantes informações dos Rosa Mesquitas  e outras famílias próximas, que foram obtidas recentemente e trataremos resumidamente a seguir. Esse texto é uma atualização das principais informações, desde que publicamos o primeiro ensaio em 04 de maio de 2020.

JOSÉ ANTÔNIO DE MESQUITA E MARIA JOSÉ RIBEIRO: 
Estudos genealógicos publicados na Historiografia para Catalão comprovam que José Antônio de Mesquita e Maria José Ribeiro foram moradores em meados do Século XIX na Vila do Catalão, Província de Goiás. José Antônio registrou terras das fazendas de ‘São Domingos’ e ‘Quartéis’, tendo adquirido por herança da sua sogra Cândida Flauzina Ribeira. ‘São Domingos’ foi adquirida por compra de Jozé Francisco da Silva em 14 de fevereiro de 1855. Tinha ao nascente, o Rio S. Marcos, poente a ‘Matta Preta’, ao norte ‘Paraizo’. A declaração de posse foi feita por José Antonio em 14/01/1857, ao padre Luiz Antônio da Costa. 
Antonio José e Maria Ribeiro sendo padrinhos de uma criança.
Maria José Ribeiro era filha de Marciano Antonio Roza e de Dona Cândida Flauzina Ribeira. De acordo com o que aparecem nos registros de terra feitos pelo vigário Luiz Antonio da Costa em 10 de janeiro de 1857, Marciano Antônio da Roza, senhor de terras na fazenda ‘Quartéis’, que era limitada na nascente com o rio de São Marcos, no poente com a fazenda ‘Fortaleza’, ao norte com a ‘Forquilha’ e ao sul com o Córrego Fundo. Marciano e sua esposa Cândida na época moradores da fazenda ‘Macacos’ foram pais também de João (nascido de 1850 e batizado pelo padre Manoel Camello Pinto), de Mariana de Jesus e de Francisco Marciano Roza, sogro de Cassiano José de Mesquita. 
De acordo com as pesquisas de Daniel Ferreira, a família Marciano Rosa do distrito de Santo Antônio do Rio Verde teve origem com o casamento de Marciano Antônio da Roza com Cândida Flauzina Ribeira e, até onde podemos descobrir, era composta pelos seguintes filhos do casal: Capitão Francisco Marciano Roza (Capitão Chico Roza), José Marciano Roza, Antônio Marciano Roza e Maria José Ribeiro. 
- Francisco Marciano Roza: como já vimos anteriormente, foi casado com Cândida Francisca da Silva. 
- Antônio Marciano Roza: casou-se com Maria José da Silva. 
- José Marciano Roza: casou-se com Maria Vaz da Costa, da tradicional família Vaz da Costa de Ipameri. 
- Maria José Ribeiro casou-se com José Antonio de Mesquita.
Não temos até o momento, informações seguras sobre a origem destas famílias. O que sabemos de confiável é que Marciano Antônio da Roza já estava na região de Catalão desde pelo menos 1850. Certo Francisco Antônio de Mesquita, parente de Antonio José de Mesquita, estava na região em 1838. 
O jornal ‘Correio Official do Estado de Goyaz ‘do ano de 1867 menciona José Antônio de Mesquita. Nessa notícia de outrora, José Antônio participava como jurado de um julgamento ocorrido em Catalão. Em 29 de maio de 1879, o mesmo pagou taxa pela exportação de 60 quilogramas de marmelada na recebedoria do porto da Mão de Pão. 
José Antonio de Mesquita e Maria José Ribeiro tiveram cinco filhos, sendo Cassiano e quatro mulheres de nome Maria: 
1. Capitão CASSIANO JOSÉ DE MESQUITA. 
2. Maria Guilhermina de Mesquita, nascida em 1867, casou-se em 24 de agosto de 1886 com Henrique Rodrigues de Almeida, filho de Leonel Rodrigues de Almeida e Custódia Maria da Cruz. 
3. Maria Querobina de Mesquita, nascida aos 14 de junho de 1869. 
4. Maria das Dores de Mesquita casou-se com João Pereira de Mesquita, filho de Manoel Pereira de Mesquita e de Maria do Carmo Ribeiro, em 19 de agosto de 1896, no mesmo dia em que sua irmã Maria Joaquina casou com José, irmão de seu esposo João. Os registros estão disponíveis na paróquia Madre de Deus, de Catalão/GO. 
5. Maria Joaquina de Mesquita casou-se com José Pereira de Mesquita, filho de Manoel Pereira de Mesquita e de Maria do Carmo Ribeiro, em 19 de agosto de 1896. 

CASSIANO JOSÉ DE MESQUITA E MARIA CÂNDIDA ROZA: 
O Capitão Cassiano José de Mesquita casou-se com a prima em primeiro grau Maria Cândida Roza, filha do Capitão Francisco Marciano Roza e Cândida Francisca da Silva. Viveu num local denominado ‘Fazendinha’, no referido distrito. 
Ramiro Policeno e os tios Sebastião e Odário Mesquita.
Francisco Marciano foi um homem influente no distrito de Santo Antonio de Rio Verde: em 1871 foi nomeado 3º suplente de delegado; em outubro de 1878 consta o seu pagamento de imposto no porto dos Freires; Em 1º de julho de 1891, tanto Francisco Marciano quanto Cassiano assinaram documento enviado ao governador Rodolpho Augusto da Paixão, solicitando a criação de uma escola de instrução primária no distrito. 
Há algumas notícias também sobre a atuação e influência de Cassiano na região, provavelmente herdada do sogro Francisco Marciano. Consta que em 1904, o Capitão Cassiano José de Mesquita fazia parte do segundo esquadrão do 5º regimento de cavalaria da Comarca do Rio Paranaíba. Em 13 de dezembro de 1907, através do decreto estadual nº 2.032, Cassiano foi nomeado 2º suplente de juiz distrital do distrito de Santo Antônio do Rio Verde. Em 1911 foi novamente nomeado, mas um decreto desfez o ato administrativo. Em 1913 foi nomeado agente fiscal da coletoria de Pacheco. Em 1916, foi nomeado juiz distrital do mesmo distrito. 
Os filhos dos ditos “Cassianos” foram: 
1. Lázaro Rosa de Mesquita 
2. Benvinda Rosa de Mesquita 
3. Maria Rosa de Mesquita 
4. Rosalina Rosa de Mesquita 
5. Alfredo Rosa de Mesquita
6. Antônio Rosa de Mesquita 
7. Odário Rosa de Mesquita 
8. Sebastião Rosa de Mesquita 
9. Angelina Rosa de Mesquita (Nenzuca) 
10. José Cassiano de Mesquita 
11. Izaltina Rosa de Mesquita 
Entre os filhos, apenas Lázaro Rosa de Mesquita permaneceu em Catalão, no distrito de Davinópolis, sendo que os demais migraram com os pais para Campo Formoso, se estabelecendo na região da Cachoeira, nas proximidades do córrego do Buriti, e na própria cidade. Maria Rosa possuiu terras na região da Firmeza. Alguns dos irmãos estão entre os primeiros comerciantes do arraial da Cachoeira, a partir dos anos de 1920 e 1930. Também se espalharam para a região do Buritizinho e da cidade de Orizona. 
1. Lázaro Rosa de Mesquita nasceu em 01/01/1884 e foi batizado 28/09/1884. Seus padrinhos de batismo foram José Antônio de Mesquita e Maria Guilhermina de Mesquita. Casou-se em 14/06/1907 no distrito de Santo Antônio do Rio Verde com Maria da Silveira Arruda, nascida em 1887 e filha natural de Maria Lucinda Ferreira. Seus filhos foram: 
Tarcílio, filho de Lázaro Mesquita, com familiares.
1.1. João Rosa de Mesquita: casado com Maria, com ela teve como filhos Hosana, José, Margarida, Marly, Reinaldo. 
1.2. Tarcílio Rosa de Mesquita: casado com Anauza Corrêa Barbosa, com ela teve como filhos Jerônimo Rosa de Mesquita, José Rosa de Mesquita, Soldinito Rosa de Mesquita, Rosemário Rosa de Mesquita, Heleno Rosa de Mesquita e Marica. 
1.3. José Rosa de Mesquita: casado com Maria Antônia, com ela teve como filhos Helena Rosa de Mesquita e Divino Rosa de Mesquita. 
1.4. Antônio Rosa de Mesquita: casado com Maria da Luz, com ela teve como filhos Fátima Rosa de Mesquita, Maria Rosa de Mesquita, Nancy Rosa de Mesquita, José Custódio, Helena Rosa de Mesquita, Maria Abadia Rosa. 
1. 5. Sebastiana Lucinda Rosa de Mesquita: casada com Balbino Antônio Ferreira, com ele teve como filhos Maria Abadia Ferreira, João Batista Ferreira ( Celau ), José Balbino Ferreira, Lázaro Manoel Ferreira, Jairo Antônio Ferreira, Darci Rosa de Jesus ( prefeito de Davinópolis por duas vezes ), Santa Rosa Ferreira, Nair Rosa Ferreira, Naína Rosa Ferreira, Maria da Glória Rosa Ferreira. 
1.6. Margarida Rosa de Mesquita: casada com Joaquim Felipe Freire, com ele teve como filhos Helena, Lourdes, Mariquinha, Lázara, Otacília, Jovenília, Ramiro, Antônio, Juarez, Sudário 
1.7. Jovenília Rosa de Mesquita: casada com Garcino, com ele teve como filhos Lourenço, Manoel, Marcondes, Maria Sebastiana, Ana e José. 
1.8. Lázara Rosa de Mesquita: casada com Antônio Ribeiro da Silva, com ele teve como filhos Geralda, Marly e Benedito. 
2. Benvinda Rosa de Mesquita ou Benvinda Cândida Rosa nasceu em 05/11/1885 e batizada em 28/02/1886. Seus padrinhos de batismo foram Manuel Rodrigues Souto e Rita Cândida Rosa. Benvinda Cândida Rosa casou-se com José Fabrício, natural de Paracatu-MG, em 16/07/1903. Filhos: Godofredo, Orestes e Sebastiana Rosa Fabrice, que era casada com José Francisco da Silva (Juquinha). 
3. Maria Rosa de Mesquita ou Maria Cândida Rosa nasceu em 01/10/1887 e foi batizada em 14/07/1888. Seus padrinhos de batismo foram João Cândido Roza e sua mulher Carolina Cândida Roza. Casou-se em 05 de setembro de 1906 com Augusto Policeno Rosa, filho de José Policeno Roza e Maria Silvéria de Oliveira. O casal teve doze filhos, alguns nascidos em Santo Antônio do Rio Verde e outros em Campo Formoso: 
3.1. Ramiro Policeno Rosa (1907-1956), casado com Maria Pereira dos Santos, filha de Joaquim Pereira dos Santos e Jovita de tal, moradores da margem do rio São Marcos. 
3.2. Laudia Policeno Rosa (Ladica) (1909-2004), casada com Vicente Pereira de Castro, filho de Isac Pereira de Castro e Escolástica Maria de Lima. 
3.3. José Policeno Rosa (1911- 1988) casado com Maria Cândida, filha de Pedro Pereira de Castro. 
3.4. Maria Policeno Rosa – Marica (1911-1951), casada com Miguel Luis Fernandes (Miguelão). 
3.5. Altina Policena Rosa (1913- 1997) foi casada com Benedito Pereira de Castro, também filho de Isac Pereira de Castro e Escolástica Maria de Lima. Enviuvou-se e casou José Vieira Gonçalves. 
3.6. João Policeno Rosa (1915- 2006) casado com Etelvina Silva. 
3.7. Adelaide Policeno Rosa (1917-2007), casada com José Joaquim de Sousa. 
3.8. Pedro Policeno Rosa (1918-?) foi casado com Diva de tal, ainda viva. 
3.9. Antonio Policeno Rosa - Tôe Purcena(1920 -2005) casado com Adelicia. 
3.10. Izaura Policeno Rosa (1925-1992) foi casada com Adonias Vieira da Cunha. 
3.11. Jovenilia Policeno Rosa (1927-2005), casada com Oramis Vieira de Freitas. 
3.12. Maria Conceição Policena de Sousa (1929-2013), casada com Altaídes de Sousa.
4. Rosalina Rosa de Mesquita nasceu em 1890 e casou-se com Emídio Adão Ferreira (ou Adão da Silveira Arruda) em 14/06/1907, irmão de Maria da Silveira Arruda (casada com Lázaro Rosa de Mesquita), filho de Maria Lucinda Ferreira. Esses dois casamentos aconteceram no mesmo dia. 
5. Alfredo Rosa de Mesquita nasceu em 02 de julho de 1894 e foi batizado em 18 de fevereiro de 1895. Seus padrinhos de batismo foram Salviano Pereira Guimarães e sua mulher Ana Alves Franca. Alfredo se casou com Laureana Bernardino da Silveira. 
Laureana e Alfredo Mesquita.
6. Antônio Rosa de Mesquita (Antonio Cassiano) nasceu em 28/08/1896 e foi batizado em 27/09/1897. Seus padrinhos de batismo foram José de Mesquita Rosa e dona Rita Maria de Souza. Casou-se com Maria Luzia de Castro da tradicional família Fernandes de Castro de Orizona. 
7. Odário Rosa de Mesquita (Dário) nasceu em 28/12/1899 e foi batizado em 11/06/1900. Seus padrinhos de batismo foram José Rodrigues Souto e dona Benvinda Rosa de Mesquita. 
8. Sebastião Rosa de Mesquita (Sebastião Cassiano) nasceu em 1906 e se casou com Rozenda Jacinto Pereira. 
9. Angelina Rosa de Mesquita (Nenzuca) (1909-1987) casou-se com Manoel Francisco Pires, irmão de José Pereira dos Santos (marido da sua irmã Izaltina). 
Angelina Rosa de Mesquita (Nenzuca).
10. José Cassiano de Mesquita (1915-1992) casou-se com Custódia de Almeida Rosa (primos em primeiro grau), filha Maria Guilhermina de Mesquita e Henrique Rodrigues de Almeida; e com Laudelina Pereira dos Santos, filha de Joaquim Pereira dos Santos e Jovita de Tal (irmã dos maridos da Angelina e da Izaltina). 
11. Izaltina Rosa de Mesquita casada com José Pereira dos Santos, filho de Joaquim Pereira dos Santos e Jovita de Tal. 

A FAMÍLIA POLICENA ROSA: 
Em junho de 2011, Maria da Penha Vieira saiu de Orizona e foi a Santo Antonio do Rio Verde para pesquisar sobre vestígios da família Policena/ Policeno Rosa. A partir desta visita, foi feito o seguinte relato: 
Maria Rosa de Mesquita, os filhos Láudia e Pedro Policeno e outros familiares.
“Bem pessoal, continuo com a minha pesquisa sobre a Familia Policena e, dando continuidade, fui à cidade de Catalão (berço dos Policena Rosa), em Junho/2011. Lá encontrei poucas pessoas da família, dentre elas, o Sr. Osvaldo Policena Rosa e sua esposa Dna. Honorina, casal fantástico, que me deu uma bela recepção. Porem, meu tempo foi curto e insuficiente para descobrir alguma coisa, preciso e pretendo voltar. 
De Catalão fui para o distrito de Santo Antonio do Rio Verde, origem da família Rosa Mesquita, os chamados Cassianos. Lá encontrei um pouco de historia... emocionante!!! No povoado ainda existem duas casas da época, uma em ruínas e a outra semi-reformada. A igreja, construída no ano de 1868, foi reformada em 1962, mantendo as características originais. O morador mais antigo, Sr. Carlos, é um mineiro que nasceu em 1935 e se mudou pra lá em 1940. Contou-me ele que, nessa época, já não havia mais nenhum morador da família Rosa Mesquita. Ficou, também, bem explicito que no distrito nunca teve nenhum Policena, todos eram de Catalão, exceto pelo meu avô Augusto Policena Rosa, que se casou com Maria Rosa Mesquita, filha de Cassiano José de Mesquita e Maria Candida Rosa. 
Ramiro, Mariana e o bebê Jesus Policena.
No distrito existe um cartório, que guarda documentos da época, inclusive tive acesso, gentilmente me concedido pela simpática oficial, senhora Maria de Amorim; ela além de me dar acesso, não me cobrou pelos documentos emitidos. Assim, copiei o registro do casamento de nossos avós, Augusto e Maria, realizado em 05/09/1906. Fiquei muito emocionada ao tocar aquele livro do século passado, com suas folhas amareladas e quebradiças pela obra do tempo. 
O registro do casamento me originou duas dúvidas. A primeira é o nome da avó: todos os documentos posteriores indicam que ela se chamava MARIA ROSA MESQUITA e no livro do registro o escrivão a cita como MARIA CÂNDIDA ROZA e foi com esse nome que ela assinou o livro. Mas, esse era também o nome de sua mãe, a esposa do Cassiano. Por que a mudança? Acredito que naquela época ninguém pegava certidão nem de nascimento, nem de casamento e como as mulheres sequer sabiam ler e escrever – apenas copiavam o nome e quando ficavam viúvas perdiam suas próprias referencias e informações. Ao mesmo tempo eu pergunto, por que ela tinha o nome da mãe ??? (não era a primeira, nem a ultima filha do casal). 
A segunda dúvida é o nome do avô: embora tenha sido citado com Augusto PolicenA Rosa, ele assinou Augusto PolicenO Roza. Como se pode confirmar existem muitas pessoas que assinam dessas duas formas. Na própria cidade de Catalão existem as duas assinaturas, seguidas pelo Rosa. Alguns acreditam tratar-se de duas famílias e eu penso que não, porque dentre os filhos de Augusto existem os dois. Constatei que o primeiro filho dele, Ramiro e alguns de seus filhos assinam PolicenO. Deduz-se que, sendo ele o mais velho, possuía informação mais precisa; contudo todos os outros filhos (homens) assinam PolicenA, mas as mulheres variam entre um e o outro. 
Outro detalhe é a assinatura Roza da bisavó Maria Cândida e dos Policena(o). Tem-se aí a idéia de que havia parentesco entre eles. Há, ainda, outra informação divergente do conhecimento atual, o nome da bisaavó Maria Silvéria. Pensávamos que seu nome era Maria Silvéria Borges e, no registro, lê-se Maria Silveria de Oliveira, apesar de não estar muito nítido, porem, Borges não é. Todas essas duvidas só poderiam ser sanadas com as devidas certidões de nascimento, mas.... 
No encontro com o Sr Carlos ele me mostrou um jornal do ano de 1986 com uma reportagem sobre uma moradora do distrito, no século passado, conhecida por “Caetaninha” e que ele acredita ser da família Rosa. Lá todos contam a mesma história e eu pude ver o local onde havia a sua casa, uma pena ter sido demolida. 
Outra informação importante dada por esse senhor é que o Distrito de Santo Antonio do Rio Verde era território pertencente ao estado de Minas Gerais. Naquela época tudo se resolvia em batalhas sangrentas entre famílias que se destacavam, quer pelo poder econômico, quer pelo poder da violência (não é a toa que se diz que a justiça de Catalão era o 38). Assim, a familia Sampaio, que comandava a região, fincou um marco à beira do Rio Verde, onde seria travada a batalha com os mineiros para decidir quem ficava com o distrito de Stº Antonio. Entretanto, no dia marcado os Sampaios não compareceram e os mineiros não deram muita importância e com o tempo Catalão absorveu definitivamente o distrito”. 
Faltava identificar a origem do sobrenome Policena/ Policeno. Sempre se acreditou que vinha de um tempo remoto, talvez de outra região do planeta, como a Itália ou a Grécia. Contudo, identificou-se que este surgiu em terras goianas, mais precisamente em Catalão, em que o nome do patriarca Polyceno José da Rosa foi assimilado pelos descendentes, virando nome de família. Sobre a origem de Polyceno, não sabemos, mas o pai de Augusto, José Policena, vivia no distrito de Catalão em 1906.
POLYCENO JOSÉ DA ROSA e MARIA RITTA DE JESUS foram os patriarcas da família Policena de Catalão  Seus filhos foram:
1) José Policena Rosa, casado com Maria Silvéria de Oliveira
2) Antônio José da Rosa
3) Salustiano José da Rosa, casado com Carolina Arruda
4) João Policena Rosa, casado com Fermina Borges
5) Herculano José da Rosa
6) Virgínio José da Rosa, casado com Maria de Freitas
7) Fructuoso José da Rosa
8) Maria Policena Rosa, casada com João Borges
9) Maria de Abadia, casada com Bernardino Borges
10) Maria da Conceição
11) Joaquim José da Rosa
12) Maria Galdina
13) Francisco José da Rosa
14) Elyseu José da Rosa
Depois que vieram em 1920 para Campo Formoso, Augusto Policeno (neto de Polyceno) e Maria Rosa se estabeleceram nas margens do ribeirão Cachoeira, entre a Firmeza e a Cachoeira, abaixo da sua confluência com o córrego da Estiva. Construíram uma casa de moradia à margem direita do referido ribeirão, em local próximo ao que conhecemos atualmente como cachoeira do Augusto. Além de terras nesta região, era proprietário de gleba no local denominado “Capãozinho”, na cabeceira de córrego de mesmo nome, na região da Firmeza, onde hoje é a comunidade da Estiva de Cima. 
Augusto Policena era um homem de grande inteligência e de incrível capacidade criativa. Seus filhos e netos relataram que fabricava agulha de máquina de costura, canivete e tocava berimbau que confeccionava, fabricava espingardas, ferramentas de uso doméstico, equipamentos para fazer roupas, dentaduras e uma infinidade de coisas. Supostamente, tinha um projeto de irrigação de terras próximas à Cachoeira para plantio de arroz, com águas retiradas gravitacionalmente a partir da sua cachoeira. 
Augusto faleceu na cidade de Orizona em 10 de julho de 1953, aos 66 anos de idade, depois de uma crise de saúde que durou cerca de cinco dias. O médico Joel de Andrade o atestou como causa de sua morte uma insuficiência cardio-hepática, em agravamento de uma hepatite crônica. Maria Rosa viveu mais alguns poucos anos. As suas terras, após inventariadas e negociadas entre irmãos e vizinhos, ficaram em partes com o filho mais velho Ramiro e com os descendentes de Avelino e Guilhermina Pereira de Castro. 
Em 13 de julho de 2013, os descendentes dos Policena Rosa de Catalão se reuniram na AABB de Orizona para o 1º Encontro da Família Policena, com a presença de familiares de diversas regiões de nosso país. 
Dos filhos de José Policeno Roza e Maria Silveria de Oliveira, sabemos da existência de: 
1. Augusto Policeno Rosa, casado com Maria Rosa de Mesquita. 
2. Antonio José Policeno Rosa, casado com Helena Rosa de Mesquita, filha de José Cirilo Coelho e Abadia de Mesquita. 
3. Benício Policeno Rosa. 
4. João Policeno Rosa. 
5. Maria Theodora Policeno Rosa. 
E essa história não fica por aí. Os Policenas são uma família bem maior, como retratado no vídeo abaixo, narrado por Penha Vieira e João Bosco Memede, tendo se espalhado por todo o Estado de Goiás, parte de Minas Gerais e outras regiões do país e do exterior.


OS PEREIRA DOS SANTOS: 
Membros da família Pereira dos Santos, que morava à margem do rio São Marcos, vieram juntos com os “Cassianos” na comitiva. Não temos muitas informações sobre essas famílias, mas, por relatos, sabemos que Joaquim Pereira dos Santos era casado com uma mulher indígena de nome Jovita. Esta era afamada por sua força física, que superava inclusive a dos homens mais fortes da região. 
O casal tinha já alguns filhos e Jovita estava nos tempos da migração, de resguardo do parto de Mariana Pereira dos Santos. Supostamente, ao ajudar numa travessia de um gado no rio, a mãe teve um mal súbito e veio a falecer. Joaquim mudou com os filhos para Campo Formoso. Mariana, que ainda era um bebê, ficou aos cuidados de Alfredo Silveira Mesquita e Laureana Bernardina da Silveira. Dos irmãos que temos informações: 
1. José Pereira dos Santos casou-se com Izaltina Rosa de Mesquita. 
2. Laudelina Pereira dos Santos casou-se com José Cassiano Rosa de Mesquita 
3. Mariana Pereira dos Santos casou-se com Ramiro Policeno Rosa, filho de Maria Rosa de Mesquita e Augusto Policeno Rosa. 
4. ‘Mazila’ Pereira dos Santos, casada com José Vieira. 
5. Manoel Francisco Pires casado com Angelina Rosa de Mesquita. 

OS PEREIRA DE MESQUITA E OUTROS TRONCOS FAMILIARES: 
Temos em Orizona a família Pereira de Mesquita, que não é do mesmo tronco familiar, mas são parentes não muito distantes. Os integrantes desta família, da descendência de Augusto Pereira de Mesquita, ao longo dos anos exerceram cargos importantes no município. Tomamos como exemplo os ex-prefeitos Benedito Pereira de Mesquita (1972-1973) e João Bosco Mesquita (2001-2004). Benedito também foi vereador, tendo mandatos de 1951-1954, 1955-1958, 1959-1962 e 1963-1965, ou seja, em quatro legislaturas seguidas. João Bosco foi vereador entre 1989 e 1992 e secretário de Agricultura entre 1997 e 2000. Silvio Mesquita foi vereador de 1966 a 1970. Pedro Pereira Mesquita, de 1959-1962 e 1963 a 1965 e Isidoro Pereira de Mesquita, de 1966 a 1970. A atual vice-prefeita, Roseli Gonçalves Marcelo, é esposa de João Bosco Mesquita, tendo sido uma primeira-dama querida e amada e a vereadora mais votada na legislatura anterior (2013-2016). Manoel José de Mesquita (Manezinho) é um grande comunicador, pioneiro no rádio com a rádio Cultura de Orizona, atuando ainda na rádio Orizona FM e na comunicação volante. Pedro Pereira de Mesquita Júnior (Pedro Júnior) é uma referência da comunicação visual em nosso país. 
Outro grupo familiar que assina Mesquita e que vive em Orizona é dos descendentes de João Mesquita, pai de Lázaro Mesquita (Lazico). 

LEGADO DOS ROSA DE MESQUITA:
A descendência desta família é em Orizona, uma das maiores atualmente, calculada em milhares de indivíduos. Desde a chegada, demonstraram o seu espírito empreendedor e criativo. Podemos mencionar, correndo o risco de esquecer alguns, a incrível inteligência e criatividade de Augusto Policeno Rosa e Gustavo Pereira de Castro, o espírito empreendedor de José Cassiano e Antonio Rosa de Mesquita, José Issa Mesquita e Augusto Pereira de Castro, Vicente Pereira de Castro, João José de Sousa e filhos, comerciantes, Antônio Policena Rosa (Tôe Purcena), ferreiro, José e Hélio Fernandes Mesquita, médicos, José de Sousa Peres (Zezé da Conceição) e Inês de Castro (viúva de Gustavo Pereira de Castro), escritores. José Issa, como agropecuarista, contribuiu sobremaneira para o melhoramento genético do rebanho leiteiro em Orizona. Maria da Penha Vieira, bancária aposentada, administra com o filho a Clínica Libesp, que recebe dependentes químicos. 
Antonio Cassiano foi vereador por Orizona.
No campo da política, Antonio Rosa de Mesquita foi vereador de 1947-1950, 1951-1954 e 1955-1958. Sebastião Rosa Mesquita exerceu o mandato legislativo entre 1955 e 1958. Alfredo Silveira Mesquita foi vereador de 1973 a 1975 e vice-prefeito. Sua esposa Regina Maria de Oliveira também foi vereadora de 1997 a 2000. João dos Santos esteve no legislativo municipal de 1983 a 2000, por quatro mandatos. A seguir, sua esposa Maria Pereira (Gracinha) foi vereadora de 2001 a 2007, por dois mandatos consecutivos, ainda exercendo mandato na legislatura seguinte após o falecimento de Idalício Leandro Teixeira. Os irmãos João e José Gonçalves Mesquita também foram vereadores: João de 1976 a 1982 e José, de 1997 a 2000. José Fernandes Mesquita foi vice-prefeito entre 2000 e 2004. Antonio José de Sousa foi vereador de 1976 a 1982 e de 1983 a 1988, sendo que o plenário da Câmara Municipal o homenageia. Altaídes de Sousa Filho é o atual presidente da Câmara Municipal de Orizona e está em seu segundo mandato consecutivo de vereador. Carlos Antunes de Oliveira foi vereador de 1989 a 1992 e atualmente é secretário municipal de Meio Ambiente. A professora Adriany Santos é a atual secretária municipal de Educação e Denise Mesquita, diretora da Escola Municipal Parque Infantil Dona Zulmira Gonçalves. 
Integrantes desta família, liderados por Gustavo Pereira de Mesquita, foram responsáveis pela criação do Firmeza Esporte Clube em 1942, uma das equipes de futebol amador mais tradicionais do município.
Firmeza Esporte Clube, fundado em 1942 por Gustavo Pereira de Castro.
Concluímos o texto continuando a solicitar que, aqueles e aquelas que tiverem conhecimento de informações novas ou não citadas a respeito dessa família, que nos remetam para contribuir com um texto.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA 
(Historiador, genealogista, escritor e servidor público) 
DANIEL FERREIRA DA SILVA 
(Historiador, genealogista, professor, escritor e colaborador do blog Historiografia para Catalão) 
MARIA DA PENHA VIEIRA 
(Genealogista, servidora aposentada do Banco do Brasil e empresária) 


* Publicamos este texto originalmente em 04 de maio de 2020. Agora, apresentamos este com acréscimos e novas informações importantes em 07 de dezembro de 2022.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Inventário - Luiz Gonzaga Peres

Pioneiro da família Gonzaga Peres de Orizona, Luiz Gonzaga Peres era morador da região do Taquaral, na época, município de Campo Formoso. O sobrenome foi uma homenagem dada a São Luiz Gonzaga e uma variação da assinatura Correa Peres.

JUIZO MUNICIPAL DO TERMO DE CAMPO FORMOSO

COMARCA DE BONFIM – GOIÁS

ESCRIVÃO: Virgílio Reis

JUIZ MUNICIPAL DO TERMO: Philippe Alves de Oliveira

INVENTARIANTE: Maria José da Cunha (viúva)

INVENTARIADO: Luiz Gonzaga Peres

PROCURADOR DA INVENTARIANTE: João Rodrigues Cordeiro (assinou os documentos pelo fato da inventariante ser analfabeta).

DATA DE ABERTURA DO INVENTÁRIO: 12/12/1925

DATA DO FALECIMENTO: 04/11/1925

 

Luiz Gonzaga Peres foi casado por três vezes: a primeira vez com Maria Marcellina, cujo do casal ficaram duas filhas; a segunda vez com Joaquina, cujo do casal ficou uma filha; e com Maria José da Cunha, tendo juntos onze filhos:

a) Herdeiras do casamento com Maria Marcellina, então falecida:

1) Elídia, casada com Vigilato Procópio de Freitas;

2) Maria Marcellina, casada com Roldão Raymundo Gomes.

b) Herdeira do casamento com Joaquina, então falecida:

1) Maria Luiza, casada com Antonio Pereira.

c) Herdeiros do casamento com Maria José da Cunha, então com 50 anos:

1) Joaquina Gonzaga Peres, casada com Benedicto Corrêa Peres;

2) Israel Gonzaga Peres, casado;

3) Braulina Gonzaga Peres, casada com João Mendes do Valle;

4) Ovídio Gonzaga Peres, casado;

5) Jovelina Gonzaga Peres, casada com Jonas Fernandes de Castro;

6) Josias Gonzaga Peres, solteiro, com 21 anos de idade;

7) Abel Gonzaga Peres, solteiro, com 17 anos de idade;

8) Florisa Gonzaga Peres, casada com Abrão Joaquim Bastos;

9) Maria Gonzaga Peres, solteira, com 14 anos de idade;

10) Maria Hosana Gonzaga Peres, solteira, com 12 anos;

11) Alonso Gonzaga Peres, solteiro, com 09 anos.

Obs.: não disponibilizaremos informações sobre as partilhas dos bens.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Curiosidades históricas de Orizona e Região - I

Efeméride pode ser um acontecimento relevante que é lembrado em seu aniversário. Os eventos que, por suas características, permanecem na história e são lembrados com o passar do tempo, constituem efemérides. Também se chama efemérides à celebração desses aniversários e ao comentário orientado para os acontecimentos de cada jornada.
O que pretendemos aqui pode ser algo parecido. Visamos registrar fatos históricos e acontecimentos de instituições, pessoas e famílias (batizado, nascimento, casamento e óbito) de pessoas que viveram em Orizona em regiões adjacentes nas últimas duas décadas ou mais. Por sua extensão, dividiremos essa história em mais de um texto, para não ficar muito extenso. Evitaremos citar fatos conhecidos ou já publicados, mas isso não é uma regra.
Nesse primeiro texto faremos referências a moradores de Santa Cruz, Campo Formoso (Orizona), Pires do Rio, Vai-Vem (Ipameri), Catalão, Santa Luzia (Luziânia), Morro Alto (Piracanjuba), Vila Bela (Morrinhos) Bela Vista e Bonfim (Silvânia). Também só traremos acontecimentos do século XIX.

01/01/1834 – Faleceu na freguesia de Santa Cruz, Manoel Mendes do Valle, morador de região onde é hoje o município de Orizona.

11/01/1899 – Nasceu em Bela Vista, Egerinêo Teixeira, filho de Epinona Marques de Motta e Brasilino Roque Teixeira. Foi um combativo jornalista e prefeito de Campo Formoso.

18/01/1898 – Faleceu Antonio Fernandes de Castro, esposo de Cassiana da Cunha Telles e filho de Joaquim Fernandes de Castro e Maria Rosa do Carmo. A sede de suas propriedades estava localizada na fazenda Pontinhas.

29/01/1837 – Se casaram na Igreja Matriz de Santa Cruz, o lavrador Antonio de Sousa Bastos (filho de Ignácio de Sousa Bastos e Marcellina Maria de Jesus), 21 anos, batizado na capela de Nossa Senhora do Carmo, em Araxá-MG), e Izabel Maria da Conceição (filha de Francisco Pereira e Maria Jozefa de Jesus), 18 anos, natural e batizada na Matriz de Piumhi, bispado de Mariana-MG.

31/03/1883 – Faleceu o Capitão Joaquim Fernandes de Castro, esposo de Maria Rosa do Carmo e morador da Fazenda Firmeza, filho de Luiz Fernandes de Castro e Ana Felizarda da Conceição.

26/04/1843 – Na Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, em Patrocínio-MG, receberam o matrimônio Florentino Vieira do Nascimento, lavrador, filho de Manoel Vieira da Motta e sua mulher Thereza Maria do Espírito Santo (falecida), naturais de Patrocínio-MG, com Maria Joanna de Jesus, 14 anos, filha de Manoel Pereira Cardoso (falecido) e de Justa Zeferina de Jesus, batizada na mesma freguesia. Celebrou o padre José Ferreira Estrella.

22/05/1839 – Foi batizado na Igreja Matriz de Santa Cruz, Ignácio, filho de José Archanjo Correa e Angela Pereira de Faria. Eram moradores da Fazenda Santa Bárbara. Foram padrinhos, José Francisco Correa e Thomásia Ribeiro de Jesus. A criança nasceu em 01/02/1839. Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

22/05/1845 – Batizou a Vicente, filho natural de Rita Angola, escrava de Francisco Pereira Cardoso. Foram padrinhos, Raimundo José Leão e Maria Gonçalves. A criança nasceu em 22/01/1845. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo.

22/05/1845 – Foi batizada na Capela de Nossa Senhora do Rosário, Santa Cruz, Carolina, filha de Francisco Pereira Cardoso e Anna Maria de Jesus. Foram padrinhos Manoel Mendes do Valle e Antonia Joaquina do Nascimento. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. A criança nasceu em 05 de março de 1845.

24/05/1833 – faleceu Bartholomeu Bueno de Câmara, descendente do Anhanguera, casado com Mariana Joaquina e morador do porto do Corumbá, em Santa Cruz.

25/05/1825 – Casaram em Santa Cruz, pelas 4 horas da tarde, Jozé Vaz da Costa (filho de Francisco Vaz da Costa e Ignácia Maria dos Santos), naturais de Araxá-MG, com Maria Roza Alves (filha de Francisco Alves de Magalhães e Tereza Tavares da Silva). Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

25/05/1836 – Se casaram na Igreja Matriz de Santa Cruz, Joaquim José Pinheiro (filho do Cap. Francisco José Pinheiro e Ana Maria Teixeira), naturais de Patrocínio-MG e moradores de Morro Alto, e Bárbara Maria Dias (filha de Jozé Dias de Andrade e Joaquina Constância de Jesus), naturais de São Brás de Alcântara-MG. Celebrou o vigário Antonio Joaquim Teixeira.

26/05/1844 – faleceu aos 64 anos o vigário colado Antonio Joaquim Teixeira, também conhecido como Provedor Teixeira. Foram muitos os serviços prestados à freguesia de Santa Cruz. Na região do atual município de Orizona, foram muitas as desobrigas realizadas e os sacramentos administrados nas fazendas. Foi sepultado na matriz de Santa Cruz.

28/05/1825 – faleceu Maria da Paixão Solidade, casada com o Capitão Vicente Miguel da Silva, importante pioneiro de Bonfim.

02/06/1844 – faleceu em Bonfim o sargento-mor Caetano Teixeira Sampaio, casado com Maria Nunes e filho do Capitão Caetano Teixeira Sampaio, um dos mais importantes cidadãos daquela vila.

04/06/1823 – O marechal Raymundo José da Cunha Mattos, comandante das Armas, a caminho de Villa Boa, capital da província, pernoitou no sítio do Baú, da senhora Maria da Luz.

05/06/1840 – No sítio Santa Bárbara, Santa Cruz, pelas 10 horas da manhã, na presença do padre Antonio Ferreira de Lima, casaram Antonio Correa Peres, 24 anos, filho legítimo de Jozé Correa Peres e Anna Joaquina do Espírito Santo, natural de Santana da Barra do Espírito Santo-MG; e Anna Joaquina do Espírito Santo, 22 anos, filha de José Antonio de Mello e Custódia Maria de Jesus, natural de São Francisco de Paula-MG.

06/06/1850 – faleceu Thereza de Jesus, esposa de Manoel Gonçalves Pereira, sepultada na Capela do Rosário, em Santa Cruz.

13/06/1831 – Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Santa Cruz, casaram Jozé Mendes de Assumpção, filho de Manoel Mendes do Valle e Venância Rodrigues da Silveira, naturais de Araxá-MG, e Anna Esmeria de Jesus, filha de Joaquim Rodrigues do Nascimento (falecido) e Jacintha Maria do Espírito Santo. Celebrou o Provedor Teixeira. Essas famílias viviam em regiões próximas ao córrego do Baú, Areias e onde hoje é o povoado de Montes Claros.

29/06/1838 – Batizou na fazenda Macaúba, em Santa Cruz, a Maria, filha do Ten. Jacintho Pereira Cardoso e de Anna Roza da Conceição. Foram padrinhos o padre Antonio Joaquim Teixeira (celebrante) e Maria Roza de Jesus (filha de Jacintho).

30/06/1838 – Se casaram em Santa Cruz, o agricultor Francisco Pereira Cardoso (filho de Jacintho Pereira Cardoso e Joaquina Rosa de Jesus - falecida), 20 anos, com Anna Maria de Jesus (filha de Jozé Affonso da Silva e Joaquina Rosa de Jesus), 20 anos, sendo os noivos naturais da freguesia de Araxá-MG (ele, em Patrocínio). Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

07/07/1895 – Nasceu em Leme/SP, Raphael Leme Franco, conceituado médico de Campo Formoso por mais de cinco décadas. Foi poeta e cronista em vários jornais.

17/07/1848 – Casou por palavra Bento Correa Peres, viúvo de Teodora Ribeiro de Jesus, com Rita Ferreira da Silva, filha de Francisco Ferreira da Silva e Maria Ribeiro de Jesus. Celebrou o padre Antonio Francisco Nascimento.

23/07/1862 – O alferes José Pereira Cardoso e a esposa Anna Luíza da Cunha foram padrinhos de uma criança de nome José, filho de José Vieira da Cunha e Lucinda Maria da Cunha, moradores da fazenda Burity do Córrego Fundo, em Santa Luzia. O sacramento foi dado pelo vigário de Santa Cruz Antonio Luis Brás Prego com autorização do vigário de Santa Luzia.

09/08/1876 – Pela Resolução Estadual nº 570, foram as transferidas as regiões de Firmeza e Campo Aberto de Santa Cruz para Bonfim.

10/08/1828 – Casaram em Santa Cruz, os irmãos Ignácio Correa Peres e Anna Joaquina do Espírito Santo (filhos de Jozé Correa Peres e Maria Joaquina de Jesus), naturais de Santana da Barra do Espírito Santo (distrito de Patos de Minas) e moradores da fazenda Santa Bárbara; com os irmãos Belizária Maria de Jesus e Joaquim Alves Cabral (filhos de Francisco Alves Cabral e Maria Roza de Jesus), respectivamente, naturais de Araxá-MG e moradores da Fazenda Areias.

11/08/1890 – Faleceu na Fazenda Firmeza do José Pereira Cardoso Primo, esposo de Escolástica Maria do Carmo, filho Manoel Pereira Cardoso e Justa Zeferina da Conceição e genro do Cap. Joaquim Fernandes de Castro.

23/08/1873 – Criadas as Comarcas de Santa Cruz e do Rio Tocantins. A comarca de Santa Cruz passava a ser composta pelas vilas Bella de Morrinhos e Santa Cruz, desmembrando as comarcas do Rio Paranahyba (Catalão, Calaças, Santo Antonio do Rio Verde e Itumbiara) e do Rio Corumbá (Bonfim, Bela Vista e Campinas).

02/09/1844 – Às 7 horas, na Fazenda Firmeza, em Santa Cruz, casaram Manoel Pereira Cardoso, filho legítimo do finado Manoel Pereira Cardoso com a sua esposa Justa Zeferina de Jesus; e Anna Carolina de Jesus, filha legítima de Joaquim Fernandes de Castro e de Justa Maria do Carmo (falecida na data). Celebrou o padre Antonio Joaquim Araújo de Mello.

14/09/1880 – Nasceu em Campo Formoso, Olímpio Pereira Cardoso, filho do Capitão José Pereira Cardoso e de Maria Vieira d’Abbadia.

15/09/1891 – Cidadãos enviam abaixo-assinado ao presidente do Partido Republicano Federal, cônego Inácio Xavier da Silva, agradecendo pelo empenho que permitiu a elevação do vilarejo dos Correas a Distrito de Paz e Policial de Campo Formoso.

22/09/1888 – Faleceu em sua residência, na Fazenda Cuiabanos, a Sra. Ana Angélica de Jesus, esposa de Albino Fernandes de Oliveira.

27/09/1829 – Casou em Santa Cruz, João Teixeira Sampaio, filho do Cap. Caetano Teixeira Sampaio e de Anna Neto da Costa, com Marianna Alves Rodrigues, filha do Alferes José Alves Rodrigues e de Josefa Fagundes de Faria. Celebrou o padre Antonio Joaquim Teixeira.

08/10/1848 – Na Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Cruz, na presença das testemunhas Antonio Rodrigues do Nascimento e Manoel Pereira Cardoso e do vigário Antonio Francisco do Nascimento, receberam o matrimônio Jacintho Pereira Cardoso Júnior (filho de Jacintho Pereira Cardoso e Joaquina Rosa de Jesus), e Balbina Maria de Jesus (filha de Fulgêncio de Sousa França e Rita Maria de Jesus).

28/10/1845 – Foi batizado na Fazenda Firmeza, José Fernandes de Castro (Zeca Fernandes), filho legítimo de Joaquim Fernandes de Castro e Maria Rosa do Carmo. Foram padrinhos Vicente Fernandes de Castro e Ana Rosa da Conceição. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. O mesmo nasceu em 21 de setembro de 1845.

28/10/1845 - Foi batizado na Fazenda Cachoeira, atualmente Orizona, Joaquim, filho legítimo de Manoel Gonçalves Pereira e Maria Joaquina Silveira. Foram padrinhos Manoel Pereira Cardoso e Anna Carolina de Jesus. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo. O mesmo nasceu em 05 de outubro de 1845.

28/10/1845 – Batizou-se na fazenda Cachoeira, a João, filho de Marianna Parda, escrava de José Gonçalves Pinheiro (genro de Jacintho Pereira Cardoso). Foram padrinhos Manoel Pereira e Eufrásia Crioula. A criança nasceu em 23/08/1845. Celebrou o padre João Batista de Sousa Lobo.

08/11/1899 - Faleceu no distrito de Campo Formoso, o Cap. José Pereira Cardoso, pioneiro na região.

27/11/1826 – Casaram em Santa Cruz, João Antonio de Araújo Valle, filho do capitão-mor João Antonio de Araújo Valle e de D. Innocência Cândida de Menezes, naturais de Pitangui-MG, e Maria Luíza de Jesus, filha do capitão Francisco José Pinheiro e Anna Maria Teixeira, naturais de Patrocínio-MG. São antepassados do escritor Leo Lynce e fundadores de Morro Alto.

30/12/1848 – Batizou a Gabriel, filho de Luíza, escrava de Joaquim Fernandes de Castro. Foram padrinhos: Manoel Pereira Cardoso e Anna Carolina de Jesus. Celebrou o padre Antonio Joaquim de Azevedo.

CONTINUA...

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

17 de julho de 1999: o dia que mudou as nossas vidas

O dia 17 de julho tem para mim um sentido muito especial. Primeiramente porque nasceu nesta data minha irmã Ionara Rosa de Lima, confidente e parceira de todas as horas. Depois, porque foi nesta data que perdi um breve e grande amigo: o Guilherme Pereira Machado. Foi em 1999, há mais de vinte e três anos.
Em 1999 foi o primeiro ano de funcionamento da Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI). A partir de articulações desde de 1997, lideradas por Antônio Pereira de Almeida (Baiano) e o professor João Batista Pereira de Queiroz, ambos da Comissão Pastoral da Terra, e de lideranças do Centro Social Rural de Orizona (entre essas destaco Manoel Ribeiro de Oliveira, Sebastião Fernandes de Oliveira e Francisco Pereira de Lima), resolveu-se colocar em funcionamento da escola naquele ano.
No intervalo desses dois anos, Baiano, Queiroz, as lideranças do Centro Social e educadoras como Aparecida Maria Fonseca e Luísa Maria Ribeiro Almeida fizeram um intenso trabalho de base por todo o município de Orizona, a fim de mobilizar a comunidade.
Com a parceria da Prefeitura Municipal de Orizona foi realizado o empréstimo da Escola Municipal Rio do Peixe. O prefeito era Anteres Vieira Pereira. Esse prédio estava inacabado e com pendências. A comunidade do Rio do Peixe não ficou satisfeita com a decisão da Prefeitura. Por isso, quando chegamos, uma das preocupações foi o relacionamento daqueles que ali viviam.
Depois de um mutirão, com a participação das famílias dos matriculados na EFAORI, para fazer algumas adequações no prédio, afinal a escola funcionaria por internato. Em 1ª de março de 1999 aconteceu a assembleia de abertura e a aula inaugural, em um dia muito chuvoso.
O tamanho da primeira turma variava, mas os que se estabeleceram no início foram 23 estudantes, de várias regiões de Orizona e Luziânia. Éramos uma turma rebelde, questionadora, tentando descobrir as possibilidades, mas muito comprometida com as atividades, principalmente as práticas, coordenadas pelo professor Felipe Antonio Dias (atual perfeito). A equipe de trabalho também era composta no primeiro ano por Francisco Pereira de Lima (Chiquinho), dona Maria do Dão (teve também a dona Rita), João Batista Queiroz (que assessorava a equipe pedagógica), Aparecida Fonseca, Luisa Ribeiro Almeida, Lúcia Claret Pereira e Antônio Baiano.
Ao final do primeiro semestre, aconteceu assembleia com as famílias, algo que acontece ainda hoje. Nessa altura, a turma tinha superado a maioria das diferenças e éramos um grupo bastante unido. O Guilherme, ao final da assembleia e do almoço coletivo, quando se despediu de meu pai João Bosco de Lima, disse:
- Nos vemos em agosto - contudo, isso não aconteceu.
Éramos em 1999 uma turma muito animada, que ‘pegava pra valer’ nas atividades práticas e jogávamos futebol, ora na quadra de cimento, ora no campo de futebol do Rio do Peixe. Também tinham as partidas de truco com vários praticantes e as rodas de violão com o Fábio Borges.
Dormíamos todos os homens em uma sala de aula improvisada para ser dormitório. Chegamos a pernoitar 20 jovens no mesmo quarto. As meninas, que eram três, dormiam em outra sala, com a monitora da noite. Quando deitávamos as 22 horas, sempre aguardávamos chegar por volta das 23 horas acordados, quando o Guilherme sempre conversava enquanto dormia. No outro dia, inventávamos um monte de mentiras sobre o que teria dito em seu sonambulismo.
No final de junho, saímos para as primeiras férias, cada qual para a sua propriedade rural, em localidades espalhadas pelo município de Orizona e também em Luziânia. Boa parte vivia na região do Buritizinho. Guilherme era um desses. Morava com a família no Mandaguaí, município de Luziânia. Também mantinham uma propriedade rural na região do Piracanjuba, próximo a Maniratuba. Guilherme era, apesar da juventude, um homem maduro e robusto, inteligente, bom jogador de futebol, cheio de amigos e querido pelas garotas.
Na tarde do dia 17 de julho, como de costume, Guilherme e seu irmão mais novo Ernane transitavam entre as duas propriedades e próximo ao distrito de Maniratuba se chocaram frontalmente com outro veículo. Acidente frontais geralmente são terríveis.
Como de costume, naquele final de tarde eu jogava futebol no campinho da nossa comunidade na região da Firmeza, construído na propriedade do Ramos de Sousa. Por acaso, tive um mal-estar, que me deixou com as ‘pernas bambas’, a ponto de ter que me sentar, algo muito anormal para alguém de 15 anos, com a forma física e saúde em dia. Pouco tempo depois, o Chiquinho, que também era da comunidade, veio e avisou ao Máximo de Castro e a mim sobre o ocorrido. Máximo era o único colega da mesma comunidade que eu.
No outro dia fomos para o velório, na propriedade da família, na região do Mandaguaí. Era impossível pior impressão: o velório foi de uma dor terrível. Era desesperadora a situação da família, que via no caixão o corpo de um filho, sobrinho, cunhado, primo e irmão já desfalecido, e ainda tinham que se preocupar o estado gravíssimo de saúde do Ernane, que era mais ou menos da minha idade.
A comunidade EFAORI, que ainda era pequena, compareceu integralmente. Não faltou nenhum dos colegas de sala, nenhum dos funcionários. Também foram várias famílias de estudantes, associados e diretores do Centro Social e parceiros da escola. Todos estiveram juntos e choraram ao lado da família, sem que ninguém arredasse o pé.
Depois do velório e da celebração na capela de Maniratuba, o plantaram no solo, no cemitério daquele distrito. Depois teve a missa de sétimo dia e o Ernane foi se recuperando, graças a Deus. Parece que inconscientemente ou secretamente, assumimos o compromisso de continuar a caminhada pelo Guilherme.
Acredito que, apesar de todo o processo de criação da EFA, aquela segunda quinzena de julho de 1999 foi a fundação definitiva da escola (claro que digo isso simbolicamento). Em agosto, estávamos todos de volta à escola do Rio do Peixe, sentindo aquele vazio, mas motivados a continuar aquele projeto, que não sabíamos onde iria chegar. Antônio Baiano comentou algumas vezes que aquele grave acontecimento uniu a turma de tal forma que permitiu a continuidade da EFA.
No segundo ano, adquirido com recursos da entidade belga SIMFR/ DISOP e da Prefeitura de Orizona, a escola passou a funcionar em terreno próprio, nas proximidades da cidade de Orizona, na antiga chácara do Miguelão. Ali, juntamente com outra turma e novos professores (César e José Augusto) e funcionários (José Francisco, Vasco e Maria Gomes), começamos novamente quase do zero. Depois vieram outras turmas, outros monitores, outros funcionários, outras famílias.
Em 22 de dezembro de 2001, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orizona, colamos grau e diplomamos os mesmos vinte colegas que retornaram em agosto de 1999:
- Adair José Pereira
- Alberto Caixeta de Sousa
- Amador José Caixeta Júnior
- André Alistor de Oliveira
- Anselmo Pereira de Lima
- Ernando da Silva Pereira
- Fabiano Peres
- Fábio Borges de Oliveira
- Fábio Sebastião de Lima
- Fernando Fernandes de Oliveira
- Ivan Carlos Caixeta
- João Flávio Caixeta
- Júlio César Caixeta
- Keila Maria Lúcio
- Mariana Correia
- Máximo de Castro
- Luciano Alves Ferreira
- Osmando Ferreira de Sousa
- Samuel Matias de Araújo
- Solange Pereira.
Em 2007, quando eu era professor/ monitor na EFAORI, outro fato parecido voltou a nos abalar numa manhã de segunda-feira, o estudante Maximiliano, enquanto seguia para a sessão escolar na EFA, se chocou com um caminhão e também faleceu. Mais uma vez a escola se uniu e enfrentou mais uma tragédia envolvendo estudantes. Depois daí, outros egressos se foram por problemas de saúde e nos deixaram um vazio muito grande: Lucas, Jozélio e Fabrício.
São mais de vinte e três anos desde a morte do Guilherme, a EFA segue o seu propósito, de formar cidadãos e cidadãs técnicos e técnicas em Agropecuária pela Pedagogia da Alternância. E se prepara para receber a 25ª turma em 2023, com uma demanda cada vez maior. E faz isso de forma muito competente, para orgulho daqueles e daquelas que pela EFA passaram e deram a sua parcela de contribuição e que por outro lado, receberam muito da escola.

NOTA 1: Em 2001, foi inaugurada a praça de esportes da Escola Família Agrícola de Orizona, com a presença da família do Guilherme e realização de torneios de futebol Society. Foi descerrada uma placa, dando o nome à praça de Guilherme Pereira Machado. Por uma necessidade de gestão, posteriormente a praça de esportes teve que ser transferida para outro local da escola.

NOTA 2: Por ter um caráter muito pessoal, peço perdão desde já, caso tenha ofendido ou contrariado alguém com esse texto. Afirmo que foi com a melhor das intenções que o escrevi e com o propósito também de homenagear um amigo e também a EFAORI.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A trajetória de Jacintho e a sua colaboração na formação da região do Taquaral

Temos em Orizona a tradição de chamarmos uma grande descendência familiar pelo nome de um antepassado comum. Daí, temos ‘os Jacintos’, ‘os Albinos’, ‘os Venâncios’, ‘os Lourenços’, entre outros, mesmo que a pessoa não tenha herdado o sobrenome. Neste texto, trataremos do antepassado comum de uma importante família do Taquaral, que se espalhou pelo município de Orizona: Jacintho Pereira Cardoso Júnior.
Jacintho Júnior nasceu em 1827 em Patrocínio, Minas Gerais, filho de Jacintho Pereira Cardoso e de Joaquina Rosa de Jesus, sendo que a mãe faleceu em 20 de maio de 1829. Era o irmão mais jovem do capitão José Pereira Cardoso (nomeado capitão da Guarda Nacional em 1883, lotado na 3ª companhia de Santa Cruz). Seu pai era filho de Manoel Pereira Cardoso e Ana Joaquina de Jesus e a mãe, filha de Antonio Gonçalves Pinheiro e Violante Antonia de Jesus.
A família paterna tinha origem na ilha de Açores, em Portugal e a materna, migrou de São Francisco de Paula para Patrocínio. Cabe aqui fazer referência a pesquisa do escritor e médico Fabrício Nunes, que publicou recentemente Fazenda Marinheiro – Orizona: uma viagem genealógica entre a Europa e os sertões do Brasil (2022), um trabalho primoroso que traz informações inéditas a respeito de algumas famílias. Em suas indagações em Patrocínio, contou com o apoio de Adeilson Batista, importante odontólogo e historiador. Em breve, traremos em parceria com o administrador de empresas e agropecuarista Jeová Vieira, mas informações interessantes sobre a história desta família, especialmente em Orizona.
Ficando órfão de mãe, Jacintho Jr teve o cuidado de mulheres escravizadas e da segunda esposa do pai, Anna Rosa da Conceição. Seu pai Jacintho, o tio Francisco, a tia Justa Zeferina e os irmãos Maria Roza de Jesus, Antonio e João Pereira Cardoso foram os pioneiros da família a ocupar o sertão de Santa Cruz, ainda na década de 1830. Jacintho, o pai, vivia em Vai-Vem (Ipameri), Francisco Pereira Cardoso na região da Cachoeira, a tia Justa, viúva de Manoel Pereira Cardoso Filho, tinha terras na Firmeza e Taquaral. O irmão João, Antonio e Maria viviam no Vai-Vem. O irmão Francisco (Chico Grosso) também foi para a Cachoeira e José Pereira Cardoso, apesar de não termos documentos sobre a sua chegada, estava casado com a primeira esposa e foi viver na região da Pedreira de Baixo, Santa Luzia (Luziânia). Depois, todos esses foram expandindo seus domínios para onde hoje é Orizona, num grande raio a partir da Cachoeira. Diferente do que se pensa, essas famílias mantiveram o vínculo com as comunidades de onde vieram (Minas Gerais) e tinham ali, propriedades e negócios.
Jacintho Júnior, mesmo antes da vida matrimonial, já possuía terras sob a sua responsabilidade. Da herança de seu pai, falecido antes de 1857, pelo menos parte foi vendida ao irmão Francisco. Parte de suas terras vieram também da herança junto ao sogro Fulgêncio de Sousa França, da região do Taquaral, falecido em 1856 (ver o blog Historiografia para Catalão).
Casou-se com Balbina Maria de Jesus, filha de Fulgêncio e Rita Maria de Jesus, na Capela de Nossa Senhora do Rosário de Santa Cruz em 09 de outubro de 1848, tendo como celebrante o padre Antonio Francisco do Nascimento e padrinhos, Antonio Rodrigues do Nascimento e Manoel Pereira Cardoso. Do consórcio, tiveram os seguintes filhos:
1. Eduardo Pereira Cardoso, casado com Ana Vieira de Jesus; depois com Carolina Vieira de Jesus; e Theodora Maria de Jesus.
2. Nicolau Pereira Cardoso.
3. Zeferina Maria de Jesus, casada com Emídio Correa Peres.
4. Carolina Maria de Jesus, casada com Gabriel Pereira da Cunha.
5. Terêncio Pereira Cardoso, casado com Rosenda; e depois casado com Paula Francisca Piedade.
6. Antonio Pereira Cardoso.
Jacintho Júnior, além da atividade agropecuária, teve uma importante carreira política, representando os interesses de Campo Formoso ou Correia junto a Santa Cruz. Em 1866, no esforço da chamada Guerra do Paraguai, doou o dízimo, juntamente com outros produtores, para auxilio à Província de Goiás.
Em 1869, foi listado na seleta e restrita relação de votantes de Santa Cruz, que podiam se tornar vereadores. Em 1872, teve 79 votos em Santa Cruz enquanto candidato a deputado provincial, o sexto mais votado no colégio. Em 1873, foi nomeado terceiro suplente de juiz municipal e de órfãos, tendo prestado juramento à Câmara Municipal em 19 de junho daquele ano. Novamente foi nomeado para a função em 1876. A partir desta data, não temos registros a respeito de Jacintho.
Dentro da família de Jacintho, a maioria se dedicou a agricultura e aos cuidados domésticos. Eduardo era famoso carreiro e Terêncio, que herdou parte dos dons do pai, também se dedicou a política e ao serviço público, além de ter mantido uma pequena farmácia, sob orientação da tia Maria Vieira d’Abbadia, esposa do Cap. José Pereira. O povoado do Taquaral foi construído em área doada pela família de Eduardo Pereira Cardoso. Sua terceira esposa, Theodora, foi quem se encarregou de providenciar a transferência da documentação da área da Capela para a Paróquia Nossa Senhora da Piedade.
Taquaral é uma região que cresceu e se fortaleceu muito aos longos dos anos, graças a um forte espírito comunitário e associativista. Desde meados de 1770, quando foi aberta a picada de Santa Luzia a Bonfim (Silvânia), que corta a região, o povoamento aumentou e cresceu mais a partir dos anos de 1820, com a onda migratória de Minas Gerais para o sul de Goiás. Viajantes estrangeiros nas primeiras décadas do século XIX também passaram por ali e teve quem registrasse a respeito. O marechal Cunha Mattos, registra em seu diário de viagem que em 31 de agosto de 1823 dormiu na beira do ribeirão Santana e que, graças a um oficial contador de histórias presente em sua comitiva, teve muito medo. O mesmo contava que uma sucuri que maior não tivesse vivia por ali e atacava as pessoas, causando algumas vítimas.
Além dos descendentes de Fulgêncio e Jacintho, tempos também os que vieram depois de José Francisco Correa, Manoel Joaquim Bastos, Francisco Rodrigues Xavier, além de outras famílias que vieram para região e também contribuíram com a comunidade desde então. Por que não falar dos Cunhas, Vieiras, Oliveiras, Martins, Linos, Guimarães e muitos outros?

APÊNDICE POLÊMICO:
O sogro de Jacintho, Fulgêncio de Sousa França ou Fulgêncio Caetano de Sousa, veio de Itabira do Mato Dentro, em Minas Gerais. Instalado na região do Taquaral, tinha propriedades confrontantes com os Correas, os Barbosas, os Sousa Bastos e os Fernandes de Castro. Conforme registros dos padres Ramiro de Campo Meirelles e José Trindade da Fonseca e Silva, foi esse mesmo Fulgêncio que construiu inicialmente a capela, que foi doada por João Correa Peres.
Alguns estudiosos da história orizonense considera o Esboço Histórico da Paróquia N. Senhora da Piedade Orizona – Arq. De Sant´Ana – Goiaz (1945) descabido ao fazer essas afirmações, mas, depois de tanto buscar entre as traças, acredito que é o mais plausível. João Correa é uma figura muito presente na metade do século XIX em Santa Cruz e Capela dos Correas, assim como Antonio, José Arcângelo e Bento, todos filhos de Jozé Correia Peres, originários de Santa da Barra do Espírito Santo (Santana dos Patos), hoje distrito de Patos de Minas. Sobre Fulgêncio, não encontramos nenhuma informação, a não ser de Fulgêncio Correa Peres, filho de Zeferina Maria de Jesus e Emídio Correa Peres e portanto, bisneto do outro Fulgêncio (informação dada por José Correia a Jeová Vieira). Obviamente este viveu bem mais recentemente.
Esse impasse histórico inclusive foi citado em ORIZONA: CAMPO E CIDADE (2010), de Olímpio Pereira Neto.
Agradeço também às contribuições do amigo Paulo Sampaio, gestor da cultura em Pires do Rio, que nos disponibilizou informações importantes para esse texto.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

Foto: Nilsinho Vaz.

sábado, 26 de novembro de 2022

As histórias contadas por meu pai embalaram uma vida toda

Em setembro de 2021, na primeira consulta com a Dra. Flávia de Castro Vellasco, no Hospital das Clínicas de Goiânia, decidimos encaminhar a documentação para pleitear uma vaga na lista de transplante pulmonar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. O pedido, enviado pela assistência social do HC/UFG, andou muito rápido à Central de Transplantes e logo fomos chamados para a primeira consulta na capital gaúcha, realizada em 03 de dezembro subsequente.
Nesse interim, minha esposa Iara, que na prática é quem coordena o tratamento e providencia os encaminhamentos mais importantes, procurou conhecer melhor os trâmites, pessoas que estavam em lista e transplantados, e mesmo os profissionais de saúde envolvidos. Entre estes, o pneumologista e cirurgião torácico J.J. Camargo (já escrevi sobre ele antes), uma lenda viva em Porto Alegre. Sua fama o precede e não seria por menos: a Santa Casa se tornou uma das grandes referências no país em transplantes de diversas naturezas especialmente por causa da equipe vem coordenando.
Camargo, fora do centro cirúrgico, e um ótimo contador de histórias e ‘causos’ (como dizem os goianos), com uma fala agradável, pausada, que abrilhanta lives, podcasts, conferências, mesas redondas, além de abrilhantar semanalmente as páginas do jornal Zero Hora e encadernações de diversos livros de crônicas que publicou, alguns se tornando best-sellers. Pudemos conhecer os dois lados do médico e professor. E nos encantamos (minha mãe então nem se fala).
Do outro lado, vivendo em uma chácara no município de Pires do Rio, meu pai João Bosco possui um currículo escolar bem mais modesto que o Camargo, mas isso não o desmerece em sua trajetória pessoal de agricultor, líder comunitário, cooperativista e sindical. Mas pretendo falar desse homem fascinante por um viés pessoal (de filho), que ao lado pude viver alguns dos melhores momentos de minha vida, alguns em meio à dor e ao medo.
Para a maioria das pessoas, talvez isso seja irrelevante, mas chama a atenção o quanto meu pai e seus irmãos tem um dom para ouviu uma história e reconta-la dezenas de vezes de forma fidedigna. Parece que essa característica que foi herdada de minha avó paterna Catarina, que herdou de sua mãe Luzia.
Certa vez meu pai contou sobre um episódio conhecido em Orizona: a briga entre a família Veloso e os ciganos, que ouviu de sua avó Luzia há mais de trinta anos (nossa família era próxima dos Veloso). O relato trágico é incrivelmente parecido com o que aparece no livro Nomes de Nossa Terra, do professor Olímpio Pereira Neto, mas certamente não lera aquela publicação para repeti-la.
Em minha infância e adolescência na região da Firmeza, o trabalho começou muito cedo, por volta de meus cinco anos de idade. Lembro que no início tinha dificuldades até de erguer a ferramenta, mas o trabalho era necessário. Apesar da preguiça comum a infância e juventude, meu pai criava artifícios para que me concentrasse e motivasse no serviço. Uma vez, roçando uma capoeira na terra de meu avô paterno, estava cortando muito alto com a foice. Para me repreender disse:
- Se você não cortar o mato mais baixo, vai espetar os aviões que costumam passar voando por aqui.
Ao longo dos anos, uma diversidade de tarefas (capina, roçagem da pastagem, plantio e até a colheita dos grãos, manejo do gado e porcos, viagens de trabalho e passeios a cavalo muitas outras) se tornaram agradáveis por sua presença e pela conversa diária, contações de histórias de episódios que aconteceram com familiares e pessoas conhecidas do presente e do passado. São contos do dia a dia que encheriam muitos livros, caso fossem escritas. E ele abrilhanta as suas histórias com imitação dos personagens reais e de um toque de humor. Também é um ótimo contador de piadas. Quantas vezes o ouvi contando sobre Zé Vicente, João Vicente, seu Jovando, Dito Pedro, Joaquim Gregório, o bisavô Manoel, tio Miguel Sousa, tio Venerando, vó Carola, vô Jesus, a trisavó Jovita, e muitos outros.
Depois de minha juventude e início da vida adulta, que fui ‘cuidar de minha vida’, afastamos um pouco. As antigas atividades juntos retomaram depois que papai e principalmente eu fomos cuidar da saúde e um pode contar com o outro durante o tratamento (principalmente eu pude contar com ele). Juntos por horas, colocamos o papo em dia. Tento também contar minhas histórias, mas não são verdadeiras e confiáveis como as suas, pois tenho uma memória que me trai.
Recentemente, o escritor Fabrício Carpinejar disse em seu livro Cuide dos pais antes que seja tarde que “Todo filho é pai da morte de seus pais”. Seu pai, o imortal gaúcho Carlos Nejar disse em seu Crônicas de um imortal ou (in)vento para não chorar que a nossa morte não pertence a terceiros, nem aos filhos, já que ninguém poderá vivenciá-la em nosso lugar ou ao nosso lado. Contudo, a velhice poderá ser compartilhada com nossos entes. E se espera que isso aconteça.
Meu pai (e minha mãe) estão, por necessidade e por necessidade, prolongando os seus deveres para comigo e isso dobra a minha responsabilidade para com eles em suas velhices ou situações de doença. E isso também estende no caso de minha família que vive em Porto Alegre, uma vez que esposa e filhos também se tornam meus pais e mães.
E quero poder ouvir muitos causos de meu pai, seja numa viagem de carro, na roçagem de pasto, na capina da lavoura, no cuidado dos porcos. Quem sabe, possamos publicar um pouco dessas histórias tão interessantes e revigorantes e contribui muito para conhecer a história de nosso município de Orizona e de toda a região. E que isso seja estendido aos demais, que caminham de forma tão firme a meu lado.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

As Homenagens por ocasião da morte de Egerinêo Teixeira

Estamos seguindo para o terceiro texto subsequente em que tratamos de algum fato ou momento da vida do jornalista e ex-prefeito de Orizona Egerinêo Teixeira. Há sete anos aproximadamente, que venho dedicando a pesquisar sobre a vida e obra do mesmo. Nesse período, selecionamos algumas centenas de documentos para o que seria um livro sobre a sua vida, mas que não foi possível por enquanto.
A partir da pesquisa sobre Egerinêo que avancei no estudo sobre a história da região sudeste de Goiás, especialmente de Orizona, além da genealogia das principais famílias. Parto do princípio que, dentro do possível, toda pesquisa deve ser documental e que os relatos orais servem para direcionar os estudos historiográficos. E é assim que faço em todos os textos em que apresento estudos históricos.
Com o falecimento, Egerinêo, que era muito próximo de Cônego Trindade, apesar de não ser um cristão devoto, foi sepultado na Igreja Matriz de Campo Formoso, junto de alguns notáveis e políticos influentes, como o seu sogro Cel. José da Costa Pereira Sobrinho. O prefeito nascera em 11 de janeiro de 1899 em Bela Vista-GO, filho de famílias principalmente de Santa Cruz (falaremos de sua biografia posteriormente).
Após a sua morte, recebeu muitas homenagens em outros municípios da região, sendo homenageado com nomes de ruas, avenidas, praças e povoados. Em Campo Formoso, até que fosse nomeado um prefeito interventor, seu sobrinho Geraldo Araujo Valle (filho do irmão Idomineo Marques) assumiu a função de encarregado de expediente da Prefeitura e emitiu os decretos nº 19, 20 e 21, abrindo crédito suplementar e normatizando homenagens. Sebastião Lobo, importante comerciante e fazendeira de Bela Vista, era naquela época prefeito do município e parente de Egerinêo. Assim, como primeira iniciativa, o homenageou dando nome da Rua 24 de outubro para Rua Egerinêo Teixeira, pelo decreto municipal nº 10. Um ofício foi encaminhado à viúva Carolina Teixeira, com data de 04 de julho de 1938:

 

“PREFEITURA MUNICIPAL DE BELLA VISTA

ESTADO DE GOYAZ

 

Em 4 de Julho de 1938.

 

Exma. Sra. Dona Carolina Teixeira.

 

                Comunico-vos que esta Prefeitura, prestando de uma singela homenagem e memória do grande filho de Bela-Vista que tombou morto, covardemente assassinado, no cumprimento de seu dever, baixou o decreto nº 10, do qual incluo a este uma cópia, que dá o nome de Rua Egerineu Teixeira a uma das principaes artérias desta cidade.

 

                Respeitosas saudações.

 

SEBASTIÃO LOBO

Prefeito.”

 

                Exatamente um mês depois, a esposa respondeu ao ofício, num gesto de agradecimento:

 

“Campo Formoso, 4 de agosto de 1938

 

Exmo. Sr. Sebastião Lobo

DD. Prefeito Municipal

BELA VISTA

 

                Acuso o recebimento do ofício s/n, datado de 4 de julho próximo findo, de V. Excia., em que teve a bondade de me comunicar da mudança do nome da Rua 24 de Outubro, dessa cidade, para o nome do meu falecido marido Egerinêo Teixeira, assim como da cópia do decreto relativo a essa mudança, lavrado por V. Excia.

                Peço a V. Excia. Que compreenda a minha gratidão por esse gesto de homenagem à memória do meu esposo, pois essa gratidão é daquelas que não se expressa por palavras.

               

                Atenciosas saudações.

 

CAROLINA TEIXEIRA”

 

                O primeiro ato de homenagem de Campo Formoso e Estado de Goiás através de medida que mudou a nomenclatura de espaço público foi a mudança do nome da estação de Ubatan e do povoamento ao redor para Egerineu Teixeira, permanecendo assim até 2009, quando a Câmara Municipal decidiu pela retomada do nome antigo. O jornal NOSSA FOLHA de Pires do Rio-GO, registrou em sua capa, na edição nº 23 de 04 de maio de 1940 a mudança do nome da estação:

 

“ESTAÇÃO EGERINEO TEIXEIRA

                Egerineo Teixeira é o novo nome da antiga Ubatan, estação da Estrada de Ferro Goiás e ponto de desembarque do passageiro que procura a cidade de Campo Formoso. Logo após o passamento trágico do inolvidável jornalista-prefeito, Egerineo Teixeira, a cidade de Campo Formoso e o Estado de Goiás sentiram-se profundamente golpeados na sua reserva de homens de valor; e um dos gestos que bem refletiram o apreço e a consideração que os goianos dispensaram sempre ao inditoso finado, foi o de emprestar o seu nome à Estação de Ubatan. Póstuma e merecida homenagem, expressiva revelação do veludoso carinho dispensado por Goiás a seu filho ilustre.

                Tudo passa na terra; mas a memória do talento e das belezas do coração perdura respeitada pelos séculos. Egerineo que era a lidima encarnação destas nobres qualidades, não podia ficar esquecido na letargia do morto, pelos seus coestaduanos.

                A Justiça trajando a indumentária inconsútil da equidade, abriu um sarcófago e com o sinete da imortalidade retirou dali um nome: Egerineo Teixeira.

                Hoje Egerineo Teixeira é a Estação de Ubatan”.

               

Orizona também homenageou o ex-prefeito com o nome de uma das principais vias públicas, que ligava o Centro ao bairro Nossa Senhora de Fátima e a saída noroeste da cidade: A avenida Egerineu Teixeira. Outras localidades como Anápolis, Goiânia e Catalão possuem vias públicas que homenageiam o prefeito-jornalista.
Talvez a homenagem mais expressiva foi a transferência do corpo de Egerinêo para Bela Vista, amplamente registrada e abordada na época pela imprensa e por outros como os escritores José Lobo (cunhado de Egerinêo), Victor de Carvalho Ramos e mais recentemente por Olímpio Pereira Neto em seu “Orizona: Campo e Cidade – 2ª edição). A pedido da comunidade bela-vistense e de sua família, o corpo foi exumado, em um cortejo marcado por homenagens em Campo Formoso, Vianópolis, Bonfim (Silvânia) e Bela Vista, e depois foi sepultado na terra natal. Um texto expressivo e que marcou a história da imprensa goiana foi a crônica “Ossos que Cantam Vitória”, do Cônego José Trindade da Fonseca e Silva (Cônego Trindade), pároco de Campo Formoso e Santa Cruz, que fala de sua vitória, mesmo sendo fisicamente abatido por um adversário.
Citamos abaixo algumas publicações a respeito de Egerinêo Teixeira, feitas por amigos e colegas da política e da imprensa após o seu falecimento:

 

CÔNEGO TRINDADE (padre, escritor e político):

“Egerinêo morreu antes do tempo. Pesava sobre ele aquele espírito irrequieto de mocidade que tudo quer compreender seu organismo, por másculo que fosse, era resistente para tanta elucubração. Dir-se-ia! ‘Erásmico’ da conquista de um ideal. Seus preceptores foram os livros policrômicos. Leu todas as correntes filosóficas. Foi político para por em prática todas as suas ideias humanistas”.

 

GUILHERME XAVIER DE ALMEIDA (político e intelectual goiano):

“... Em campanha não conhecia o meio termo. A sua gargalhada enorme soava como um clarim. De seu tinteiro forravam ondas de sarcasmos. Às vezes terá ofendido mais do que devia... Quem tem os olhos nas estrelas pode engomar-se nas encruzilhadas. Mas a verdade, para quem lhe contempla a trajetória geral da vida, é que sua jornada foi para a frente e para o alto...”

                               

VITOR DE CARVALHO RAMOS (escritor e jurista goiano):

“... Sua situação na imprensa deu-lhe lugar de relevo entre os maiores polemistas da terra goiana. Tinha personalidade. Seu estilo, em idioma escorreito, encantava pela simplicidade, clareza e verve. De uma coragem cívica a toda prova, arriscava a vida quando saía a campo a reduzir às próprias proporções os zoilos do poder, que a si mesmo se arrogavam o direito de espoliar o patrimônio da comunidade. Com uma penada punha abaixo os falsos ídolos, de corpo de bronze e pés de barro. Movia-o a combate-los não a despeito, o ódio pessoal ou quaisquer interesses subalternos, mas o desejo único de bem servir a causa coletiva”.

 

ODORICO COSTA (jornalista e político):

“Jornalista perfeito, político dos mais nobres e dos mais puros ideais, cidadão inatacável, Egerinêo Teixeira enche os traços fulgurantíssimo largos trechos da história de Goiás destes últimos anos.

De traços tão brilhantes, que fazem lembrar essas figuras formidáveis das fronteiras dos prédios entre fidalgos e portugueses e os mouros, esses lidadores magníficos vestidos de lorigão, de malhas de ferros, empunham do durindanas e puríssimo aço toledano, alcançando-se desabrido no alarido das justas e dos recentros, iluminados de fé e ordenado de amor por sua terra”.

 

GERALDO ARAÚJO VALLE (jornalista orizonense):

“Foi um bólido que passou, cintilou e desapareceu. Se Egerinêo Teixeira fosse carioca ou paulista, seu nome seria hoje um impacto na história, especialmente de jornalismo, da literatura e da política. Como político é um inadaptável por ser intransigente e idealista puro. Como literatura trazia na beleza do estilo, no emprego originalíssimo do  vocabulário e na riqueza de imagens, algo singular, pessoal, único, isso na clareza e simplicidade das expressões, sem empolamentos e rebuscamentos”.

 

OFÉLIA DI TEIXEIRA (professora e jornalista orizonense):

“Falar sobre meu pai, é voltar ao passado, é reviver momentos alegres e também momentos tristes. Meu pai tinha uma grande vocação pela política, muito inteligente, arrojado, tinha loucura pelos livros, possuía uma cultura e preparo administrativo. Quando solteiro foi nomeado o promotor público, antes de ser prefeito em Campo Formoso. Manobrava a política e era um grande jornalista. No setor da agricultura, ele contratou um agrônomo, vindo de Paracatu-MG, para a implantação da agricultura mecanizada. No setor de transporte, muito contribuiu para a realização de várias obras, como as rodovias para Pires do Rio, Santa Luzia (atual Luziânia), Bonfim que hoje é Silvânia. Meu pai conseguiu uma jardineira bem moderna para a época, a qual fazia o trajeto Ubatan (hoje Egerineu Teixeira) a Campo Formoso, atual Orizona. Era um homem com grande potencial, corajoso e não poupava esforços para fazer um bom trabalho”. (DEPOIMENTO A DEUSENIR ALVES DE OLIVEIRA).

 

Com o tempo, as pessoas vão sendo esquecidas ou ficam desconhecidas das novas gerações. É um processo bastante natural. Por isso mesmo é importante reativarmos essas memórias.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA

(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)