segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A minha relação e não-relação com o Cigarro

Na minha infância e primeira adolescência, em muito pouco convivi com pessoas fumantes. Vivendo na comunidade Estiva de Cima, vinculada à sede do povoado de Firmeza, em Orizona, não convivia com pessoas que tinham esse hábito, uma vez que o tabagismo era muito combatido naquela comunidade católica, organizada através de um núcleo das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base.
Naquela época, não existia nenhum fumante ali e apenas um dos viventes fumara na juventude, mas também tinha deixada o hábito e não cheguei a viver esse período. As poucas vezes com convivi com fumantes foi nas visitas a meu avô materno, que era adepto do cigarro, e na pouca convivência de alguns tios, mas que não me afetava. Também estava sujeito na convivência na escola secundária, nos jogos de futebol que ia sempre, nas saídas para outros povoados e para a cidade (eu não saia muito). Com o tempo e após conhecer os lugares, concluí que a média de fumantes em Orizona é inferior a outros lugares pelo qual passei, talvez pela consciência da população, adquirida através das CEBs, igrejas cristãs em geral e organizações civis, que realizaram campanhas ao longo dos anos com um propósito educativo.
Depois de concluir o Ensino Médio e Técnico em Agropecuária, fui viver em Urutai e fiquei mais exposto, pois eram muitos os colegas que apreciavam aquela droga lícita, mas posso dizer que nunca fui um fumante passivo em toda a minha vida, uma vez que era só sentir a fumaça do cigarro e logo saía de perto, pois me incomodava muito.
A partir do final de julho de 2018, por problemas pulmonares, fui percebendo que tinha alguma doença pulmonar crônica. Em todas as consultas e exames que fui, quando o/a profissional de saúde me atendia pela primeira vez, era (e é) feita sempre a mesma pergunta:
- Você é fumante? Vive com alguém que fuma?
Outras perguntas, pelo diagnóstico de Pneumonite de Hipersensibilidade, também aconteciam algumas: se eu trabalhava em mina de carvão; se eu trabalhava em olaria; se tinha contato com mofo; se em minha casa tinha pássaros como pombos e calopsitas. Tirando o mofo que é difícil de controlar, todas as hipóteses eram descartadas, mas os questionamentos sobre o tabagismo eram inevitáveis.
Não entendo, mesmo sabendo os motivos, que o cigarro comum seja considerado uma droga lícita. São diversas as substâncias tóxicas presentes, que se fossem isoladas e consumidas em maior quantidade, seriam letais em uma única vez de consumo. Portanto, a morte é parcelada em ‘doses homeopáticas’ e provavelmente a vida dos usuários será abreviada por doenças pulmonares, cardiovasculares ou por alguma espécie de câncer.
Se não convivi com tabagistas até a minha adolescência, isso passou a ser comum na vida adulta. Obviamente que para quem vive em qualquer cidade, essa convivência é inevitável, mas passei a viver ao lado de vítimas do produto: em minha família, vi meu avô vir definhando a ter a sua vida tomada pelas consequências do consumo, apesar de ainda poder experimentar uma vida longa. Na família de minha esposa, também convivi com usuários.
Relatei tudo isso para comentar sobre o impressionante consumo do cigarro de nicotina que é possível observar em Porto Alegre, principalmente entre pessoas com idade abaixo de quarenta anos. E é um consumo generalizado, em classes sociais diferentes, entre as mais diferentes correntes ideológicas e níveis de instrução. No século XXI, começou-se a retomar as práticas incentivas pelo cinema nos anos de 1940.
Hoje, além do cigarro comum, temos os cigarros eletrônicos, narguilés e outros, inclusive drogas ilícitas, que tem em comum, além de proporcionar a dependência química, o risco iminente de doenças graves e de mortes, tanto entre consumidores, quanto em pequenos agricultores que cultivam o tabaco para sobrevivência e enfrentam sérias doenças por conta da atividade, muito comum no Sul do Brasil. Os dados oficiais indicam uma redução significativa no consumo desde 2006 a 2021, quando caiu de 15,7 para 9,1% dos brasileiros em idade adulta, sendo que o público masculino é o maior consumidor (Vitegel Brasil). Em 2015, foram gastos no Brasil, aproximadamente 26,3 bilhões de reais no tratamento de doenças pulmonares e cardiovasculares relacionadas direta ou indiretamente ao consumo de cigarro.
Para quem luta pela sobrevivência diariamente e vê tantas pessoas tentando se manter vivas frente a doenças pulmonares, corre-se o risco de ser preconceituoso às vítimas do vício, mas é um exercício que tenho feito no sentido de evitar julgar os fumantes. Mas nem todos tem a mesma ‘paciência’ que eu. Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, muitos pacientes, acompanhantes e funcionários (inclusive da pneumologia e transplante pulmonar), deixam os hospitais para fumarem nas praças. Um dia desses, enquanto fazia a reabilitação pulmonar, a fisioterapeuta, olhando pelas enormes vidraças da sala, me disse:
- Está vendo o quanto as pessoas fumam aqui? Logo estarão aqui dentro procurando socorro, lutando pra não morrer!
O cirurgião torácico José de Jesus Peixoto Camargo, o primeiro a realizar transplante pulmonar na América Latina, em 16 de maio de 1989, o fez com um jovem agricultor de Santa Catarina, que tinha na época, 27 anos de idade, e conta que era fumante e sofria com um enfisema pulmonar. A cirurgia foi um sucesso, mas depois de algum tempo, o mesmo voltou a fumar e não sobreviveu, mesmo com um pulmão novo.
Vejo nessa realidade, a necessidade dos poderes públicos e da sociedade civil é fundamental. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), “A prevalência de tabagismo é o resultado da iniciação (novos usuários de tabaco) e da interrupção do consumo (por cessação do tabagismo ou morte). A identificação dos fatores determinantes da iniciação e da cessação do tabagismo é, portanto, fundamental para o planejamento de ações específicas para o controle do tabaco”.
O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais, podem ser munidos de infraestrutura, equipamentos e o país possui várias instituições de pesquisa para enfrentamento deste problema. O que falta é orçamentos suficientes nos entes federados e ações direcionadas nesta área. Infelizmente, o tabagismo enriquece empresas, contrabandistas e favorece a um perigoso mercado mundial, que vive de lobbie para se manter.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

Imagem: Ultraspecialisti.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Relatos sobre o assassinato do prefeito e jornalista Egerinêo Teixeira

A expressão “quem conta um conto, aumento um ponto” é tão comum que não sabemos de onde surgiu. Para ilustrar acontecimentos na história de Campo Formoso (Orizona), vou correr o risco de cometer devaneios em relação aos episódios que levaram à morte do jornalista e ex-prefeito Egerinêo Teixeira, em 06 de junho de 1938, uma quarta-feira.
Para as pesquisas de seu livro, o professor Paulo Acácio de Sousa em uma ocasião entrevistou o senhor Ivo Costa, que na época do crime era um jovenzinho e estava no largo da matriz de Campo Formoso, com outras pessoas, em local onde foi o posto de gasolina e a residência familiar do Sr. Florentino Vieira Pereira (Florentino Albino). Paulo Acácio ouviu a história e em dias subsequentes me contou em sua residência. Cheguei em casa e depois de um tempo transcrevi a mesma para um caderno. Portanto, é possível que eu mesmo tenha modificado nesse interim as informações a mim repassadas, apesar do relatado ser muito parecido com o que apareceu em jornais da época.
Conforme contam, enquanto prefeito, Egerinêo teve a atribuição de distribuir (redistribuir) os cartórios do município, conforme determinações do governo de Getúlio Vargas. A família de Benedicto Almeida (foto abaixo ao volante), um protegido de seu irmão Cylenêo de Araújo, tinha interesses em obter a concessão de um cartório, mas o prefeito não cedeu, deixando-o enfurecido e especialmente a sua esposa, Geronima Goulart de Almeida (Bebé), que tinha grande influência sobre seus atos, o pressionando a dar cabo no prefeito.
Contava-se na época em Campo Formoso, quase como uma lenda urbana, que a mulher tinha chegado a dizer ao marido:
- Ou você mata o Egerinêo, ou eu visto as suas calças e faço eu mesma.
Conforme presenciado por testemunhas, o episódio aconteceu assim:
Egerinêo descia a rua Cel. José da Costa a pé, no meio da manhã, vindo ou de sua casa ou da Prefeitura (o mesmo morava onde atualmente é a Agenfa e a Prefeitura funcionava acima do Mini Box Boca de Lobo). Benedicto estava na janela de sua casa à rua Cel. José Pereira Cardoso fumando e olhando para a praça (vivia em uma casa de residência onde hoje é a Casa dos Parafusos). Ao ver o prefeito descendo a rua no outro lado da praça, deu a volta e foi abordá-lo.
Quando o algoz alcançou a esquina (onde funciona a Casa do Fazendeiro), chamou Egerinêo que tinha passado para frente e começava a descer a rua abaixo da praça:
- Vira para que eu possa te matar.
Egerinêo virou e o mesmo atirou por algumas vezes, sendo que cinco o atingiram: “dois pelas costas, dois de flanco e um de frente”. Dizem que o prefeito tentou revidar atirando nele alguns tijolos, mas já era tarde. Chegaram alguns populares (tinham dezenas de pessoas na praça) e Benedicto fugiu dali mesmo, atravessando o ribeirão Santa Bárbara e não mais sendo visto até mais tarde, quando se apresentou à polícia. Esta versão oral pode ser confirmada por matérias dos jornais "O Estado" (SC, nº 7.391 de 16/06/1938), "O Jornal" (RJ, de 18/06/1938), entre outros.
Após o ocorrido, a delegacia de Polícia de Campo Formoso foi designada para conduzir o inquérito, mas pela falta de celeridade e pela pressão local, foi encaminhada pela secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública uma comissão para investigar o caso, comandada pelo Sr. Hamilton Vellasco, que saiu da antiga capital goiana (Cidade de Goiás). Permaneceram entre o final de julho e meados de agosto de 1938 e retornaram para Goiás.
Depois de apelação da defesa junto a corte de Pires do Rio no início de novembro, o júri foi transferido para Goiânia, sendo realizado em 12 de dezembro de 1938. O senhor Benedicto Almeida chegou ao Tribunal do Juri acompanhado de impressionante assistência jurídica, sendo ao final da audiência, absolvido da acusação, mesmo tendo aquele crime ocorrido na presença de grande número de testemunhas e provocado grande comoção local e nacional.
Egerinêo era um jornalista muito conceituado, colunista de importantes veículos de comunicação em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de político muito atuante (de gravata borboleta na foto acima, com o Conselho Municipal de Campo Formoso). A dúvida que ficou a respeito desse caso é se o seu assassinato não teria sido um pretexto criado pelos adversários políticos, que o odiavam pela sua atuação, mas que no período que se tornou prefeito, passou a ser mais brando nas suas posições e até reduziu a atuação na imprensa. Sobre a sua atuação na imprensa os adversários o chamavam de ‘cincerro de Campo Formoso’ (cincerro=polaque).
Além de jornalista e político, foi comerciante e produtor rural, atuando, pelo que sabemos, no cultivo de algodão, arroz, bovinos e suínos. Chama a atenção um bilhete deixado na data de seu assassinato na Prefeitura, em que o colega e amigo Joaquim Marçal da Silveira combinava pegar o caminhão e irem juntos buscar uns porcos em determinado lugar. Provavelmente o prefeito não chegou a ler esse bilhete. Era também um homem muito culto, um autodidata. Deixou como herdeiras a esposa Rita Carolina Amália da Costa Teixeira (filha do Cel. José da Costa) e a filha Ofélia.
A respeito do algoz de Egerinêo Teixeira (busto abaixo), Benedicto foi posteriormente prefeito de Palmeiras de Goiás (1951-1955). Partidários do prefeito de Campo Formoso e opositores do governador Pedro Ludovico Teixeira acusavam o mesmo de ser o mandante do crime, mas não há nenhum indicativo que isso tenha ocorrido. A própria filha de Egerinêo, a professora e jornalista Ofélia Teixeira, acreditava que se não tivesse sido eleito prefeito, provavelmente o pai não teria sido morto daquela forma.
Contudo, a atividade jornalística na época era uma função de risco, uma vez que predominava o coronelismo, não totalmente cessado com o golpe de Estado de Getúlio Vargas em outubro de 1930: em 20 de maio de 1922, sábado, o jornalista Moisés Santana foi baleado na redação do jornal Lavoura & Commercio pelo prefeito em exercício de Uberaba-MG, por causa de um poema satírico de sua autoria, publicado no jornal Separação. Moisés faleceu no dia seguinte e o prefeito foi absolvido por “legítima defesa da honra” e o referido poema sequer aparecia no inquérito.
Antônio Americano do Brasil, natural de Bonfim (Silvânia), era médico, oficial do exército, político, folclorista, escritor e jornalista e foi assassinado em Santa Luzia (Luziânia) em 20 de abril de 1932, em uma contenda muito documentada, mas nunca explicada. Ambos tinham forte relação com Campo Formoso e são apenas alguns dos casos que comprovam que a atividade jornalística era mais perigosa que a política.
São feridas que aparecem em nossa história passada, mas também presente. Ainda somos “neandertais” quando se fala em tolerância. Fatos recentes, muito semelhantes a esses do passado, mostram que a nossa democracia e o nosso censo de tolerância e aceitação das diferenças precisam avançar muito.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

A Tentativa de mais uma Retomada

Diz um autor, querido nosso, que superamos a falta de vontade de escrever escrevendo. Tenho buscado superar essa falta da escrita, pois tenho tarefas importantes neste campo, como a conclusão do livro com o amigo Jeová Vieira sobre os Vieira Pereira de Orizona, bem como sobre outras famílias orizonenses, além de alguns trabalhos pessoais, uma vez que na atual condição, não é possível encampar mais algo além disso.
Uma tarefa que não tenho conseguido prosseguir se refere ao blog Orizona em Foco, que inauguramos em março de 2009, tendo um papel importante pelo menos até 2013, quando por pressões políticas locais e até mesmo desmotivação, deixei de publicar as notícias locais. Depois, disso, muitas foram as retomadas e sempre surgia o medo por alguma matéria ou tema polêmico e eu deixava o Orizona em Foco.
Com os problemas de saúde a partir do segundo semestre de 2018, praticamente esqueci o blog e apenas em uma vez o retomei, não conseguindo dar continuidade, pelas próprias dificuldades na escrita (às vezes não consigo escrever manuscritos nem digitar), que inviabilizava totalmente, além do trabalho, outras atividades que tinha como hobbie, como a referida página.
Fora do município de Orizona por um tempo indefinido, tenho despertado o desejo de voltar a movimentar o blog. E pretendo fazê-lo, mas não com as costumeiras notícias, que até hoje passaram de 2.500 postagens. O farei com crônicas cotidianas e ensaios sobre a nossa história local.
E assim será, na espera que nosso antigo e um novo público possa nos acompanhar e seguir pelas redes sociais e que desbravemos até quando for possível.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(E-mail: anselmopereiradelima@gmail.com)

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Egerinêo e a criação da Comarca de Pires do Rio

A querida cidade de Pires do Rio completa em 9 de novembro próximo, seu primeiro centenário de história. Considero a capital cultural de nossa região. Alguns orizonenses e cidadãos que adotaram o município, muito contribuíram para o desenvolvimento piresino. Um destes foi o belavistense e ex-prefeito de Orizona, Egerinêo Teixeira.
 
Conforme destacou Francisco Accioli Martins Soares, em seu “Pontos Históricos de Pires do Rio”, Egerinêo Teixeira, o político e intelectual de Campo Formoso, foi um colaborador na luta pela elevação de Pires do Rio a Comarca. Como retribuição, Dr. Taciano Gomes de Melo, líder piresino, organizou uma recepção (sessão solene) para homenagear o colaborador. Estiveram presentes, Dr. Cyllenêo de Araújo (Leo Lynce), João Accioli, Francisco Sousa Lobo, Luciano Félix de Sousa e Armindo Teixeira França (cidadão de Campo Formoso).
Egerinêo fez parte do Clube Cívico de Pires do Rio (mesmo não morando lá). O clube seguiu com o fim de criar um gabinete de leitura, adquirir obras literárias e solicitar da imprensa jornais e revistas.
Fizeram parte: Taciano Gomes de Melo, Francisco Accioli, Joaquim Antônio Teixeira, Graziela Félix de Souza, Cyllenêo de Araújo, Abilon Borges (cidadão de Campo Formoso), entre outros.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA


Fonte:
- SOARES. Francisco Accioli Martins. Pontos Históricos de Pires do Rio. Goiânia: Nossa Folha, 1988. 67 p.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Orizona recebe 2ª Etapa da Copa Verão Velocross neste final de semana

REDAÇÃO
- Neste final de semana, outro evento promete movimentar a cidade de Orizona. Realizado pelos vereadores Nagibinho Duarte e Flávio Dias e pelo produtor rural Edson Geraldo de Sousa (Cocá), acontecerá de 04 a 05 de junho, a 2ª etapa da Copa Verão Velocross.
Dentro do Circuito do Campeonato Goiano Velocross 2022, as competições serão realizadas na AABB de Orizona.

Foto: Moto on-line.

Começa nesta sexta-feira o Forró Show 2022, promovido pela Prefeitura de Orizona

DA REDAÇÃO
- Inicia nesta sexta-feira, 03 de junho, a programação festiva do Forró Show 2022, que acontecerá no Estádio Municipal Dom Antônio Ribeiro de Oliveira, promovido pela Prefeitura Municipal de Orizona. Os portões serão abertos diariamente a partir das 19 horas, com entrada gratuita.
O espaço oferecerá atrações como barracas de comidas típicas, gastrobares, área para crianças (rua do Lazer, segurança especializada e controle sanitário. Neste primeiro dia haverá apresentação cultural com a Quadrilha Buscapé e shows musicais com Lu & Luan; Derick & Eduardo; Edinho Sanfoneiro; Pedro Paulo; Edi Júnior & Sandro; e Renato Sanfoneiro. No sábado (04), a atração principal será a dupla Edy Britto & Samuel.
Sobre a segurança, será proibida a entrada com bebidas alcoólicas e a equipe responsável pela segurança fará controle com detectores de metais. Do ponto de vista sanitário, a Prefeitura está recomendando o uso de máscaras faciais dentro do espaço do evento.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Confira o calendário de vacinação contra a COVID-19 para o restante da semana

PMO/SMS - A Prefeitura Municipal de Orizona, através da Secretaria Municipal de Saúde de Orizona, informou em suas redes sociais, a programação do restante desta semana, da vacinação contra a COVID-19:
02 de junho de 2022 (quinta-feira):
- 3ª DOSE para pessoas de 12 A 17 ANOS que receberam a 2ª DOSE HÁ 4 MESES.

03 de junho de 2022 (sexta-feira):
- 1ª DOSE para PESSOAS com 18 anos e mais;
- 3ª DOSE para PESSOAS que receberam a 2ª DOSE HÁ 4 MESES.

A vacinação acontecerá no horário das 8 às 14 horas, na Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Maria II.

Morreu em Goiânia antropólogo nascido no município de Orizona

DIÁRIO DE GOIÁS
- Morreu na noite deste sábado, 28 de maio, em Goiânia, aos 78 anos, o professor e antropólogo Rômulo Pinto de Souza, figura conhecida no meio acadêmico, após desenvolver um quadro de trombose e embulia pulmonar. Formado em Letras e Antropologia, o professor era dono de um dos maiores acervos das etnias Xavante e Bororo do Estado.
Em casa, no tradicional bairro de Campinas, Rômulo recebia os alunos e transformou um dos cômodos em um verdadeiro museu, com peças e artefatos produzidos pelos nativos em tribos de Goiás, Mato Grosso e Pará.
Rômulo ajudou a criar o Museu Antropológico da PUC Goiás doando peças de seu acervo. Trabalhou na Funai pesquisando, conhecendo e defendendo a cultura indígena brasileira.
Rômulo Pinto de Souza nasceu em Orizona, Goiás, e desde cedo mostrou um grande interesse pela leitura, estimulando a se mudar bem logo do município. A paixão pela linguagem o fez seguir carreira como professor. Função que exerceu ao longo de mais de 50 anos. O professor ministrava aulas de português, inglês, além de ser fluente em francês e espanhol.
Foi professor do Colégio Santa Clara e, por muitos anos, esteve a frente das salas de aula do Colégio Delta em Anápolis e em Goiânia. Também deu aula no Colégio Classe, na capital.
Nos últimos anos, Rômulo se dedicou a dar aulas particulares de inglês e português em casa. Assim ele fazia amigos e incentivava a todos sobre o poder da informação e da leitura.
O professor era conhecido ainda por emprestar livros e também por dar dicas de filmes, documentários e artigos científicos aos alunos. Ele também analisava a formação cultural de povos e nações espalhadas pelo mundo e contribuía com dados científicos em teses de mestrado e doutorado de diversas áreas.

Texto de Leonardo Calazenço, extraído do Diário de Goiás.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Mulher é encontrada morta em carvoaria no município de Orizona

POLÍCIA
 - Desde a década de 1980, as carvoarias se instalaram com mais intensidade e a atividade de extração de madeira para produção de carvão ocupou boa parte das áreas de cerrado do município de Orizona e de todo o Estado de Goiás, tendo aberto caminho para a produção de cultivos anuais, que atualmente tem grande impacto na economia local e regional. Reduzida a atividade da produção de carvão para as siderúrgicas, atualmente as carvoarias, em menor número e volume, tem outras finalidades, predominando a produção de carvão para atender a demanda de produção de carvão para churrasco.
Desde os tempos mais remotos dessas atividades, foi comum o convívio intenso de trabalhadores e trabalhadoras, muitos vindos de outros Estados, em busca de sobrevivência e dispostos a enfrentar o perigo de uma atividade de bastante risco, dado o modo que ocorre, lidando com o fogo e com o vácio necessário dentro dos fornos, além das situações de conflito. Por isso, não deixa de ser comum, notícias de acidentes e mesmo tragédias nesses espaços.
Com amplo espaço na mídia, foi o que ocorreu neste final de semana na área rural do município. No dia 29 de maio, último domingo, o Batalhão Rural da Polícia Militar foi acionado por conta de um incêndio em uma carvoaria próximo ao povoado de Buritizinho, no município de Orizona. No local os policiais depararam com o corpo carbonizado da Sra. Ilda Rodrigues da Silva, 40 anos, natural do distrito de Domiciano Ribeiro, município de Ipameri/GO. Segundo relato do esposo da vítima, que trabalha na carvoeira, a mesma chegou na carvoeira por volta das 10 horas da manhã com o intuito de auxiliá-lo na retirada do carvão, porém a mesma havia ingerido bebida alcoólica sendo avisada do perigo.
Ainda segundo relatos do esposo, enquanto o mesmo buscava água no córrego há aproximadamente 100 metros do local, a mesma possivelmente abriu o forno, momento em que ocorreu o incêndio. Ao buscar pela esposa, a encontrou dentro do forno já caída, momento em que tentou retirá-la do local, conseguindo arrastá-la somente até a entrada do forno devido ao calor e a fumaça, sendo que o corpo estava tomado pelo fogo.
O corpo carbonizado ficou no local sendo o perímetro isolado pelos policiais do Batalhão Rural até a chegada da Polícia Técnico Científica e o Instituto Médico Legal.
Diante da situação, o esposo da vítima, Sr. Carlos Roberto da Conceição da Silva, 36 anos, natural de Caxias-MA, entrou em grave estado de choque sofrendo repetidas convulsões, momento em que a equipe de policiais do Batalhão Rural realizou os primeiros socorros e, devido à distância para atendimento médico urgente, transportaram-no para a Unidade de Pronto Atendimento da cidade de Orizona.
Sobre esse episódio, o inquérito Policial Militar será encaminhado e adicionado aos autos do processo.


Informações e imagens: Polícia Militar/ Batalhão Rural.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Os efeitos das Queimadas no Município de Orizona e as Necessidades de Iniciativas das Autoridades Locais

A cada ano que se passa, aumenta o período seco e a intensidade das temperaturas e baixa umidade, especialmente no final o ciclo. Na nossa região, onde se predomina o Cerrado, não há quatro estações bem definidas. É afirmado por estudiosos que de novembro a abril se predomina a estação úmida e de maio a outubro, a estação seca, sendo que esses fenômenos se intensificam especialmente a partir de agosto.
Na região central brasileira, especialmente a de Cerrado, surgem as queimadas (queimadas surgem nessa época também com muita frequência nos biomas Pantanal, Mata Atlântica e Amazônia). Nestas últimas semanas, tivemos notícia no Pantanal Sul-mato-grossense e no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, além de amplas áreas urbanas e rurais da região.
Segundo Denise Maria Sette (2005), nas últimas décadas, especialmente pelas alterações climáticas, o início da estação seca é antecipado em um a dois meses no Sul (março-abril), enquanto que no extremo Norte o verão amazônico só se inicia entre os meses de maio a junho. Nas regiões centrais, ficam numa posição intermediária.
Com o agravamento do cenário a partir de agosto, na nossa região, onde abrange o município de Orizona, as queimadas parecem brotar de dentro da terra, seja de forma espontânea, por desleixo, má fé ou mesmo aplicada em forma de limpeza arcaica do solo, tanto na cidade (limpeza de lotes e áreas desocupadas) quanto no campo. O certo é que esses acontecimentos são bastante destrutivos.
Há cerca de três ou quatro anos, numa ocasião que chegava para o turno da tarde no meu trabalho na Escola Família Agrícola de Orizona (EFAORI), soube que um motociclista jogara uma bituca de cigarro no trevo e o fogo tinha alastrado rapidamente, causando um “senhor” incêndio, com ameaças e destruição em algumas chácaras. Nenhum grande esforço foi suficiente. A ação dos estudantes, dos moradores, os servidores da Prefeitura não conseguiram impedir o avanço do fogo e o máximo que conseguiram foi desviar o caminho da queimada, não evitando os prejuízos materiais. O fogo se dirigiu rumo ao por do Sol e somado a uma segunda queimada, saltou a GO-330.
No ano seguinte, um novo incêndio próximo ao córrego do Gato Preto e ribeirão Santa Bárbara provocou enormes prejuízos na região toda e chegou até a região do Morro Alto, próximo a Ubatã. Em todos os anos, notícias de queimadas graves se repetem pelo município. Em 2020, provocaram grandes perdas na região de Firmeza e na margem do rio Corumbá. E são apenas novos exemplos, juntados a outros.
Cito esses exemplos para ressaltar que são acontecimentos que provavelmente se repetirão neste ano e nos próximos, caso nada seja feito. Para começo de conversa, as unidades do corpo de bombeiros da região não atuam em áreas rurais e dizem não tem infraestrutura para essas operações de grande porte, a não ser quando houver riscos flagrantes à vida humana. Cabe nesta hora ao poder público municipal reagir e se preparar, em parceria com segmentos produtivos, especialmente aos produtores rurais. São alertas que já fizemos em outros anos.
É hora, por exemplo e sugestão, de ser criado um Comitê emergencial, com a participação dos poderes Executivo (secretarias de Meio Ambiente, Agricultura e Infraestrutura), Legislativo, Ministério Público, Polícias, Sindicatos Rurais, Cooperativas, produtores rurais independentes, se preparando conjuntamente e discutindo quais ações poderão ser tomadas, onde cada um ou o coletivo poderá agir preventivamente ou discutir medidas futuras de contenção.
O poder público poderá auxiliar financeiramente, se houver possibilidades, com apoio aos produtores rurais (se considerarem legalmente e financeiramente viável, com uso de máquinas e equipamentos, no auxílio para a construção de aceiros e limpeza de áreas e os produtores rurais que possuírem máquinas poderão agir da mesma forma, em apoio aos moradores das regiões em que vivem. Poderiam ser criadas brigadas nas diversas regiões do município.
O certo é que ninguém poderá alegar desconhecimento, pois são fatos muito previsíveis de acontecer. Como cidadãos, preocupados com a nossa saúde, segurança e temerosos de prejuízos econômicos, esperamos medidas concretas, sejam essas sugeridas acima ou outras que julgarem mais apropriadas. O certo é que não fazer nada seria uma negligência muito grande.

ANSELMO PEREIRA DE LIMA
(anselmoeinstein@gmail.com)