Você, caro leitor, não está entendendo o título dessa matéria? Pois bem, vamos contar através de um pequeno e suposto fato: imagine uma pequena cidade do interior do Brasil onde não exista hospital público e todo o atendimento de média complexidade acontece no único hospital, que é particular. Quando há necessidade de encaminhar um paciente que necessita de atendimento especializado, o hospital aciona as ambulâncias da secretaria de saúde daquele município, que possui inclusive uma unidade básica do Samu 192.
Imagine agora que em um belo dia chega uma paciente no sétimo mês de gestação com complicações na gravidez e entrando em trabalho de parto. O médico plantonista diante da gravidade resolve encaminhar a paciente para um centro especializado. O mesmo médico, que também seria presidente de um partido de oposição ao do prefeito, decide que a paciente deverá ser encaminhada em uma unidade convencional sem nenhum equipamento para apoio em emergências, afinal mobilizar a USB do Samu 192, acredita o médico de forma equivocada, daria visibilidade à administração municipal.
Por sorte da paciente, uma funcionária do próprio hospital aciona o serviço 192, mesmo sendo repreendida pelo médico plantonista. Tansportada ao centro especializado por uma unidade com socorristas treinados e todos os equipamentos de pronto atendimento necessários, a paciente chega em segurança ao seu destino e assegura a sua vida e a vida da criança.
Agora, por fim, imagine que a cidade que aconteceu esse suposto fato seja a sua. Você sentiria indignação? Pois digo que pessoalmente sentiria muito e nas próximas eleições refletiria muito sobre quais seriam as lideranças políticas que de fato mereceriam o meu respeito. Afinal, como pode alguém colocar duas vidas em 'cheque' apenas por um pequeno capricho partidário? Pense nisso você também.